Andressa Cintra vibra com primeiro título mundial na faixa-preta: ‘Foi uma realização pessoal’

Por Mateus Machado

Após uma trajetória vitoriosa e repleta de conquistas nas faixas coloridas, Andressa Cintra, aos poucos, vai repetindo o sucesso na faixa-preta, competindo entre a elite do Jiu-Jitsu feminino. Em 2018, quando fez sua estreia em Mundiais na preta, a lutadora ficou com o bronze, no entanto, este ano, a casca-grossa da Gracie Barra não deixou o ouro escapar.

Com uma campanha espetacular, onde finalizou todas as suas lutas, Andressa venceu a multicampeã Luíza Monteiro na grande final e conquistou o ouro meio-pesado no Mundial da IBJJF 2019, em um momento que ficará para sempre marcado em sua carreira. Em entrevista à TATAME, a paranaense falou com detalhes sobre seu primeiro título mundial atuando como faixa-preta.

“Eu sabia que não seria fácil chegar no topo na faixa preta, então não via o percurso mais como um sacrifício, e sim como algo que me fazia muito feliz: treinar, melhorar, escutar os meus professores, treinadores e também escutar o meu corpo. Tudo foi uma evolução para mim. Conquistar o ouro naquele dia foi uma realização pessoal muito grande, pois aprender a controlar as emoções me fez ficar melhor do que eu imaginava que eu fosse”, disse a atleta.

Confira a entrevista completa com Andressa Cintra:

-Preparação para o Mundial e título conquistado

Para o Mundial deste ano eu estava me sentindo muito bem, sem lesões e treinando muito forte, mas também de forma inteligente. Busquei motivos para estar sempre feliz, sem pressão nenhuma. Não pensava somente em vencer, eu queria dar o meu melhor e se fosse da vontade de Deus, eu conquistaria o título. Nos treinos de Jiu-Jitsu ou de preparação física, eu me imaginava no topo, mas sabia que tudo podia acontecer. Eu sabia que não seria fácil chegar no topo na faixa preta, então não via o percurso mais como um sacrifício, e sim como algo que me fazia muito feliz: treinar, melhorar, escutar os meus professores, treinadores e também escutar o meu corpo. Tudo foi uma evolução para mim. Conquistar o ouro naquele dia foi uma realização pessoal muito grande, pois aprender a controlar as emoções me fez ficar melhor do que eu imaginava que eu fosse. Eu não conhecia a minha primeira adversária, mas depois vi que ela venceu o Brasileiro e possivelmente seria uma luta muito dura. Contudo, tive um bom desempenho em todas, conseguindo finalizar todas as lutas.

-Vitória contra Luíza Monteiro na final do Mundial

Eu estava muito calma e consciente. Sabia que na pontuação eu estava atrás, mas escutei com paciência meu professor Vinicius Draculino e o Lucas Valente (professor/marido, risos) e também orei durante a luta. Eu queria muito vencer, pedi para Deus para eu não desistir de lutar, mas que acontecesse o melhor Dele para mim. Eu já tinha lutado com a Luíza Monteiro e sabia o quão perigosa ela era. Da última vez ela me venceu, mas isso não me fez desacreditar que eu poderia vencer. Eu trabalhei muito para conseguir, insisti, persisti e acreditei muito o tempo inteiro.

-Próximos planos no Jiu-Jitsu

Agora estou treinando normalmente, mas também fazendo recuperação muscular e fortalecimento para poder me preparar ainda melhor para as próximas competições. Eu amo lutar Jiu-Jitsu, ensinar e aprender. Eu nunca fui para Abu Dhabi e quero muito conquistar o ouro no Mundial de Abu Dhabi da UAEJJF. Também quero lutar o ADCC futuramente e, é claro, sonho em ter mais mundiais. Tudo no tempo certo, estou apenas começando.

-Vitória no Third Coast Grappling

Para o Third Coast Grappling, eu continuei com o mesmo trabalho do Mundial, com alegria e muita fé fui dar o meu melhor, lutar o meu Jiu-Jitsu e acreditar que eu conseguiria foi a chave para conquistar a vitória. Eu nunca tinha lutado com a Nina (Moura) e sabia que ela era explosiva, então busquei lutar para frente o tempo todo. Como eram somente 11 pontos ou finalização para vencer, busquei atacar de todas as maneiras.

-Importância do marido – e também faixa-preta – Lucas Valente

O Lucas é um presente de Deus na minha vida. Ele é mais que um marido, ele é meu professor, meu melhor amigo, meu parceiro de treino, meu Porto Seguro. Eu e ele temos uma conexão que eu sei que vem de Deus. Nós dois somos muito apegados um ao outro e fazemos tudo um pelo outro. Sei que se eu precisasse de qualquer coisa, ele faria por mim. Ele me ajuda em todos os sentidos, não me deixa comer bobagem, me faz dormir cedo, não me deixa faltar treino, me motiva, me engrandece quando necessário, como se fosse para ele. Eu sei que melhorei muito quando conheci ele e todo conhecimento novo que ele tem, ele compartilha comigo. Isso é sensacional. Não existe comparação em nosso relacionamento, é um pelo outro sempre. Ver ele vencer em qualquer aspecto da vida é melhor do que eu mesma ter conquistado.

View this post on Instagram

We are better together ###IMG-0### @gr1ps

A post shared by Andressa Mezari Cintra (@andressamcintra) on

-Planos para o restante de 2019

Agora estou focada em seminários, na recuperação e acredito que em breve lutarei algumas lutas casadas e treinar mais sem quimono para o Mundial No-Gi, talvez o Pan-Americano No-Gi também. Gostaria muito de ir para o ADCC, mas ainda não fui convidada, então tenho que estar preparada quando eles me conhecerem (risos).

Deixe um comentário