Base Aérea de Anápolis está preparada para fim da quarentena

Brasileiros em isolamento deixam base aérea

Brasileiros em isolamento deixam base aérea
Divulgação/Ministério da Defesa

Após um café da manhã festivo de despedida, a Base Aérea de Anápolis já está preparada para a cerimônia que marcará o fim da quarentena de 14 dias para 58 brasileiros que foram resgatados em Wuhan, China, epicentro dos casos de coronavírus no país asiático.

As 58 pessoas que estavam em confinamento desde o dia 9 de fevereiro partirão neste domingo (23), para suas casas no Brasil, após o resultado negativo para coronavírus obtido após a terceira análise, colhida na sexta-feira (21), e concluída neste sábado (22). Os exames foram realizados pelo Laboratório Central do Estado de Goiás e pela a Fundação Oswaldo Cruz.

O ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, e o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, participarão da cerimônia de conclusão da Operação Regresso à Pátria Amada Brasil.

A operação trouxe de volta ao País um grupo de 34 brasileiros, entre adultos e crianças, que pediu para deixar a região que se transformou no centro de contaminações. Os repatriados estavam acompanhados por mais 24 tripulantes, entre equipes de voo, médicos e pessoal de comunicação.

Uma das pessoas que está isolada é Caleb Guerra, estudante de Literatura de 28 anos. A pedido do Estado, ele está escrevendo relatos periódicos sobre a experiência na quarentena e a sua própria história de vida em Wuhan, onde estava há nove anos.

Com o fim da quarentena, os resgatados partirão ainda pela manhã em voos da Força Aérea Brasileira (FAB) para suas cidades. Um grupo com 20 deles irá para Brasília, sendo nove repatriados, nove militares, um profissional do Ministério da Saúde e um profissional da EBC.

Dois dos passageiros para Brasília seguirão em voos comerciais para o Maranhão e o Rio Grande do Norte.

Outro grupo de 13 passageiros irá para São Paulo, com 11 repatriados, um militar e uma integrante do Ministério da Saúde. Cinco repatriados serão levados pela FAB para o Paraná, três para Minas Gerais e uma para o Pará.

Apenas um repatriado permanecerá em Anápolis, enquanto onze militares que também ficaram em quarentena irão para o Rio de Janeiro.

Hoje, no Brasil, há apenas um caso suspeito de coronavírus – no Rio de Janeiro – e 52 casos investigados já foram descartados.

Nesse sábado, a OMS (Organização Mundial da Saúde) foi notificada de 599 novos casos de coronavírus, sendo 397 na China. Balanço mais recente também divulgado pela OMS aponta que 2359 morreram em decorrência da infecção e outras 77,7 mil estão infectadas pelo vírus.

Tempestade de areia cobre o céu nas Ilhas Canárias, na Espanha

Todos os vôos com destino às Ilhas Canárias, na Espanha, tiveram que ser desviados da rota neste domingo, disse a operadora AENA, que controla os aeroportos locais, depois que uma tempestade de areia do Saara atingiu o arquipélago, cobrindo as ilhas com poeira laranja e limitando a visibilidade

Cerca de 144 vôos foram afetados até agora, disse uma porta-voz da AENA, acrescentando que não está claro por quanto tempo os aeroportos permanecerão fechados

Alguns voos saindo de Fuerteventura e Lanzarote estavam operando, mas todos os demais vôos com destino ao arquipélago ou saindo dele foram desviados ou cancelados, disse a empresa

Um jornalista da Reuters no aeroporto de Gran Canária testemunhou longas filas de passageiros retidos

O Ministério dos Transportes disse em um tweet que o clima deve começar a melhorar a partir das 20h no horário de Brasília

Conhecidas como “calimas”, as tempestades de areia se formam quando ventos fortes levantam densas nuvens de areia do Saara e as transportam para as Canárias, a cerca de 96km dali

Esta última tempestade ocorreu em um momento particularmente ruim, coincidindo com as férias escolares britânicas, quando milhares de turistas vão às ilhas em busca de sol durante o inverno

Na noite de sábado, a tempestade complicou os esforços para conter um incêndio em Gran Canária, já que os bombeiros não conseguiram enviar aviões para acabar com o fogo, disse o governo da ilha

O governo regional das Canárias declarou estado de alerta e aconselhou as pessoas a manterem portas e janelas fechadas, enquanto alguns dos festejos de carnaval pelos quais as ilhas são famosas foram cancelados

Por que a premiê da Finlândia diz que é mais fácil conquistar o ‘sonho americano’ nos países nórdicos

Seria o modelo nórdico um exemplo a ser seguido?

Seria o modelo nórdico um exemplo a ser seguido?
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“Sinto que o sonho americano é mais fácil de se conseguir nos países nórdicos, onde cada criança, independentemente de sua origem ou a origem de sua família, pode virar o que quiser.”

Com essa declaração, feita por Sanna Marin, primeira-ministra da Finlândia, voltou a ganhar força o debate sobre a mobilidade social e as reais opções para que uma pessoa melhore suas condições de vida.

“Sentimos que o modelo nórdico é uma história bem-sucedida”, disse, ao Washington Post, a premiê de 34 anos, que assumiu o poder no país em dezembro e é a primeira-ministra mais jovem do mundo.

Membro do Partido Social Democrata da Finlândia (SDP), a política abordou um tema que foi frequentemente debatido na campanha da última eleição presidencial nos EUA — e que se mantém presente na campanha atual.

Do ponto de vista ideológico, o interessante é que, para muitos, o modelo de desenvolvimento da Finlândia e dos demais países nórdicos (Suécia, Dinamarca, Noruega e Islândia) é uma espécie de “melhor socialismo” ou “melhor capitalismo” ao estilo nórdico.

'Sentimos que o modelo nórdico é uma história bem-sucedida', disse, ao Washington Post, a premiê de 34 anos, que assumiu o poder no país em dezembro e é a primeira-ministra mais jovem do mundo

‘Sentimos que o modelo nórdico é uma história bem-sucedida’, disse, ao Washington Post, a premiê de 34 anos, que assumiu o poder no país em dezembro e é a primeira-ministra mais jovem do mundo
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Os autores Anu Partanen e Trevor Corson publicaram recentemente uma análise sobre o tema, intitulada “Finlândia é um paraíso capitalista”.

“Na Finlândia, agora é mais fácil do que nos EUA para uma criança de origem modesta superar o nível de renda da sua família. E isso é o que costumava ser a força dos EUA e a essência do sonho americano”, afirma à BBC News Mundo (serviço em espanhol da BBC) Anu Partanen, que é jornalista e escritora finlandesa-americana e autora do livro The Nordic Theory of Everything (A teoria nórdica de tudo, em tradução livre).

A polêmica do argumento é qualificar o sistema finlandês como capitalista, em circunstâncias em que tradicionalmente é considerado uma social-democracia.

A respeito, Partanen responde que “os países nórdicos não pensam a social-democracia como algo oposto ao livre mercado ou à propriedade privada e ao investimento”.

'É possível ter social-democracia e capitalismo ao mesmo tempo', afirma autora finlandesa-americana

‘É possível ter social-democracia e capitalismo ao mesmo tempo’, afirma autora finlandesa-americana
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“É possível ter social-democracia e capitalismo ao mesmo tempo”, afirma.

Partanen afirma que, na Finlândia, o livre mercado coexiste junto a um sistema de proteção social com serviços de saúde e educação admirados internacionalmente.

E, nesse contexto, o país gerou empresas altamente rentáveis e está amplamente aberto ao fluxo de capitais.

Dessa perspectiva, a autora defende que não é apropriado rotular os países nórdicos de socialistas — descrição que costuma estar presente, do outro lado do Atlântico, na discussão eleitoral entre democratas e republicanos nos EUA.

“A região nórdica é um laboratório onde os capitalistas investem na estabilidade de longo prazo e na prosperidade humana, enquanto ganham lucros saudáveis”, diz.

Segundo o índice de Mobilidade Social 2020, a Finlândia é o terceiro país do mundo em que as pessoas têm mais possibilidade de prosperar, independentemente de sua origem econômica

Segundo o índice de Mobilidade Social 2020, a Finlândia é o terceiro país do mundo em que as pessoas têm mais possibilidade de prosperar, independentemente de sua origem econômica
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Mais igualdade de oportunidades

Segundo o índice de Mobilidade Social 2020, publicado pelo Fórum Econômico Mundial, a Finlândia é o terceiro país do mundo (depois da Dinamarca e da Noruega) em que as pessoas têm mais possibilidade de prosperar, independentemente de seu status socioeconômico ao nascer.

O relatório afirma que 17 das 20 sociedades com maior mobilidade social estão na Europa, enquanto os EUA ocupam o 27º lugar.


A mobilidade social é “menos difícil de se lograr nos países nórdicos”, a partir da comparação da renda de uma pessoa com a renda de seus pais, diz à BBC News Mundo Markku Lehmus, do Instituto de Pesquisas da Economia Finlandesa, em Helsinque.

Os problemas dos nórdicos

Embora concorde que a mobilidade social se destaca na região nórdica, Johan Strang, pesquisador do Centro de Estudos Nórdicos da Universidade de Helsinque, lembra que esses países não são lugares idílicos — e ainda têm muitos desafios pela frente.

Imigrantes iraquianos na Finlândia; países nórdicos têm tido dificuldades em integrar imigrantes, e mobilidade social não está em alta

Imigrantes iraquianos na Finlândia; países nórdicos têm tido dificuldades em integrar imigrantes, e mobilidade social não está em alta
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Ele afirma, por exemplo, que a mobilidade social nórdica “tem caído nas últimas décadas” e a desigualdade, aumentado. Acrescenta, ainda, que, nesses países, tem aumentado o abismo entre bairros ricos e pobres, ou entre escolas melhores e piores, especialmente na Suécia.

Além disso, afirma Strang, os países nórdicos têm tido dificuldades na inclusão de imigrantes.

As diferenças entre os nórdicos e os EUA

Uma visão completamente distinta tem James Pethokoukis, pesquisador do centro de estudos The American Enterprise Institute, em Washington.

“Os EUA são uma superpotência (…) com grupos étnicos e raciais que historicamente estiveram em desvantagem”, ele diz à BBC News Mundo, opinando que não é possível comparar o sistema nórdico com o da maior economia do mundo, com mais de 320 milhões de habitantes.

James Pethokoukis diz que não é possível comparar a pequena nação finlandesa com os EUA, de 327 milhões de habitantes e grandes diferenças regionais

James Pethokoukis diz que não é possível comparar a pequena nação finlandesa com os EUA, de 327 milhões de habitantes e grandes diferenças regionais
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A Finlândia, em contrapartida, tem cerca de 5,5 milhões de habitantes (mais ou menos a metade da população da cidade de São Paulo), que não compartilha da história, da política, da população ou da cultura dos EUA, diz Pethokoukis.

Ele argumenta que algo que funciona bem em um sistema mais social e economicamente homogêneo não teria por que funcionar bem nos EUA.

Quanto ao sistema tributário, ele diz que, embora a Finlândia seja um país com uma grande carga de impostos em termos gerais, não aplica essa mesma carga para suas empresas.

Segundo ele, a despeito do senso comum, “a Finlândia tem uma taxa de impostos corporativos baixa, de 20%, frente a 21% daqui [EUA]”.

Ao mesmo tempo, o imposto de renda nos países escandinavos é muito mais alto do que nos EUA, o que lhes permite financiar serviços públicos gratuitos.

‘Riqueza equitativa’

William Judge, acadêmico da Escola de Negócios Strome, da Universidade americana Old Dominion, diz à BBC News Mundo que os EUA, com sua estrutura de impostos historicamente baixa e uma rede de segurança social limitada, é um país bom para produzir riqueza.

Mas ele também destaca que é cada vez mais difícil, nos EUA, que quem nasceu em lares pobres ou de classe média chegue a níveis mais altos de renda.

'O que precisamos é de um sistema político que produza uma criação de riqueza equitativa', opina analista americano

‘O que precisamos é de um sistema político que produza uma criação de riqueza equitativa’, opina analista americano
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“Os escandinavos parecem estar mais perto do sonho americano que os EUA”, diz Judge, destacando, porém, que o objetivo de aumentar a mobilidade social é muito mais fácil de ser obtida em um país pequeno e de população homogênea.

E, se tratando de um ano eleitoral nos EUA, prossegue ele, “infelizmente a esquerda foca apenas em melhorar a equidade, enquanto a direita foca apenas em maximizar a eficiência”.

“O que precisamos é de um sistema político que produza uma criação de riqueza equitativa”, opina.

Qual lado do Atlântico, então, está melhor? Depende do indicador analisado.

Os EUA têm maior crescimento econômico, menos desemprego, mais multimilionários e um mercado financeiro mais rentável que o da Finlândia na última década. Supera o país nórdico no Índice Global de Empreendedorismo e no Índice de Liberdade Econômica, da Fundação Heritage.

Já a Finlândia tem maior mobilidade social e menos desigualdade, ocupa o primeiro lugar no ranking de felicidade, oferece saúde e educação superior gratuitas e licença maternidade e paternidade.

Finlândia tem maior mobilidade social e menos desigualdade e ocupa o primeiro lugar no ranking de felicidade — mas ficará cada vez mais difícil manter isso com o envelhecimento da população

Finlândia tem maior mobilidade social e menos desigualdade e ocupa o primeiro lugar no ranking de felicidade — mas ficará cada vez mais difícil manter isso com o envelhecimento da população
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Essa simplificação das diferenças, no entanto, tem uma infinidade de nuances.

Por exemplo, nem todos os jovens conseguem ingressar no seletivo sistema de educação superior gratuito finlandês; e a qualidade do serviço de saúde tem variações a depender do município.

Ao mesmo tempo, a população finlandesa está envelhecendo rapidamente, o que representa uma grande desafio sobre como sustentar o modelo de bem-estar social diante de uma população economicamente ativa menor.

Nos EUA, que têm apresentado índices bons de crescimento econômico, cresceu a concentração de riqueza e estima-se que o deficit orçamentário (diferença entre o que o governo arrecada e gasta) alcançará, neste ano, a cifra histórica de US$ 1 bilhão.

Vale lembrar também que a dimensão e as diferenças regionais dos EUA fazem com que seja uma experiência completamente distinta crescer em uma região afluente na Califórnia ou em uma cidade pobre do Alabama, do Mississippi ou do Texas.

Com as eleições presidenciais de novembro, é provável que a discussão econômica e política sobre impostos, emprego, desigualdade e crescimento siga ganhando força — e as comparações com outros países, também.

‘Mad’ Mike Hughes: Piloto americano morre em foguete caseiro que tentava provar que ‘a Terra é plana’

'Mad' Mike Hughes, 64, era conhecido por defender que a 'Terra é plana' e pretendia lançar o próprio foguete supostamente para provar sua teoria

‘Mad’ Mike Hughes, 64, era conhecido por defender que a ‘Terra é plana’ e pretendia lançar o próprio foguete supostamente para provar sua teoria
Reprodução

Um piloto americano morreu no sábado (22/2) depois de seu foguete caseiro ter um lançamento malsucedido e cair no deserto da Califórnia.

“Mad” Mike Hughes, 64, era conhecido por defender que a “Terra é plana” e pretendia lançar o próprio foguete supostamente para provar sua teoria.

Um vídeo publicado no Twitter mostra o foguete sendo lançado e caindo ao chão, pouco depois, perto da cidade californiana de Barstow.

Segundo o site Space.com, Hughes fez o lançamento para um programa de TV chamado Homemade Astronauts (astronautas caseiros, em tradução livre), da emissora Science Channel, e pretendia alcançar uma altitude de 1,5 mil metros. O foguete fora construído com US$ 18 mil.

Também no vídeo do lançamento, é possível ver um paraquedas se soltando do foguete segundos após a decolagem, mas aparentemente cedo demais.

O Departamento de Polícia de San Bernardino afirmou que policiais foram chamados para atender à ocorrência às 14h locais do sábado.

“Um homem foi pronunciado morto depois que o foguete colidiu no deserto”, disse o departamento. O agente de Hughes confirmou sua morte à imprensa americana.

Hughes fez fama como terraplanista, mas seu porta-voz, Darren Shuster, afirmou ao jornal Los Angeles Times que isso era apenas uma estratégia publicitária para chamar atenção.

“Eu não acho que ele acreditava (que a Terra é plana)”, disse. “Ele defendia algunas teorias da conspiração sobre o governo. Mas não confunda isso com Terra plana. Foi uma ação de relações públicas que bolamos.”

Pelo Twitter, o Science Channel lamentou a morte de Hughes, dizendo que “sempre foi o sonho dele fazer esse lançamento, e nós estávamos lá para fazer a crônica de sua jornada”. Muitos usuários, porém, criticaram a emissora por estimular uma “autoilusão” de Hughes e “promover a ignorância”.

Como os romanos conseguiram construir Veneza sobre lama e água 15 séculos atrás

A construção de Veneza remonta ao período das invasões bárbaras

A construção de Veneza remonta ao período das invasões bárbaras
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No mês de setembro do ano 476 d.C., o último líder do Império Romano do Ocidente, Rômulo Augusto, foi deposto por Odoacro, líder dos hérulos, um povo germânico.

A Europa passava por um período que posteriormente ficaria conhecido como o das “invasões bárbaras”, e o superestado que existia havia 500 anos no continente desaparecia.

Os habitantes da região norte do que futuramente se tornaria a Itália já buscavam há algum tempo um lugar seguro para se proteger das investidas de povos como os visigodos e de conquistadores temidos como Átila, rei dos hunos.

Foi nesse contexto que começou a ser construída, 15 séculos atrás, uma das cidades mais bonitas do mundo, erguida em um dos cenários mais improváveis.

Veneza está localizada em uma laguna, termo da geografia que descreve uma depressão localizada na costa, preenchida por água salobra ou salgada. Ela tem 550 km² de extensão e 118 ilhas poucos centímetros acima do nível do mar.

“Construir uma cidade onde em tese seria impossível fazê-lo já seria uma loucura; mas construir uma das cidades mais elegantes do mundo em um lugar como esse é uma loucura colossamente genial”, escreveu no século 19 o pensador russo Aleksandr Herzen.

E ele não estava errado.

Um bosque submarino

Os venezianos enterraram um bosque inteiro embaixo d’água para dar sustentação às edificações que se tornariam legado turístico da cidade.

Veneza é sustentada por um 'bosque submarino'

Veneza é sustentada por um ‘bosque submarino’
BBC

Da área que hoje compreende Eslovênia, Montenegro e Croácia, trouxeram grandes troncos de árvores, que mediam entre 2 e 8 metros de comprimento.

Afiaram um dos extremos, de forma que eles pareciam lápis gigantes, com os quais perfuraram a lama e o barro que tomavam conta da cidade italiana naquela época.

Posteriormente, passou-se a usar, além de madeira, também pedra para dar sustentação à fundação.

Colocação de cimento sob a fundação de madeira em Veneza, na ilustração de Jan van Grevenbroeck (1731-1807)

Colocação de cimento sob a fundação de madeira em Veneza, na ilustração de Jan van Grevenbroeck (1731-1807)
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Sem oxigênio

Assim, os belos palácios venezianos são sustentados na prática por milhares de palafitas “invisíveis”, encravadas na lama.

Apesar de estar debaixo d’água, entretanto, a madeira em todo esse tempo nunca apodreceu.

Trabalhadores constroem a base para o novo campanário da Basílica de São Marcos, em fotografia publicada na revista L'Illustrazione Italiana em 1905

Trabalhadores constroem a base para o novo campanário da Basílica de São Marcos, em fotografia publicada na revista L’Illustrazione Italiana em 1905
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Isso porque os pilares foram completamente submersos. Sem acesso ao ar (e, por consequência, com o oxigênio), a madeira não teve contato com bactérias, fungos e outros organismos responsáveis por sua putrefação.

Além das características anaeróbicas do lodo que recobriu — e protegeu — as estacas, as águas da laguna tinham grande concentração de minerais, que foram sendo absorvidos pela madeira até que ela se petrificasse.

Com o tempo, os troncos de madeira se petrificaram

Com o tempo, os troncos de madeira se petrificaram
BBC

Essa astuta obra de engenharia foi o que sustentou o conjunto de ilhas que no século 8 se uniram para formar a Sereníssima República de Veneza, que dominou a região do Adriático no período e controlou o comércio entre a Europa e o chamado Crescente Fértil (formado pelo que hoje é Palestina, Israel, Kuait, Líbano e parte de outros países do Oriente Médio).

Esse mesmo bosque sepultado segue sustentado sobre a água, apesar das ameaças, essa “Veneza com seus templos e palácios” que parecem “pedaços de encantamento empilhados”, como descreveu o poeta inglês Percy Bysshe Shelley.

Itália registra terceira morte no norte do país devido ao coronavírus

Pessoas passam por exames para detecção de coronavírus em hospital da Itália

Pessoas passam por exames para detecção de coronavírus em hospital da Itália
Nicola Fossella / EFE-EPA – 23.2.2020

Uma mulher italiana morreu neste domingo (23) por conta do coronavírus na província de Cremona, na região da Lombardia, no norte da Itália, tornando-se na terceira vítima no país desde a última sexta-feira, quando o surto foi detectado. Em três dias, as autoridades italianas confirmaram mais de 150 pessoas infectadas.

O conselheiro para o bem-estar social da região da Lombardia, Giulio Gallera, disse em entrevista coletiva que a terceira vítima é uma mulher idosa que estava hospitalizada há algum tempo no setor de oncologia do hospital Crema, em Cremona, e que tinha dado positivo para o vírus.

Essa terceira morte junta-se à de um homem de 78 anos, da província de Pádua (Veneto) e de uma idosa de 77 anos que estava em Codogno, mas que faleceu no último dia 20 em sua casa devido a complicações respiratórias, apesar de ter dado positivo para o vírus num teste realizado após a sua morte.

12% dos testes dão positivo para coronavírus

Gallera também atualizou o número de infectados na Lombardia que sobe para 112 após 880 análises, “portanto há uma média de 12% dos casos positivos em comparação aos analisados” e relatou que 53 dos infectados estão hospitalizados e 17 na unidade de terapia intensiva.

Até agora, foram confirmados 24 casos na região do Veneto, dois dos quais estão no hospital de Veneza.

O número de casos em Piacenza, na região vizinha de Emilia Romagna, aumentou para nove, enquanto no Piemonte subiu para seis os infectados.

Mais dois, neste caso turistas chineses, foram diagnosticados há alguns dias em Roma.

EM FOTOS: Carnaval de Veneza é cancelado por epidemia de coronavírus

Sobe para 8 o número de mortos por coronavírus no Irã

Ministério da Saúde do Irã confirmou 43 infectados pelo vírus no país

Ministério da Saúde do Irã confirmou 43 infectados pelo vírus no país
Abedin Taherkenareh / EFE-EPA – 22.2.2020

O Ministério da Saúde do Irã anunciou, neste domingo, que o número de mortes pelo coronavírus aumentou para oito e o de infectados para 43, além do fechamento de escolas e universidades em dez províncias.

O porta-voz do ministério, Kianush Yahanpur, informou que entre os casos analisados desde ontem, outras 15 pessoas foram infectadas com Covid-19, sete delas em Qom, quatro em Teerã, duas em Gilan, uma em Markazi e outra em Mazandaran.

Dessas pessoas infectadas, três morreram, subindo para oito o número de vítimas no Irã, disse o porta-voz, citado pela agência oficial Irna.

Yahanpur não especificou em que províncias as mortes foram registradas, mas pouco antes disso, o diretor da Universidade de Ciências Médicas de Mazandaran, Abbas Mousavi, disse que um cidadão de Teerã faleceu na cidade de Tonekabon.

Enquanto isso, depois que o Ministério da Saúde fez ontem sua avaliação diária, o governador da província de Markazi, Ali Aqazadeh, disse que um homem com problemas cardíacos que morreu na região apresentou resultado positivo para o coronavírus.

Contra epidemia, escolas foram fechadas

Para impedir a propagação da doença, as autoridades fecharam temporariamente as escolas em várias províncias, incluindo Teerã, Qom e Gilan.

Além disso, de acordo com o porta-voz do Ministério da Saúde, universidades de dez regiões, incluindo Isfahan, Mazandaran e Markazi, permanecerão fechadas durante toda semana.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) manifestou preocupação com o progresso da doença Covid-19 no Irã e disse estar investigando “a extensão da epidemia, seus meios de transmissão e o potencial para novos casos nos próximos dias”.

Alguns países vizinhos, como Iraque, Turquia e Kuwait, adotaram uma série de medidas para impedir o contágio do Irã, como a suspensão de voos, a proibição de entrada de cidadãos iranianos ou a solicitação de um atestado médico.

A história de Cixí, a poderosa imperatriz que controlava a China no século 19 e ajudou a modernizar o país

Cixí, a imperatriz viúva, controlou o poder na China por anos

Cixí, a imperatriz viúva, controlou o poder na China por anos


Getty Images/BBC NEWS BRASIL

Por muitos anos, Cixí, a última mulher que liderou a China, foi retratada na história como uma tirana cruel.

Uma personagem que, depois de ascender rapidamente de concubina a imperatriz regente, conspirou e ordenou assassinatos para permanecer no trono por quase cinco décadas.

No entanto, Cixí também desempenhou um papel importante na modernização pela qual o país passou no início do século 20 — foram necessárias décadas para que seu legado recebecesse atenção.

O primeiro passo para isso foi dado por outra mulher, a historiadora sino-americana Sue Fawn Chung, a primeira acadêmica a rever a imagem da chamada imperatriz viúva.

“Ela foi descrita como uma governante autoritária e malvada, que supostamente teria assassinado seu filho e seu sobrinho. Foi considerada uma sanguinária que acabou com o domínio Manchu na China”, diz Chung em entrevista ao programa de rádio da BBC Witness History.

Mas o pouco que se sabia sobre Cixí vinha dos rumores e fofocas que percorreram a Cidade Proibida, o complexo de palácios em Pequim onde residiam os imperadores. Chung, estudante de doutorado na Universidade da Califórnia, decidiu realizar um estudo forense dos documentos originais, e que mudariam a visão estabelecida sobre Cixí.

De concubina a imperatriz

Cixí nasceu em 1835 em uma família manchu, o grupo étnico da Manchúria que, apesar de ser uma minoria, deteve o poder na China por quase três séculos durante a dinastia Qing.

Os manchu tinham uma cultura diferente dos han, o grupo étnico majoritário na China. Eles não adotavam, por exemplo, a prática de ataduras nos pés, uma tradição à qual muitas meninas foram submetidas para impedir o crescimento dos pés e que os deixava completamente deformados.

 

Cixí foi a única amante do imperador a lhe dar um filho homem e passou de concubina de baixo escalão a imperatriz

Cixí foi a única amante do imperador a lhe dar um filho homem e passou de concubina de baixo escalão a imperatriz


Getty Images/BBC NEWS BRASIL

“Os manchus permitiam que as mulheres ocupassem posições de poder em suas tribos. Já os chineses [hans] sempre sentiram que uma mulher deveria ser obediente ao pai durante a juventude, ao marido durante o casamento e ao filho no caso de se tornar uma viúva” diz Chung. “Este foi o mundo em que Cixí entrou.”

Aos 16 anos, Cixí, cujo pai trabalhava no governo, foi eleita concubina do imperador Xianfeng, quatro anos mais velho que ela.

Embora tenha sido classificada como uma concubina de baixo escalão, sua sorte mudou quando se tornou a única amante do imperador a dar à luz um homem.

Ao se tornar a mãe do futuro herdeiro do trono, passou a ser uma das favoritas de Xianfeng, que ouvia seus conselhos.

“O imperador com quem ela se casou era fraco. Ele gostava de Cixí e a achava inteligente, então permitiu que ela participasse dos debates na corte, onde se discutia como controlar a China naquele período de grandes mudanças.”

“E, acima de tudo, [se falava] sobre o que fazer com os ocidentais que estavam entrando no país para tentar vender ópio ao povo. O imperador tinha medo deles, e ela adotou uma postura mais decisiva e disse: ‘Temos que fazer algo a respeito’.”

“Então, enquanto esse grande debate acontecia na corte, o imperador morreu de repente, e seu filho, que ainda era menor de idade, se tornou o novo imperador”, explica Chung.

Xianfeng faleceu em 1931, com apenas 30 anos. Seu sucessor, Tongzhi, filho de Cixí, tinha apenas 5 anos.

O imperador havia designado uma equipe de oito homens para formar um conselho regente até Tongzhi atingir a maioridade.

Mas Cixí, em aliança com Ci’an, a principal esposa de Xianfeng, conseguiu derrubar os regentes, forçando até a morte de alguns deles.

Por trás dos biombos

Cixí e Ci’an se tornaram as regentes de Tongzhi — a primeira, a mulher “ouvindo atrás do biombo”. O protocolo da corte determinava que os ministros não deveriam vê-la, então uma tela a separava deles durante as reuniões.

“Esses regentes continuariam com as políticas de seu marido e do imperador anterior de manter as portas da China fechadas… O que seria desastroso”, disse à BBC em 2013 Jung Chang, autor da biografia Cixí, a Imperatriz: A Concubina que Criou a China Moderna.

“Naquela época havia uma segregação rigorosa entre homens e mulheres no país, então ela não podia encontrar seus ministros, que eram todos homens. Ela tinha que se sentar atrás de uma tela de seda”, explica Jung Chang.

 

Cixí começou a modernização da China

Cixí começou a modernização da China
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Cixí se tornou a governante de fato em um momento em que a China vivia um dilema entre manter seu modo de vida tradicional, isolado do resto do mundo, ou ceder à pressão do Ocidente, que queria ver as portas desse grande mercado abertas.

Quando Tongzhi atingiu a maioridade em 1873, sua mãe deixou oficialmente o poder.

Mas o jovem imperador não duraria muito no trono, morrendo apenas dois anos depois, segundo a versão oficial, de varíola. Outras teorias especulam que ele teria sido vítima de uma sífilis contraída nos bordéis de Pequim. Para os detratores de sua mãe, por sua vez, ele fora envenenado por ela — nunca houve, porém, evidência para apoiar tal acusação.

Como Tongzhi não havia escolhido o herdeiro, Cixí fez isso por ele: escolheu seu sobrinho, Guangxu, filho de sua irmã e do irmão de Xianfeng, e o adotou.

Guangxu tinha apenas três anos e, mais uma vez, Cixí e Ci’an tornaram-se as regentes.

A modernização da China

“Todos os funcionários da corte se curvavam ao trono, que ficava vazio ou [às vezes] era ocupado por seu sobrinho. Mas ela estava atrás da tela ouvindo o que estava acontecendo. Era quem tomava as decisões e todos sabiam disso”, diz Chung ao programa Witness History.

Alguns anos depois, após a morte súbita de Ci’an, em 1881, Cixí ficou sozinha na regência.

Ela avançou a modernização do país, com a introdução da eletricidade e o início da mineração de carvão.

 

Tongzhi morreu apenas dois anos depois de atingir a maioridade e assumir o poder

Tongzhi morreu apenas dois anos depois de atingir a maioridade e assumir o poder


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“A modernização começou em 1861, quando ela chegou ao poder”, diz Chang. “Algumas de suas realizações eram conhecidas, mas sempre atribuídas aos homens ao seu redor.”

Durante seu mandato, a economia cresceu e houve esforços para melhorar a educação das meninas e proibir ataduras nos pés.

Ela também teve decisões não tão bem-sucedidas, como a guerra franco-chinesa, em que a imperatriz viúva tentou conter o colonialismo francês no norte do Vietnã. No fim, a China perdeu a guerra e teve de ceder às ambições francesas.

Em 1889, Guangxu atingiu a maioridade e assumiu o poder. Seu reinado não teve muito sucesso, com uma derrota desastrosa contra o Japão na primeira guerra sino-japonesa e uma tentativa fracassada de mudar totalmente o país: a Reforma dos 100 dias.

A reforma foi uma tentativa de adotar princípios do capitalismo, mudar a monarquia absolutista para uma monarquia constitucionalista, industrializar o país e uma série de outras medidas de ocidentalização.

Ela gerou uma forte reação de Cixí e seus partidários conservadores, que retomaram o poder através de outro golpe de Estado. Ela prendeu o filho adotivo pelo resto da vida e começou uma perseguição contra os intelectuais que o haviam apoiado — seis deles foram decapitados.

Erros

Cixí também foi criticada por ter apoiado os “boxers”, movimento contrário à influência do Ocidente no país.

“Ela havia apoiado os boxers por pouco tempo quando as potências ocidentais lhe deram um ultimato e pediram que tornasse ilegal o grupo, que era xenófobo”, explica Chang.

“Ela não podia nem queria ser vista como alguém que simplesmente fazia o que as potências ocidentais lhe diziam, então enfrentava uma possível invasão. Nesse momento, pensou que poderia usar os boxers para combater invasores.”

O resultado foi a Revolta dos Boxers, um episódio em que centenas de estrangeiros e milhares de chineses cristãos foram mortos. A China, derrotada por uma coalizão estrangeira, teve que pagar grandes quantias aos vencedores.

 

 Guangxu, sobrinho de Cixí, foi escolhido como sucessor de Tongzhi aos três anos

Guangxu, sobrinho de Cixí, foi escolhido como sucessor de Tongzhi aos três anos
Getty Images/BBC NEWS BRASIL

Cixí, no entanto, conseguiu permanecer no poder após publicar um decreto de retratação, no qual assumiu a culpa pelo desastre.

Nos anos seguintes, a imperatriz permitiu a liberdade de imprensa e tentou transformar a China em uma monarquia constitucional.

Ainda assim, suas ações foram controversas até quase o fim de sua vida. Um dia antes de morrer, em 1908, ela ordenou que Guangxu fosse envenenado para impedir que ele voltasse ao poder após sua morte.

“Ela sabia que se morresse e ele continuasse vivo, a China cairia nas mãos do Japão”, diz Chang. “Porque os japoneses tentaram transformar seu filho adotivo em um fantoche, tentaram sequestrá-lo.”

A autora da mais recente biografia de Cixí atribui a má reputação da imperatriz viúva mais a questões políticas do que a suas ações.

“Três anos depois que ela morreu, a China se tornou uma república. As forças políticas subseqüentes que tomaram o poder na China, primeiro os nacionalistas e depois os comunistas, criaram uma narrativa de que eles haviam resgatado a China dela, que ela havia causado um desastre no país, que era uma déspota. [Criaram a ideia de que ela] manteve a China na miséria medieval e que eles começaram a modernização e abriram as portas da China.”

“Não é verdade. Comparada ao regime comunista, que matou mais de 70 milhões de chineses em tempos de paz, seu mandato foi incrivelmente benigno”, diz a biógrafa.

Cixí morreu sem ter preparado ninguém para sucedê-la, nomeando como herdeiro, mais uma vez, uma criança: seu sobrinho-neto de dois anos, Pu Yi.

Pu Yi foi o último imperador da China: com ele, a dinastia Qing terminou apenas três anos após a a morte de Cixí, em 1912, quando ele foi forçado a abdicar pela revolução chinesa.

Bernie Sanders se mantém na frente em prévias democratas

Sanders comemora vitória em Nevada, nas primárias democratas para eleições nos EUA

Sanders comemora vitória em Nevada, nas primárias democratas para eleições nos EUA
Callaghan O’hare / Reuters – 22.2.2020

Um amplo apoio de todos os grupos étnicos, raciais e ideológicos levou Bernie Sanders a uma vitória acachapante nos caucus democratas de Nevada, reforçando sua posição como primeiro na corrida para encontrar o candidato que irá enfrentar o presidente americano Donald Trump nas eleições nos EUA deste ano.

Joe Biden, ex-vice-presidente, parece ter conseguido um segundo lugar muito necessário em Nevada, depois de maus resultados no início deste mês, nas duas primárias democratas anteriores.

O triunfo de Sanders no sábado, no primeiro estado racialmente diverso da campanha, sugeriu que ele pode estar alcançando uma coalizão mais ampla de eleitores democratas com sua mensagem de justiça social e econômica, incluindo sua promessa de fornecer assistência médica universal a todos os americanos.

Para Biden e outros moderados que argumentam que Sanders é liberal demais para derrotar Trump, e tentam atenuar seu impulso, os resultados de Nevada tornaram seu trabalho muito mais difícil.

Bernie: ‘Coalizão multigeracional e multirracial’

“Reunimos uma coalizão multigeracional e multirracial que não só vencerá em Nevada, como também varrerá o país”, disse Sanders, senador dos EUA em Vermont e que se descreve como socialista-democrata, a apoiadores em San Antonio, Texas.

Ele então voltou sua atenção para Trump.

“Vamos vencer em todo o país porque o povo americano está cansado e cansado de um presidente que mente o tempo todo”, disse.

Trump, falando com repórteres na Casa Branca quando partia para uma viagem à Índia, disse que Nevada foi uma “grande vitória” para Sanders, acrescentando que não se importava com quem seria seu oponente.

Biden ficou com o segundo lugar em Nevada

Biden ficou com o segundo lugar em Nevada
Patrick Fallon / Reuters – 22.2.2020

Na manhã de domingo, com 50% dos distritos já finalizados, Sanders tinha 47% dos delegados da convenção em Nevada. O segundo lugar, Biden, ficou distante de Sanders, com 19%, mas à frente do ex-prefeito de South Bend, Indiana, Pete Buttigieg, em terceiro lugar, com 15%.

“A imprensa está pronta para declarar as pessoas mortas rapidamente, mas estamos vivos e voltamos e vamos vencer”, disse Biden a apoiadores em Las Vegas no sábado à noite.

Em uma entrevista pré-gravada programada para ser exibida no domingo no “Face the Nation”, da CBS, Biden disse estar confiante de que poderá vencer a próxima competição no sábado na Carolina do Sul com o apoio de afro-americanos, de acordo com uma transcrição.

A senadora Elizabeth Warren, que tentava reiniciar sua campanha depois de maus resultados em Iowa e New Hampshire, ficou em um decepcionate quarto lugar, com 10% em Nevada. A senadora Amy Klobuchar e o bilionário ativista Tom Steyer voltaram a 5% e 4%, respectivamente.

Primárias na Carolina do Sul

A corrida começa agora a se expandir em todo o país, com as primárias da Carolina do Sul seguidas de perto pelas primárias da Super Terça em 14 estados, em 3 de março, que escolhem mais de um terço dos delegados que ajudarão a selecionar um candidato democrata.

Biden, vice-presidente do ex-presidente Barack Obama, conta com um forte resultado na Carolina do Sul, que possui um grande bloco de eleitores negros. Em Nevada, pesquisas de opinião mostraram que Biden liderou entre os afro-americanos com 36%, seguido por Sanders com 27%.

Os estados da Super Terça serão as primárias efetivas para o ex-prefeito de Nova York Michael Bloomberg, que não concorre nos quatro estados com votação antecipada, mas vem subindo nas pesquisas de opinião.

Sanders foi auxiliado pelo forte apoio dos seis em cada dez eleitores que disseram apoiar um Medicare for All, administrado pelo governo, mostrou a pesquisa de entrada de Edison.

A pesquisa de entrada mostrou que Sanders liderava em Nevada em todas as faixas etárias, exceto as com mais de 65 anos. Cerca de 54% dos eleitores latinos disseram que o apoiavam, enquanto 24% das mulheres brancas com formação universitária e 34% das que têm um sindicato em suas famílias o apoiaram.

Presidente chinês afirma que crise do coronavírus é a pior desde 1949

Xi Jinpin: 'sem descanso' nos esforços contra o vírus

Xi Jinpin: ‘sem descanso’ nos esforços contra o vírus
Carmo Correia / EFE-EPA – 20.12.2019

O presidente da China, Xi Jinping, reconheceu neste domingo diante dos principais líderes do país que a epidemia do coronavírus é a mais grave crise de saúde desde a fundação da República Popular da China, em 1949.

“É o que está se espalhando mais rapidamente, com mais infectados e que tem sido o mais difícil de prevenir e controlar”, disse Xi, em uma reunião do Comitê Permanente do Politburo do Partido Comunista Chinês (PCCh), o mais alto órgão governamental do país, de acordo com a televisão estatal.

O presidente pediu aos sete membros do Comitê Permanente e todas as instâncias e níveis do partido que continuem trabalhando “sem descanso” nos esforços de prevenção e controle, e também no objetivo de retomar o trabalho e a produção no país “de uma forma mais ordenada”.

Epidemia permanece séria e complexa

“A nação chinesa passou por muitas provações em sua história, mas nunca foi esmagada. Em vez disso, ela se tornou cada vez mais determinada, crescendo e subindo diante das adversidades”, afirmou ele.

Xi enfatizou que a situação da epidemia permanece “séria e complexa” e que “agora é um momento crucial para impedir sua propagação”.

A reunião do Comitê Permanente, o mais alto nível desde o início da crise, ocorre um dia antes do órgão da Assembleia Popular Nacional (ANP) decidir amanhã sobre o possível adiamento da reunião anual da legislatura chinesa prevista para o dia 5 de março.

A ANP também deve estudar uma proposta para proibir o comércio de animais silvestres no país e o consumo de carne de caça, práticas que, segundo especialistas, provavelmente estão na origem do novo surto de coronavírus.

As mortes pela epidemia na China aumentaram nas últimas 24 horas para 97, atingindo 2.442 no total, enquanto 648 novos infectados foram registrados, totalizando 76.936, informou hoje a Comissão Nacional de Saúde do país asiático.