Após ataques, EUA vão enviar tropas para a Arábia Saudita

Ataque contra a principal refinaria saudita usou drones e mísseis

Ataque contra a principal refinaria saudita usou drones e mísseis
Stringer/Reuters – 14.9.2019

Depois de ataques contra algumas das principais instalações de extração e refino de petróleo da Arábia Saudita no último final de semana, os EUA vão enviar tropas e equipamentos de defesa para o país do Oriente Médio. O anúncio foi feito na noite desta sexta-feira (20), no Pentágono, em Washington.

A medida, segundo o secretário interino de Defesa dos EUA, Mark Esper, serve para “ajudar a Arábia Saudita a melhorar suas defesas”. Serão enviados soldados, mísseis e equipamentos de defesa antiaérea para repelir possíveis novos ataques.

Leia também: Arábia Saudita mostra danos em instalações petrolíferas atacadas

O país é responsável por cerca de 10% da produção mundial de petróleo e precisou reduzir o volume pela metade após os ataques. Inicialmente, os rebeldes houthis do Iêmen afirmaram que foram os responsáveis por enviar drones e mísseis para a refinaria de Abqaiq e o campo de Khurais.

No entanto, tanto o governo saudita quanto os EUA acusam o Irã, que também seria responsável por financiar os houthis, de ser o verdadeiro autor do ataque.

Foco na defesa

“O presidente (Donald Trump) aprovou o envio de forças americanas que serão de natureza defensiva e terão foco principalmente na defesa aérea e de mísseis”, disse Esper em entrevista coletiva após uma reunião com o próprio governante na Casa Branca.

O titular do Pentágono também disse que o governo americano “trabalhará para acelerar a entrega de armamentos à Arábia Saudita e aos Emirados Árabes Unidos para melhorar a habilidade de defenderem a si mesmos”.

“Acreditamos que, por enquanto, isso será suficiente, mas não quer dizer que não possa haver desdobramentos adicionais se necessário”, acrescentou.

Esper também citou Trump para reiterar que os “EUA não buscam um conflito com o Irã”, mas alertou que “há muitas outras opções militares disponíveis”.

Além disso, ele ressaltou que nos últimos meses Washington “e outros países demonstraram grande paciência com a esperança de que os líderes iranianos optassem pela paz”.

“Mas o ataque de 14 de setembro contra as refinarias sauditas representa uma dramática escalada nas agressões iranianas”, acrescentou.

Veja momento em que motorista invade shopping nos EUA com SUV

Vídeo publicado no Twitter mostra o veículo dentro do corredor do shopping

Vídeo publicado no Twitter mostra o veículo dentro do corredor do shopping
Reprodução / Twitter

Cenas de pânico aconteceram na tarde desta sexta-feira (20), quando um motorista ainda não identificado usou um SUV preto para invadir um shopping center em Shaumburg, na região metropolitana de Chicago, nos EUA.

Nenhuma pessoa se feriu no incidente, que ainda não teve motivos divulgados. O motorista foi preso pela polícia.

As imagens abaixo, publicadas em um perfil do Twitter, mostra o veículo avançando em um dos corredores principais do shopping.

É possível ouvir os gritos das pessoas que estavam no local e ver alguns produtos derrubados pelo veículo. 

O viajante cego que já visitou 130 países: ‘Vejo os lugares de uma forma alternativa’

Tony Giles é completamente cego e também tem deficiência auditiva. Apesar das dificuldades, ele viajou sozinho para a maioria dos 130 países que conheceu

Tony Giles é completamente cego e também tem deficiência auditiva. Apesar das dificuldades, ele viajou sozinho para a maioria dos 130 países que conheceu
The Travel Show, BBC News

“Eu visitei todos os continentes, inclusive a Antártida. Minha missão é conhecer todos os países do mundo”, diz Tony Giles.

O britânico de 41 anos é cego e é parcialmente surdo, mas a paixão por viajar o levou a mais de 130 países.

“Eu estou mostrando para as pessoas que é possível ver o mundo de maneira alternativa”, diz.

O BBC Travel Show acompanhou Giles na sua viagem para a Etiópia.

Sentindo pela pele

Tony Giles diz que, no início, viajar era uma maneira de ajudá-lo a fugir das próprias emoções

Tony Giles diz que, no início, viajar era uma maneira de ajudá-lo a fugir das próprias emoções
The Travel Show, BBC News

“Eu percebo as pessoas falando, eu subo e desço montanhas, eu sinto com a pele e com meus pés. É assim que vejo um país”, diz ele.

Giles passou os últimos 20 anos viajando e explorando novos lugares. Durante uma de suas viagens, conheceu a atual namorada, uma mulher grega que também tem deficiência visual.

No ano passado, ele foi para a Rússia com ela e os dois cruzaram o maior país do mundo de trem. Mas Giles fez a maior parte de suas viagens totalmente sozinho, como mochileiro.

A emoção do novo

O britânico financia as suas viagens com dinheiro da pensão do pai e planeja com bastante antecedência.

A mãe dele o ajuda a reservar as passagens aéreas. Ele explica que a maioria dos sites das companhias aéreas não é bem adaptada para deficientes visuais.

Tony Giles diz que conhecer pessoas novas é uma aventura para ele

Tony Giles diz que conhecer pessoas novas é uma aventura para ele
The Travel Show, BBC News

Ele também entra em contato com pessoas pela internet para que o ajudem durante as viagens.

“Eu não posso simplesmente pegar um livro e dizer: ‘Vou para esse lugar ou aquele lugar’. Você tem que ter conhecimento antes de viajar. Eu tenho boa memória e planejo minhas rotas”, explica.

Quando chega aos destinos, ele se entusiasma em ter de se virar em cidades desconhecidas.

“Às vezes, eu não sei quem eu vou encontrar e o que vai acontecer. Para mim, é uma aventura.”

A perda da visão

Giles tinha nove meses quando foi diagnosticado com um problema que o faria perder a visão gradativamente. Ele parou de enxergar completamente aos 10 anos de idade.

Antes disso, quando tinha seis anos, foi diagnosticado como parcialmente surdo. Ele usa poderosos equipamentos de amplificação do som, mas ainda assim é incapaz de ouvir plenamente.

Giles estudou numa escola especial e foi numa viagem escolar que teve a primeira experiência num país estrangeiro — foi para Boston, nos Estados Unidos, aos 16 anos.

Mesmo hoje em dia, com toda a experiência de viagem, a saúde do britânico às vezes freia o seu entusiasmo contagiante. Ele foi, por exemplo, forçado a passar por um transplante quando seus rins falharam em 2008. O padastro dele foi o doador.

Vício

Giles perdeu o pai quando tinha 15 anos e o melhor amigo, que também tinha deficiência, aos 16 anos.

Tony Giles gosta de visitar lugares onde é permitido tocar nos objetos e superfícies

Tony Giles gosta de visitar lugares onde é permitido tocar nos objetos e superfícies


The Travel Show, BBC News

“Eu cai no alcoolismo por seis ou sete anos. Aos 24 anos, eu era um alcoólatra.”

O pai dele trabalhou na marinha mercante. E as histórias que contou ao filho sobre terras distantes deixaram uma forte impressão em Giles na infância e adolescência.

“Quando saí do fundo do poço, pude ver que havia diferentes estradas para explorar.”

Escapando das próprias emoções

Em março de 2000, suas aventuras como mochileiro começaram com uma viagem a Nova Orleans, nos Estados Unidos.

Giles usa a internet para entrar em contato com guias e moradores dos países que vai visitar; assim consegue se programar com antecedência e conseguir a ajuda de locais

Giles usa a internet para entrar em contato com guias e moradores dos países que vai visitar; assim consegue se programar com antecedência e conseguir a ajuda de locais
The Travel Show, BBC News

“Eu não sabia onde estava indo e simplesmente congelei. Respirei fundo e disse a mim mesmo: ‘Tony, se você não quiser fazer isso, vá para casa’.”

Mas ele acabou decidindo prosseguir com a viagem e, desde então, já conheceu todos os Estados americanos.

“Uma das principais razões que me fizeram começar a viajar foi o escapismo. Fugir das minhas emoções.”

Ir para novos lugares também deu a Giles uma poderosa e necessária injeção de ânimo.

“Quanto mais pessoas eu conhecia, mais eu parcebia que muitas delas não estavam comigo só porque eu sou cego, mas por causa da minha personalidade.”

Orçamento pequeno

Giles tenta não gastar muito nas viagens. Ele prefere usar transporte público e opta por acomodações simples, como o lugar onde ficou em Addis Ababa, na Etiópia.

Giles gosta de conversar com os moradores dos países que visita e, frequentemente, é convidado a almoçar ou jantar na casa deles

Giles gosta de conversar com os moradores dos países que visita e, frequentemente, é convidado a almoçar ou jantar na casa deles
BBC NEWS BRASIL

“O lugar é extremamente rústico e isso desperta os meus sentidos.”

O anfitrião se animou a cozinhar uma refeição para Giles usando ingredientes locais que o britânico comprou no mercado.

“Eu ouço, cheiro e sinto as coisas ao meu redor.”

Giles gosta de tocar e sentir os objetos. Conversar com as pessoas e ouvir o que elas têm a dizer o ajuda a criar uma imagem mental das paisagens, objetos e edifícios.

Em Addis, ele foi a uma exibição de arte onde lhe permitiram tocar e sentir os objetos em exposição. Giles diz que isso o fez sentir incluído, ao contrário do que ocorre na maioria dos museus.

Fugindo dos roteiros turísticos tradicionais

Giles tenta fugir dos roteiros turísticos batidos. Na Etiópia, ele visitou um lago que não consta dos guias e alimentou pássaros aquáticos com peixes.

Tony Giles gosta de fugir dos roteiros turísticos tradicionais

Tony Giles gosta de fugir dos roteiros turísticos tradicionais
The Travel Show, BBC News

Às vezes, ele contrata um guia, mas nem sempre. E, de vez em quando, acaba se perdendo.

Mas isso não o faz mais entrar em pânico. Ele aguarda calmamente até que algum transeunte o ajude a se localizar.

“Pode ser que dez pessoas passem por você e aí alguém para e pergunta: ‘Você está perdido? Quer ajuda?'”

Giles conta que já foi convidado várias vezes a conhecer a casa e jantar ou almoçar com pessoas que acabara de conhecer.

Confiando em desconhecidos

Sacar dinheiro e lidar com notas de diferentes moedas são desafios para o britânico. “Eu tenho de encontrar alguém em quem possa confiar. Tenho de fazer uma verificação, ouvir a história dessas pessoas.”

Quando isso está feito, ele vai até um caixa eletrônico com o desconhecido ou desconhecida e saca dinheiro.

“Depois de pegar as notas, preciso perguntar qual o valor delas.”

Música e comida

Nas suas viagens, Giles conheceu e tentou tocar diferentes instrumentos musicais.

Por meio de música e comida, Giles se conecta com a cultura local

Por meio de música e comida, Giles se conecta com a cultura local
The Travel Show, BBC News

 “Uma das minhas grandes paixões é a música. Eu consigo me conectar, sentir o ritmo. A música cruza todas as barreiras.”

Giles também adora experimentar pratos típicos dos países que visita.

‘Por que um cego quer conhecer o mundo?’

Apesar de não conseguir enxergar, Giles frequentemente tira fotos dos lugares espetaculares que conhece.

O britânico pode não aproveitar pessoalmente as imagens, mas elas são publicadas no site dele e encantam os olhos de outras pessoas.

Giles conta que vez ou outra é questionado sobre a sua paixão por viajar.

“Como uma pessoa cega quer ‘ver’ o mundo?”, perguntam. Ele simplesmente responde: “Por que não?”

Cuba: EUA violaram protocolos com expulsão de enviados à ONU

Chanceler cubano: expulsão promove escalada de tensão

Chanceler cubano: expulsão promove escalada de tensão
Ernesto Mastrascusa / EFE – 20.9.2019

Cuba considera que os Estados Unidos agiram em “flagrante violação dos princípios básicos do protocolo diplomático” no processo de expulsão de dois funcionários da missão cubana na sede da ONU, em Nova York.

Isso foi afirmado pela própria delegação cubana em um comunicado emitido horas após o anúncio de Washington, que exigiu a saída do país de dois diplomatas por terem “se envolvido em atividades prejudiciais à segurança nacional dos EUA”.

De acordo com a missão de Cuba nas Nações Unidas, os EUA enviaram uma comunicação do último dia 12, informando-o da acusação contra os dois funcionários, que não foram identificados, e dando um prazo de 48 horas para apresentar informações que justificassem o não prosseguimento de sua expulsão.

Quebra do protocolo diplomático

Cuba assegura que respondeu antes do vencimento desse prazo, nas 24 horas seguintes após receber a notificação.

“No entanto, a parte americana, em flagrante violação dos princípios básicos do protocolo diplomático, decidiu responder por meio de um tuíte. Isso, apesar do fato de o canal de consulta entre as duas missões estar aberto desde o início do processo”, lamentou a delegação cubana.

Além de exigir a saída dos dois diplomatas, os EUA anunciaram ontem que restringiram os movimentos do resto da missão cubana na ONU que, a partir de agora, só poderão se deslocar por Manhattan, centro comercial e administrativo de Nova York e onde está localizada a sede das Nações Unidas.

“A Missão Permanente de Cuba rejeita categoricamente a expulsão injustificada de seus diplomatas e o ressurgimento da política de restrição de movimento para seus funcionários credenciados em Nova York e suas famílias”, afirma o comunicado cubano.

Tensao EUA x Cuba

Além disso, a nota insiste, em mensagem já expressa pelo ministro das Relações Exteriores cubano, Bruno Rodríguez, na primeira reação por parte de Havana, considerando que a decisão dos EUA procura “provocar uma escalada diplomática que leve ao fechamento de embaixadas bilaterais, intensificar ainda mais o bloqueio (em referência ao embargo dos EUA a Cuba) e criar tensões entre os dois países”.

Desde que chegou à Casa Branca em janeiro de 2017, o presidente Donald Trump endureceu a política em relação a Cuba com reduções no pessoal diplomático, aumento do embargo comercial, restrições nos cruzeiros e limites de viagens dos americanos à ilha, embora os voos comerciais seguem operando normalmente.

Alemanha anuncia plano contra crise climática de R$ 250 bilhões

Manifestantes da greve do clima reúnem no Portão de Brandemburgo, em Berlim

Manifestantes da greve do clima reúnem no Portão de Brandemburgo, em Berlim
Hayoung Jeon / EFE-EPA – 20.9.2019

O governo da Alemanha anunciou nesta sexta-feira (20) um plano para combater a mudança climática com investimentos até 54 bilhões de euros (R$ 250 bilhões) em energia, transporte, construção, inovação e desenvolvimento.

O objetivo é alcançar até 2030 uma redução de 55% das emissões de CO2 (em relação a 1990), em linha com o que foi estipulado dentro da União Europeia (UE), já que a Alemanha não deverá conseguir uma redução de 40% até 2020.

“Neste momento, não somos sustentáveis”, reconheceu a chanceler alemã, Angela Merkel, ao apresentar este pacote de 70 medidas de olho na Cúpula do Clima da próxima segunda-feira, encontro organizado pelo secretário-geral da ONU, António Guterres.

Em alusão à mudança climática, Merkel afirmou que “há evidências concretas do mundo científico, e quem pretende ignorá-las não atua com justiça para o futuro”.

‘Medidas praticáveis’

De acordo com a chanceler, cabe à classe política “levar à prática o que é praticável”, mesmo que as medidas pareçam “insuficientes” para muitos dos que protestaram em diversos cantos do mundo nesta sexta-feira para cobrar ações contundentes.

Dentro desse termo de “medidas praticáveis” está o pacote de 70 medidas concretas que a coalizão de Merkel, integrada pelo seu bloco conservador e o Partido Social-Democrata (SPD), implantará “progressivamente”, com uma série de mecanismos de avaliação periódica.

Foi o ministro de Finanças, o social-democrata Olaf Scholz, quem quantificou em 54 bilhões de euros o volume total do pacote destinado a alcançar os objetivos de redução estabelecidos para 2030.

Taxar emisões de CO2

A principal medida é o estabelecimento de uma taxa às emissões de CO2, que crescerá progressivamente até que seja possível colocar em andamento um mercado de direitos no qual participarão as empresas que produzam ou distribuam combustíveis para o transporte ou a calefação.

A partir de 2021, será necessário pagar 10 euros por tonelada de CO2, preço que subirá progressivamente até custar 35 euros a tonelada em 2025, quando entrar em funcionamento o mercado de direitos de emissões. Isso afetará o preço da gasolina, do diesel, do gasóleo para calefação e do gás natural.

Será controlada a margem de oscilação do preço da tonelada de CO2 para evitar que afete muito o poder aquisitivo dos consumidores, que ao mesmo tempo verão aumentar o alívio no deslocamento diário ao trabalho.

Trem mais barato, avião mais caro

O trem passará a ser mais barato porque o imposto sobre o valor agregado (IVA) passará de 19% para 7%. Já o preço das passagens de avião encarecerá, segundo o programa.

Além disso, será fomentada a produção das energias renováveis, com ajudas à fotovoltaica e incentivos para que os municípios instalem usinas de energia eólica.

A aplicação e o efeito de todas essas medidas serão acompanhados anualmente por um comitê independente que terá o objetivo de cumprior os objetivos de redução das emissões até 2030. Merkel ressaltou que este programa será realizado mantendo a “estabilidade orçamentária”.

EM FOTOS – Estudantes pedem ações de líderes mundiais em protestos pelo clima

Quem está morrendo na guerra do Afeganistão?

Conflito no Afeganistão é um dos mais sangrentos da história

Conflito no Afeganistão é um dos mais sangrentos da história
BBC NEWS BRASIL

Um levantamento da BBC analisou os perfis dos mortos na guerra do Afeganistão.

O conflito é um dos mais sangrentos da história recente e já dura 18 anos.

Apenas no mês de agosto, 2.307 pessoas morreram.

Um em cada cinco mortos eram civis.

Desse total, 635 eram integrantes das forças do governo.

Mas a maior parte dos mortos foi do lado do Talebã: 974.

O que é ‘blackface’ e por que é considerado tão ofensivo?

O primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, pediu desculpas depois que foram divulgadas fotografias antigas dele usando maquiagem para deixar o rosto marrom ou preto

O primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, pediu desculpas depois que foram divulgadas fotografias antigas dele usando maquiagem para deixar o rosto marrom ou preto
BBC NEWS BRASIL/AFP/Reuters

O primeiro-ministro do Canadá pediu desculpas depois que uma foto tirada há 18 anos veio à tona. Nela, Trudeau, que é conhecido pelas posições progressistas, aparece vestido como Alladin, numa festa temática.

O problema é que ele pintou rosto e braços para escurecer a pele, prática conhecida como blackface. Trudeau admitiu que a conduta é racista, mas disse que, na época da foto, não tinha consciência disso.

A polêmica se agravou depois que outras imagens antigas foram divulgadas, mostrando o líder canadense com o rosto pintado de preto em pelo menos duas outras ocasiões.

Mas por que o blackface é considerado racista?

A origem do ‘blackface’

O blackface é uma prática que tem pelo menos 200 anos. Acredita-se que ela tenha se iniciado por volta de 1830 em Nova York.

Mas não se trata apenas de pintar a pele de cor diferente.

 

A BBC tinha um show que mostrava atores pintados de preto. O programa durou 20 anos, sendo encerrado em 1978

A BBC tinha um show que mostrava atores pintados de preto. O programa durou 20 anos, sendo encerrado em 1978
BBC NEWS BRASIL

Era uma prática na qual pessoas negras eram ridicularizadas para o entretenimento de brancos. Estereótipos negativos vinham associados às piadas, principalmente nos Estados Unidos e na Europa.

No século 19, atores brancos usavam tinta para pintar os rostos de preto em espetáculos humorísticos, se comportando de forma exagerada para ilustrar comportamentos que os brancos associavam aos negros. Também ridicularizavam os sotaques dos personagens que incorporavam nas peças.

Isso surgiu numa época em que os negros nem eram autorizados a subir nos palcos e atuar, por causa da cor da pele.

Mesmo no século 20, era muito raro atores negros receberem posição de destaque. Papéis que exigiam uma aparência africana ou asiática eram frequentemente desempenhados por atores brancos usando blackface, ou seja, com a pele tingida.

 

Um dos atores britânicos mais famosos, Laurence Olivier, usou 'blackface' para interpretar Otelo, de Shakespeare, em 1965

Um dos atores britânicos mais famosos, Laurence Olivier, usou ‘blackface’ para interpretar Otelo, de Shakespeare, em 1965
BBC NEWS BRASIL/British Home Entertainment

A prática continuou em programas de TV e no teatro por boa parte do século 20. A BBC mesmo teve por 20 anos, entre 1958 e 1978, um programa que usava blackface.

O show, que se chamava The Black and White Minstrel Show, era extremamente popular, com uma audiência que chegou a atingir 16 milhões de pessoas.

O programa ganhou o prestigioso prêmio Golden Rose of Montreux, em 1961.

Conforme movimentos antirracistas foram crescendo, o blackface foi sendo eliminado do entretenimento e, atualmente, é algo visto como vergonhoso e lamentável.

Mas isso não impediu que a prática ainda fosse usada por algumas pessoas.

Por que é ofensivo?

O blackface é ofensivo porque prega estereótipos negativos sobre negros. Surgiu nos Estados Unidos para entreter audiências brancas às custas de um grupo minoritário que lutava por seus direitos civis após séculos de escravidão.

“O blackface tem raízes no racismo, que está ligado ao medo de pessoas negras e à ridicularização delas”, diz Kehinge Andrews, da Birmingham City University, no Reino Unido.

“É um problema racial de longa data na Europa. Você percebe desde os tempos de Shakespeare a figura dos brancos escurecendo a pele.”

 

A Holanda tem costume de usar 'blakcface' num festival anual para criar o personagem Black Pete, que acompanha o Papai Noel

A Holanda tem costume de usar ‘blakcface’ num festival anual para criar o personagem Black Pete, que acompanha o Papai Noel
BBC NEWS BRASIL/AFP

As interpretações feitas com uso de blackface em shows e programas populares eram normalmente imprecisas e profundamente ofensivas, mas muitos brancos enxergavam — e ainda enxergam — como uma forma aceitável de entretenimento.

Esse gênero de comédia, no entanto, tem sido publicamente acusado de racismo há décadas. O movimento Campanha Contra a Discriminação Racial, do Reino Unido, enviou em 1967 uma petição contra o programa da BBC que usava atores com rostos pintados de preto.

A BBC inicialmente acolheu os pedidos e os cantores chegaram a se apresentar sem maquiagem por um ano. Mas o programa voltou ao seu formato original e durou mais 10 anos.

Outros exemplos recentes

Sapatos com rosto da marca Katy Perry foram considerados racistas

Sapatos com rosto da marca Katy Perry foram considerados racistas
BBC NEWS BRASIL/KATY PERRY COLLECTIONS

Neste ano, a cantora Katy Perry decidiu retirar dois sapatos de uma coleção de calçados da sua marca após várias pessoas reclamarem que o design era racista.

Os críticos disseram que os saptos pareciam images de blackface, com o uso de couro preto, lábios vermelhos e olhos azuis.

 

Katy Perry disse que jamais teve a intenção de fazer alguém sofrer

Katy Perry disse que jamais teve a intenção de fazer alguém sofrer
BBC NEWS BRASIL

A cantora disse que ficou triste com o ocorrido e garantiu que nunca teve a intenção de ofender.

Em dezembro de 2017, o jogador de futebol Antoine Griezmann foi criticado por pintar a pele e se vestir como um jogador negro de basquete.

 

 Jogador francês se pintou de preto para personificar um jogador negro de basquete

Jogador francês se pintou de preto para personificar um jogador negro de basquete
BBC NEWS BRASIL/Getty Images

Griezmann inicialmente defendeu a sua decisão dizendo que era um tributo ao time de basquete Harlem Globetrotters. Mas, depois, retirou a fotografia da internet e pediu desculpas.

 

A modelo Gigi Hadid pediu desculpas depois de aparecer excessivamente bronzeada na capa de uma revista

A modelo Gigi Hadid pediu desculpas depois de aparecer excessivamente bronzeada na capa de uma revista
BBC NEWS BRASIL/AFP/Getty Images

Em maio de 2018, a modelo Gigi Hadid pediu desculpas depois de sair na capa de uma revista tão excessivamente bronzeada com o uso de maquiagem a ponto de ser acusada de praticar blackface.

A Vogue Itália respondeu à crítica. “Nós entendemos que o resultado provocou debate entre nossos leitores e pedimos sinceras desculpas se causamos ofensas.”

Muitos acreditam que várias pessoas que praticaram blackface não tiveram a intenção de ofender ou de serem racistas. Mas os críticos dizem que o fato de desconhecer a dolorosa e vergonhosa história do blackface não pode ser usado como desculpa.

“O uso do blackface é uma prática ultrapassada que raramente é vista nos dias de hoje, o que demonstra que a atitude do público evoluiu e que a representação cruel de pessoas negras deve ser considerada inaceitável”, disse à BBC News Ben Holmann, integrante da organização não governamental Dê Cartão Vermelho ao Racismo.

Hezbollah diz que Irã destruiria Arábia Saudita em caso de guerra

Líder do Hezbollah, Sayyed Hassan Nasrallah

Líder do Hezbollah, Sayyed Hassan Nasrallah
REUTERS/Aziz Taher/20.09.2019

O Hezbollah alertou a Arábia Saudita nesta sexta-feira (20) sobre a possibilidade de uma guerra contra o Irã, alegando que isso destruiria o reino, e disse que Riad e os Emirados Árabes Unidos deveriam interromper o conflito no Iêmen para se protegerem.

O líder do grupo islâmico xiita apoiada pelo Irã, Sayyed Hassan Nasrallah, também afirmou que novas defesas aéreas poderiam não proteger a Arábia Saudita do tipo de drones utilizados nos ataques a instalações de petróleo em 14 de setembro.

As tensões na região se agravaram desde os ataques, atribuídos por autoridades sauditas e norte-americanas ao Irã, que nega envolvimento. O grupo houthi do Iêmen reivindicou a autoria dos ataques.

O Hezbollah é um grupo xiita fortemente armado criado pela Guarda Revolucionária do Irã em 1982 e uma parte importante de uma aliança regional apoiada por Teerã.

“Não apostem em uma guerra contra o Irã, porque eles vão destruir vocês”, advertiu Nasrallah em um discurso televisionado.

Nasrallah disse que os ataques às instalações da Aramco mostraram a força da aliança apoiada pelo Irã e que as novas defesas aéreas poderão não ser eficientes para defender a Arábia Saudita, devido ao seu tamanho e à capacidade de manobra dos drones usados.

Novas defesas aéreas “seriam muito caras e não servirão”, afirmou. Seu conselho para a Arábia Saudita e seus aliados nos Emirados Árabes Unidos foi parar a guerra no Iêmen.

Observando as ameaças do movimento houthi contra os Emirados Árabes Unidos, ele acrescentou: “O que protegerá as instalações e a infraestrutura na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes Unidos será a interrupção da guerra contra o povo iemenita.”

Donald Trump anuncia sanções contra banco nacional do Irã

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta sexta-feira sanções “do mais alto nível” contra o banco nacional do Irã, após os ataques cometidos no sábado passado contra duas refinarias da petroleira saudita Aramco, ofensiva que o governo americano atribui ao governo iraniano.

Trump explicou no Salão Oval da Casa Branca que a entidade mencionada atua como banco central iraniano e que as medidas adotadas pelos EUA foram “as maiores já impostas contra um país”.

As declarações do presidente americano à imprensa foram feitas no início de um encontro com o primeiro-ministro australiano, Scott Morrison, que está de visita em Washington.

Há dois dias, Trump anunciou que tinha ordenado um “aumento substancial” das sanções contra o Irã, após a polêmica gerada pelo ataque às refinarias sauditas.

Acabo de instruir o secretário de Tesouro a aumentar substancialmente as sanções contra o Irã”, afirmou Trump pelo Twitter na quarta-feira passada.

O presidente dos EUA planeja analisar nesta sexta-feira várias opções militares contra o Irã, mas segue reticente a autorizar uma intervenção em grande escala como retaliação pelos supostos ataques iranianos contra as refinarias sauditas.

Vários integrantes da equipe de Segurança Nacional de Trump tinham uma reunião prevista para a quinta-feira com o objetivo de definir uma lista de possíveis alvos no Irã, informou o jornal “The New York Times”.

O secretário de Defesa dos EUA, Mark Esper, e o chefe do Estado-Maior Conjunto, general Joseph Dunford, planejam apresentar essas opções a Trump nesta sexta-feira, durante uma reunião do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca, segundo uma fonte oficial citada pela publicação.

Cristina Kirchner será julgada por ‘escândalo dos cadernos’

Caso foi revelado em agosto de 2018

Caso foi revelado em agosto de 2018
Agustin Marcarian/ Reuters – 21.5.2019

Um juiz federal da Argentina decidiu nesta sexta-feira (20) levar a julgamento a ex-presidente Cristina Kirchner e os demais acusados pelo “escândalo dos cadernos”, no qual a atual candidata à vice-presidência era investigada por supostamente integrar uma rede de propinas pagas por empresários a integrantes do governo em troca de contratos de obras públicas.

Segundo informaram fontes jurídicas à agência EFE, o magistrado Claudio Bonadio, encarregado do caso, decidiu concluir as investigações e levar a questão para os tribunais.

O caso foi revelado em agosto de 2018, quando uma reportagem revelou os cadernos preenchidos durante mais de uma década por um motorista que detalhou as viagens feitas por Buenos Aires para a entrega de bolsas com milhões de dólares a altos cargos do governo kirchnerista.