‘Talebã americano’ é libertado: o que acontece quando um traidor da pátria deixa a prisão?

John Walker Lindh se declarou culpado em 2002 de ajudar o Talebã e foi condenado a 20 anos de prisão

John Walker Lindh se declarou culpado em 2002 de ajudar o Talebã e foi condenado a 20 anos de prisão
BBC NEWS BRASIL/AFP

O que acontece quando um traidor da pátria deixa a prisão?

John Walker Lindh, hoje com 38 anos, conhecido como “Talebã americano”, e outras centenas de pessoas foram presas por terrorismo, traição e outros crimes nos EUA.

Sua soltura foi anunciada na quinta-feira, 23, após 17 anos encarcerado.

Lindh foi capturado pelas forças americanas durante a invasão do Afeganistão, meses após os ataques terroristas do 11 de Setembro. Ele se declarou culpado em 2002 de colaborar o Talebã e foi condenado a 20 anos de prisão.

Naquela época, Lindh foi considerado um traidor. Nesta semana, porém, ele sairá da prisão em liberdade condicional. Não poderá entrar na internet sem uma permissão especial nem viajar livremente.

Lindh se tornou cidadão irlandês enquanto estava preso – sua avó nasceu no país – e poderá se mudar para a Irlanda quando as restrições a viagens forem suspensas.

Após sua libertação da prisão, ele descobrirá um mundo que mudou drasticamente desde seu encarceramento. Terá de reaprender a lidar com a vida cotidiana e voltará a viver em uma sociedade que fez pouco para se preparar para sua chegada.

Muitos especialistas, incluindo Steven Aftergood, da Federação Americana de Cientistas, especializado em segurança nacional, dizem que os Estados Unidos deveriam fazer mais para reintegrar pessoas como ele.

“No sistema judicial, dizemos: ‘Você, criminoso, não é como nós’. Mas há também a responsabilidade dizer no final ‘Há um lugar para você em nosso mundo’.”

Em má companhia

Lindh não é o único a voltar a viver em sociedade após um longo encarceramento por crimes que ameaçam a segurança nacional.

Mais de 300 pessoas nos Estados Unidos foram condenadas por acusações relacionadas a terrorismo jihadista desde 2001, segundo a New America Foundation, um centro de estudos sediado em Washington.

Além disso, dezenas de indivíduos estão atrás das grades por tentativas de assassinato, venda de segredos ao governo chinês e outros crimes que ameaçam a segurança nacional.

Alguns foram condenados à prisão perpétua, sem direito a liberdade condicional. No entanto, um número significativo já foi libertado ou será em algum momento.

Momento da captura de Lindh: mais de 300 pessoas nos Estados Unidos foram condenadas por acusações relacionadas a terrorismo jihadista desde 2001

Momento da captura de Lindh: mais de 300 pessoas nos Estados Unidos foram condenadas por acusações relacionadas a terrorismo jihadista desde 2001
BBC NEWS BRASIL/Reuters

Quando Lindh sair da prisão, ele vai se juntar a um elenco de ex-presidiários infames. Em 2016, John Hinckley Jr. deixou uma clínica psiquiátrica onde ficou preso por décadas após tentar matar o ex-presidente americano Ronald Reagan (1911-2004). Hinckley, hoje com 63 anos, foi morar com sua mãe em na cidade de Williamsburg, no Estado da Virgínia.

Faysal Galab, ex-membro de um grupo de extremistas conhecido como Lackwanna Six, declarou-se culpado de uma acusação relacionada a terrorismo e foi condenado a sete anos de prisão. Em 2008, foi libertado de uma cadeia no Estado de Indiana e se mudou para um centro de reabilitação na cidade de Detroit.

‘Pagou sua dívida com a sociedade’

Cada um destes casos é único, mas, coletivamente, levantam uma questão fundamental: os indivíduos que cometem crimes graves, sejam de terrorismo ou contra a segurança nacional, serão bem recebidos de volta à sociedade após sua punição? Como devem ser acolhidos ou, pelo menos, reintegrados?

Legalmente falando, o assunto é simples. Indivíduos que cumpriram seu tempo de prisão podem retomar suas vidas novamente.

“Alguém que pagou suas dívidas tem o direito de seguir em frente”, diz John Sifton, diretor de defesa da Human Rights Watch, organização de defesa dos direitos humanos.

No entanto, a forma como esses indivíduos retomam suas vidas varia, assim como as restrições impostas a eles. O governo americano não possui um programa oficial ou um conjunto de procedimentos para ajudá-los a encontrar seu caminho no mundo.

Duas décadas atrás, o adolescente Lindh começou uma jornada muito diferente, deixando sua família católica no Estado da Califórnia para estudar árabe no Iêmen. Ele seguiu para o Paquistão, depois foi para o Afeganistão, antes de ser levado de volta aos Estados Unidos para ser julgado.

Pronto para reintegração?

Desde sua condenação, o único vislumbre que tivemos de Lindh foi em 2012, quando ele testemunhou em um tribunal, vestindo um uniforme de prisão e uma touca branca, como parte de um processo que questionava a proibição de orações em grupo.

“Acredito que fazer isso é obrigatório”, disse ele. “Se você é obrigado a orar em congregação e não o faz, isso é pecado. Não há riscos à segurança ao nos permitir orar em grupo. É um absurdo.”

O governo dos Estados Unidos alegou, no entanto, que ele havia feito um sermão radical em árabe. E vazaram documentos secretos, publicados pela revista Foreign Policy em 2017, que alegavam que Lindh conseguiu “escrever e traduzir textos extremistas virulentos”.

Alguns senadores americanos questionaram se está sendo feito o suficiente para ajudar equipes prisionais e de liberdade condicional a reconhecerem os sinais de radicalização violenta e reincidência.

Uma carta de um republicano e um democrata para o diretor do Bureau Federal de Prisões, a agência do governo americano responsável pelo sistema carcerário, observou que outros 108 presos condenados por crimes de terrorismo nos Estados Unidos devem ser libertados nos próximos anos.

“Poucas informações foram disponibilizadas ao público sobre quem são estes infratores e sobre quando e onde eles serão libertados, se representam uma ameaça pública contínua, e o que as agências federais estão fazendo para mitigar essa ameaça enquanto estiverem sob custódia federal”, afirmaram.

O presidente americano, Donald Trump, defendeu que Lindh deveria cumprir sua sentença completa, em vez de ser libertado três anos antes do prazo oficial.

Após sua captura no Afeganistão, Lindh foi mantido em uma prisão onde Johnny Micheal Spann, um oficial da CIA, a agência americana de inteligência, conduziu interrogatórios – e onde foi morto em uma rebelião. Seu pai, Johnny Spann, disse aos repórteres que não acha que Lindh deveria sair em liberdade condicional.

Lindh frequentou uma escola no Paquistão e depois foi para o Afeganistão, onde foi preso

Lindh frequentou uma escola no Paquistão e depois foi para o Afeganistão, onde foi preso
BBC NEWS BRASIL/Reuters

Ainda assim, alguns especialistas em combate ao terrorismo dizem que o sistema funciona bem. Daniel Byman, do Brookings Institution, um centro de estudos em ciências sociais baseado em Washington, diz que indivíduos que cometem crimes de terrorismo e são libertados são vigiados de perto: “Há muito monitoramento”.

Outros afirmam simplesmente que ele cumpriu seu tempo atrás das grades. Jesslyn Radack, uma advogada que trabalhava para o Departamento de Justiça dos Estados Unidos quando Lindh foi capturado no Afeganistão, avalia que sua sentença era excessivamente severa. “Espero que ele consiga recomeçar sua vida.”

Modi comemora reeleição na Índia como ‘vitória da democracia’

Primeiro ministro indiano, Narendra Modi, fala na abertura do Fórum Econômico Mundial em Davos

Primeiro ministro indiano, Narendra Modi, fala na abertura do Fórum Econômico Mundial em Davos
REUTERS / Reprodução / 23.1.2018

O primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, classificou nesta quinta-feira (23) os resultados das eleições como uma “vitória da democracia”, já que seu partido venceu na maioria dos distritos eleitorais para mais um mandato.

“Nenhum indivíduo ou partido estava lutando nas eleições, mas o povo da Índia estava. Hoje, o povo da Índia me deu a razão e a Índia ganhou. A democracia ganhou”, disse ele no seu primeiro discurso público do dia.

Na porta da sede do partido nacionalista hindu BJP, em Nova Délhi, onde foi recebido por centenas de seguidores e ministros, Modi disse que terá maioria para governar e que os “sentimentos de uma Índia comum vão garantir um futuro brilhante para o país”.

O líder, que já tinha dado por certa a vitória em uma série de mensagens no Twitter, foi recebido pelo presidente do BJP, Amit Shah, que deve ganhar um ministério importante na nova formação do gabinete.

Depois de caminhar entre a multidão que se amontoava no local, apesar da chuva, Modi subiu ao palco para saudar o público.

“Esta não é uma vitória de Modi, mas uma vitória dos indianos que pedem honestidade. É uma vitória das mulheres com respeito próprio e que não tinham acesso a um vaso sanitário”, disse, em aparente referência às acusações de corrupção contra a oposição e a sua campanha para garantir banheiros à população de baixa renda.

Rahul Gandhi, presidente do principal partido da oposição, o Congresso dos Nehru-Gandhi, confirmou a derrota em entrevista coletiva algumas horas antes do pronunciamento do primeiro-ministro.

Várias pesquisas de boca de urna divulgadas no domingo passado já davam ao BJP e seus aliados mais de 280 cadeiras – mais da metade das 542 da Lok Sabha, o Parlamento -, número suficiente para formar governo em maioria.

Com uma participação que superou os 60%, estima-se que aproximadamente 600 milhões de indianos votaram para escolher os novos membros do Parlamento.

Brasileiros mortos no Chile: traslado será pago por site de hospedagem

Brasileiros morreram em prédio no Chile

Brasileiros morreram em prédio no Chile
Alberto Valdez / EFE / 22.5.2019

O Airbnb — serviço online de compartilhamento e acomodações — confirmou, nesta quinta-feira (23), que vai arcar com os custos de traslado dos corpos de seis brasileiros que morreram intoxicados no centro de Santiago, no Chile. A principal hipótese é de que o grupo tenha inalado monóxido de carbono no apartamento que havia alugado por meio do site. 

Em nota enviada ao R7, a plataforma diz lamentar o incidente. Leia na íntegra:

“O Airbnb irá arcar com os custos de traslado dos corpos. Estamos profundamente consternados com este trágico incidente. Nós nos solidarizamos com os familiares e estamos em contato para prestar todo apoio necessário aos familiares neste momento difícil. A segurança de nossa comunidade de viajantes e anfitriões é a nossa total prioridade.”

Mais cedo nesta quinta-feira (23), parentes do grupo abriram uma vaquinha online com o objetivo de arrecadar R$ 100.000,00 para traslado dos corpos e velório. A página já havia arrecadado R$ 7.205,00 até as 14h. 

Posicionamento do Itamaraty

O Ministério das Relações Exteriores, por sua vez, afirma que não pode informar a data prevista para a chegada dos corpos ao Brasil sem que a família assim tenha solicitado de maneira expressa.

O Itamaraty diz que, “por meio do Consulado-Geral do Brasil em Santiago, acompanha o caso dos brasileiros mortos nessa cidade e mantém contato com os familiares, prestando-lhes a assistência consular cabível, bem como com as autoridades locais que investigam as circunstâncias do ocorrido”.

“Quando um cidadão brasileiro falece no exterior e sua família opta por trazer seus restos mortais ao Brasil, os Consulados brasileiros sempre procuram apoiar, mediante expedição de documentos (atestado de óbito, por exemplo); orientação à família; e, eventualmente, contato com autoridades locais para tentar agilizar os trâmites”, completa o counicado. 

Turismo no Chile

A família se encontrava no Chile a turismo havia uma semana. Eles passaram mal e, na quarta, uma das pessoas chegou a ligar para um parente, falando frases desconexas. Segundo o Ministério das Relações Exteriores, esse familiar acionou o consulado brasileiro.

O cônsul foi até o local, mas ninguém abriu a porta. Enquanto isso, os celulares das vítimas tocavam no interior do apartamento sem resposta. Após arrombar o imóvel, a polícia encontrou os brasileiros, quatro adultos e dois adolescentes de 13 e 14 anos, já mortos.

“Recebemos uma mensagem do familiar no telefone de emergência consular (…) Ele suspeitava que algo grave estava acontecendo e eu decidi vir pessoalmente. Subimos até o apartamento no sexto andar, batemos na porta, ninguém respondeu. Pedimos ajuda para abri-la, entramos, sentimos um cheiro de gás muito forte e achamos os seis corpos já sem vida”, destacou o cônsul brasileiro em Santiago, Ezequiel Gerd Chamorrro, ao jornal chileno La Tercera.

Não se descarta que a alta concentração de monóxido de carbono detectada no local esteja relacionada com o tipo de calefação utilizada nos prédios. Na quarta-feira, odos os moradores foram retirados de seus apartamentos, devido ao perigo que corriam se permanecessem no interior do edifício.

Deputada democrata acusa Trump de descumprir Constituição

'Ele é um mestre da distração', afirmou Nancy

‘Ele é um mestre da distração’, afirmou Nancy
James Lawler Duggan/Reuters – 23.5.2019

A líder da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, a deputada democrata Nancy Pelosi, considerou nesta quinta-feira (23) que o presidente do país, Donald Trump, está descumprindo a Constituição por tentar obstruir as investigações sobre a interferência da Rússia nas eleições de 2016.

“O que o presidente está fazendo é um assalto à Constituição dos Estados Unidos (…) Ele é um mestre da distração”, disse Pelosi em sua entrevista coletiva semanal, realizada no Capitólio, em Washington.

Trump interrompeu abruptamente na quarta-feira uma reunião na Casa Branca com Pelosi e o líder da minoria democrata no Senado, Chuck Schumer, depois de ser acusado de “encobrir” possíveis provas que poderiam motivar um processo de impeachment.

“Acreditamos que é importante acompanhar os fatos e que ninguém está acima da lei. E acreditamos que o presidente dos Estados Unidos está envolvido em um encobrimento”, explicou Pelosi.

A acusação enfureceu Trump, que se cancelou de última hora uma reunião com a oposição para discutir o plano acertado em abril para gastar US$ 2 trilhões em melhorias nas infraestruturas do país.

Trump receberia Pelosi e o líder da minoria democrata no Senado, Chuck Schumer, mas voltou atrás após as declarações da opositora.

Além disso, o presidente afirmou que não trabalhará com os democratas no Congresso até que eles encerrem as investigações contra ele. Trump ainda disse que a insistência dos democratas pode dificultar a aprovação de algumas de suas prioridades, como o T-MEC, acordo comercial assinado com México e Canadá para substituir o Tratado de Livre-Comércio da América do Norte (Nafta).

Huawei vira ponto de discórdia em tensão comercial entre EUA e China

Laços de empresa com governo são questionados

Laços de empresa com governo são questionados

Reuters / Aly Song / 22.5.2019

Os Estados Unidos e a China tiveram uma discussão acalorada nesta quinta-feira (23), com o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, acusando o presidente-executivo da Huawei de mentir sobre os laços da empresa com o governo comunista, e Pequim dizendo que Washington deve terminar com suas “ações equivocadas” se quiser que as negociações comerciais continuem.

Os Estados Unidos colocaram a Huawei numa lista negra de negócios na semana passada, proibindo empresas norte-americanas de fazer negócios com a maior fabricante de equipamentos de rede de telecomunicações do mundo e escalando uma batalha comercial entre as duas maiores economias do mundo.

Veja também: Huawei vira ponto de discórdia em tensão comercial entre EUA e China

Pompeo disse à CNBC que o presidente-executivo da Huawei mentiu quando disse que não há vínculo da empresa com o governo de Pequim e acredita que mais companhias dos EUA cortarão os laços com a gigante de tecnologia.

“A empresa está profundamente ligada não apenas à China, mas ao Partido Comunista Chinês. E a existência dessas conexões coloca em risco a informação americana que atravessa essas redes”, disse Pompeo à CNBC.

“Se você colocar suas informações nas mãos do Partido Comunista Chinês, é de fato um risco real. Eles podem não usá-las hoje, mas podem fazê-lo amanhã.”

Parlamentares dos EUA se mobilizaram para fornecer US$ 700 milhões (cerca de R$ 2,8 bilhões) em subsídios para ajudar os fornecedores de telecomunicações dos EUA com os custos de remover equipamentos Huawei de suas redes e bloquear o uso de equipamentos ou serviços das empresas de telecomunicações chinesas Huawei e ZTE em redes 5G de próxima geração.

A China revidou.

“Se os Estados Unidos quiserem continuar as negociações comerciais, devem mostrar sinceridade e corrigir suas ações equivocadas. As negociações só podem continuar com base na igualdade e no respeito mútuo”, disse o porta-voz do Ministério do Comércio da China, Gao Feng.

“Vamos acompanhar de perto os desenvolvimentos relevantes e preparar as respostas necessárias”, disse ele, sem dar detalhes.

Nenhuma reunião entre os principais negociadores chineses e norte-americanos foi marcada desde 10 de maio, quando o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, subiu as tarifas sobre US$ 200 bilhões (cerca de R$ 800 bilhões) em bens chineses e tomou medidas para taxar todas as importações chinesas restantes.

Sem resolução à vista, o secretário da Agricultura dos EUA, Sonny Perdue, anunciou um programa de ajuda de US$ 16 bilhões (cerca de R$ 65 bilhões) para ajudar fazendeiros dos EUA que foram prejudicados pela guerra comercial, com alguns fundos para abrir mercados fora da China para produtos norte-americanos.

Os agricultores estão entre os mais afetados pela guerra comercial EUA-China, embora os varejistas também estejam alertando que a última rodada de tarifas potenciais aumentará os preços para muitos de seus consumidores.

Washington elevou as tarifas existentes sobre 200 bilhões de dólares em produtos chineses para 25%, ante 10%, o que levou Pequim a retaliar com suas próprias taxações sobre as importações norte-americanas.

Trump ameaçou impor tarifas de até 25% sobre uma lista adicional de importações chinesas no valor de 300 bilhões de dólares (cerca de R$ 1,2 trilhão), mas o secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, disse na véspera que espera que os dois lados retomem as negociações.

Espera-se que Trump se encontre com o presidente chinês, Xi Jinping, na cúpula do G20 no Japão, de 28 a 29 de junho.

Dois navios da Marinha dos EUA também navegaram pelo Estreito de Taiwan na quarta-feira, no mais recente ato de uma série de “operações de liberdade de navegação” para enfurecer Pequim.

Rahul Gandhi reconhece derrota em eleições gerais da Índia

'Como indiano, respeito totalmente', disse Gandhi

‘Como indiano, respeito totalmente’, disse Gandhi
Adnan Abidi/Reuters – 2.4.2019

Rahul Gandhi, líder do Partido do Congresso, liderado por membros da dinastia Nehru-Gandhi e principal da oposição, assumiu nesta quinta-feira (23) sua derrota nas eleições gerais para o governante BJP, do primeiro-ministro Narendra Modi, que lidera a apuração de votos na maioria das circunscrições.

“Tinha dito durante a campanha que as pessoas são os verdadeiros líderes, ordenaram e decidiram a favor do BJP. Parabenizo Modi e o BJP”, disse em entrevista coletiva em Nova Délhi o presidente da legenda que governou a Índia na maior parte da história moderna e que hoje admitiu que a contundente derrota eleitoral de 2014 se repetiu.

O Partido do Congresso obteve, por enquanto, sete cadeiras e lidera a apuração em outras 43 circunscrições — em 2014 obteve 44 cadeiras — enquanto o BJP conta com 18 e tem uma ampla vantagem sobre seus oponentes em outras 287 circunscrições, de um total de 542 cadeiras.

Rahul assumiu também que a família perdeu em seu tradicional reduto, Amethi, no estado de Uttar Pradesh, para a ministra do BJP Smriti Irani. No entanto, Rahul lidera no segundo maior reduto eleitoral pelos quais concorria ao Parlamento, em Wayanad (sul).

Em breve conversa com a imprensa, o caçula da dinastia se negou a admitir que falhou em obter apenas 50 cadeiras, ligeiramente acima das 44 de 2014, quando sofreu a maior derrota de sua trajetória.

Ao invés disso, Gandhi insistiu que o importante na jornada de hoje é que “as pessoas da Índia decidiram que Modi será o primeiro-ministro”.

“Como indiano, respeito totalmente”, disse Rahul sobre a vitória de seu adversário.

Com uma participação que superou 60% de média, estima-se que cerca de 600 milhões de indianos tenham votado para escolher os 542 legisladores do Parlamento.

Estudante sem-teto é selecionado por universidades e recebe US$ 3 milhões em bolsas nos EUA

Adolescente passou a morar na rua depois que seu pai morreu, em 2017

Adolescente passou a morar na rua depois que seu pai morreu, em 2017
BBC NEWS BRASIL

Um adolescente que perdeu sua moradia após a morte do pai recebeu ofertas de bolsas de estudo totalizando mais de US$ 3 milhões (algo em torno de R$ 12 milhões) de universidades americanas, além de vagas em mais de 40 faculdades.

Tupac Mosley, de Memphis, no Estado americano de Tennessee, era o melhor aluno de sua turma – e nunca deixou de estar entre os melhores da sala, mesmo depois que seu pai morreu, em 2017, e ele ficou sem moradia permanente.

A família passou por dificuldades financeiras e, em fevereiro desse ano, teve de se mudar para uma acomodação temporária.

O estudante de 17 anos disse que um dos pontos mais “baixos” de sua vida foi dormir no chão de hotéis baratos, mas ele continuou a se dedicar na escola.

“Se não fosse pelos meus amigos, família, professores e mentores, que me incentivaram, eu talvez não estivesse onde estou agora”, afirmou. “Eles me deram a coragem de seguir e não desistir nunca.”

“Ver todo o meu esforço de uma maneira quantificável é tão gratificante! É uma ótima sensação.”

Esforço e perseverança

Em sua formatura na escola, Tupac agradeceu a diretora da escola e um acampamento em Memphis onde a família conseguiu se hospedar por um período.

“O diretor soube da minha situação e nos deixou ficar lá enquanto eu levantava fundos”, disse.

Apesar dos problemas pessoas pelos quais passava, Tupac permanecia como o melhor de sua sala. A mentora que lhe ajudou com suas inscrições para bolsas e para a universidade disse que está imensamente orgulhosa dele.

“Sou conselhereira há 11 anos e ele é o primeiro aluno que recebe uma resposta tão grande”, afirmou. “Ele é naturalmente inteligente e talentoso, mas tudo está ligado a sua perseverança.”

Mas Tupac se mudou para seu próprio apartamento essa semana, apesar de ter uma série de faculdades que poderia escolher. Ele decidiu ficar perto de seus amigos e familiares.

“Tenho um apoio muito grande aqui”, explicou. “Eles me ajudaram a conseguir tudo isos, então vou continuar perto deles.”

Ele aceitou a oferta de estudar na Tennessee State University, onde deverá cursar engenharia elétrica.