Número de moradores de rua é o mais alto da história em Londres

Pela primeira vez na história, a cidade de Londres atingiu uma média de mais de 100 novos indivíduos morando nas ruas a cada semana. Os dados são de uma nova pesquisa da organização CHAIN (Rede Combinada dos Sem-teto e Informação, na sigla em ingelês), que coleta números sobre desabrigados na capital do Reino Unido

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Segundo a CHAIN, 8.855 pessoas dormiram nas ruas em Londres entre 2018 e 2019 — o que representou um aumento de 18% em um intervalo de 12 meses

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O relatório ainda revela que, de todos os moradores de rua na capital britânica no último ano, 5.529 haviam se tornado sem-abrigo ao longo de 2018 — uma média de 15 pessoas por dia

Dos que se tornaram sem-teto em 2018, mais de um terço eram inquilinos recentemente despejados, de acordo com a CHAIN. O governo de Londres, segundo a rede de notícias britânica BBC, disse ter destinado 13 milhões de libras (aproximadamente R$ 63 bi) em iniciativas para combater o problema

Sadiq Khan, prefeito de Londres, afirmou que o problema dos moradores de rua é uma “desgraça nacional”. Pouco menos da metade dos sem-teto da capital do Reino Unido é de origem britânica. Os romenos (16%) representam a maioria entre os estrangeiros sem-abrigo, conforme apontam os registros da CHAIN

Ao menos 84% dos moradores de rua de Londres são homens, e a grande maioria dos sem-abrigo se situa em Westminster — distrito na zona central da cidade

O próprio governo britânico aponta que, por todo o Reino Unido, a população sem-teto cresceu 165% nos últimos oito anos, com 4.677 pessoas morando nas ruas no último ano. Autoridades e organizações da sociedade civil, entretanto, receiam que os números oficiais subestimem a verdadeira escala do problema

Protestos registram onda de violência com saques em Honduras

Manifestantes seguram uma bandeira durante um protesto contra o governo de Honduras

Manifestantes seguram uma bandeira durante um protesto contra o governo de Honduras
REUTERS/Jorge Cabrera

Jornais locais de Honduras registraram uma onda de protestos e saques nesta quarta-feira (19), em Tegucigalpa, a capital do país. Automóveis e ônibus foram incendiados, bem como alguns comércios foram alvo de saques durante os atos. Algumas rodovias do país também foram fechadas por pessoas encapuzadas.

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Segundo o jornal El Heraldo, a manifestação se iniciou devido a uma ‘rebelião policial’. Em um vídeo, um policial lê um pronunciamento afirmando que não irão reprimir os protestos, mas pedem a população não usar de violência. O anúncio foi feito por ‘ex-Cobras’ (Direção Nacional das Forças Especiais), uma polícia especial. 

Policiais fazem paralisação por melhores condições de trabalho

Policiais fazem paralisação por melhores condições de trabalho
Reprodução/Twitter

A secretaria de Segurança Nacional do país informou, através do secretário Jair Meza, que irá abrir o diálogo com estes policiais. Ele disse ainda que foram aprovadas novas leis para melhorar as condições trabalhistas dos policiais.

De acordo com a Televicentro, supostos envolvidos em saques e violência foram capturados mais cedo. Em imagens publicadas nas redes sociais, lojas tiveram suas portas abertas e produtos levados por passantes.

Greve de caminhoneiros

As tensões vividas na capital nesta quarta-feira (19), também contaram com longas filas de carros nos postos de combustíveis, devido a uma greve de caminhoneiros. Para contornar a situação, foi anunciado um acordo entre o governo local e caminhoneiros. 

Arma que Van Gogh teria usado para se suicidar é leiloada em Paris


Julien de Rosa / EPA / EFE / 17.6.2019

A arma com a qual supostamente o pintor holandês Vincent Van Gogh se suicidou em 1890 foi arrematada nesta quarta-feira em um leilão em Paris por US$ 182 mil (cerca de R$ 700 mil), valor desembolsado por um comprador particular.

Os responsáveis pela casa de leilões Drouot esperavam arrecadar entre US$ 45 mil (cerca de R$ 173 mil) e US$ 67 mil (cerca de R$ 258 mil) pela peça, muito abaixo do valor final.

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A Drouot afirmou em comunicado que Van Gogh disparou até 18 vezes com este revólver Lefaucheux, objeto encontrado em 1960 por um homem que cultivava o campo onde supostamente o pintor se suicidou.

Um porta-voz afirmou à Agência Efe que o comprador foi “uma pessoa particular”, sem dar mais detalhes sobre a identidade.

“O leilão esteve à altura da expectativa criada por esta arma lendária. O interesse internacional suscitado por esta venda mostra o mito que rodeia Vincent Van Gogh”, declarou o curador da venda, Grégoire Veyres.

A Drouot expôs a arma neste últimos dias e defendeu a autenticidade do objeto, apesar das dificuldades que representa conhecer a realidade de um revolver que se perdeu no dia em que foi disparado pela última vez e só foi encontrado 70 anos mais tarde.

Segundo a casa de leilões, o calibre do revólver, de 7 mm, coincide com o da bala achada no corpo de Van Gogh e seu gatilho está em posição aberta, o que significa que acabara de ser disparada.

Além disso, o mau estado do Lefaucheux é explicado pelo fato de ter permanecido sob a terra durante anos.

O suicídio de Van Gogh também é controverso, já que alguns especialistas sustentam que foi vítima de um homicídio imprudente.

Navio resgata 27 imigrantes perto da costa da Espanha

Espanha resgatou dezenas de imigrantes ilegais

Espanha resgatou dezenas de imigrantes ilegais

Miguel Paquet / EFE

Um navio resgatou nesta quarta-feira (19) 27 imigrantes de origem subsaariana, entre eles duas mulheres e uma menina, de uma pequena embarcação no litoral mediterrâneo do sudeste da Espanha, que era procurada desde ontem pelas autoridades do país e da qual poderiam ter desaparecido 22 pessoas.

Uma porta-voz do Salvamento Marítimo da Espanha informou à Agência Efe que ontem uma ONG alertou sobre a saída, da costa do norte da África, de uma embarcação com 49 pessoas a bordo com destino à Europa.

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Desde a tarde de terça, um avião do Frontex (Agência Europeia de Gestão da Cooperação Operacional nas Fronteiras Externas) e posteriormente um avião da Força Aérea espanhola buscaram a embarcação.

Na primeira hora da tarde, uma embarcação informou ao Salvamento Marítimo, entidade pública espanhola, que estava resgatando 27 pessoas de origem subsaariana de uma balsa, e depois foi comprovado que se tratava da mesma embarcação que era procurada desde ontem.

Um helicóptero resgatou três homens em “estado crítico” e duas mulheres e uma menina, cujo estado de saúde parece não requerer cuidados intensivos, e os levou a um hospital de Almería, no sudeste da Espanha. Os demais resgatados serão levados a um porto do sul do país.

O Salvamento Marítimo informou que a balsa foi encontrada 11 milhas ao norte do Cabo Tres Forcas, em área de busca e resgate de responsabilidade do Marrocos, que no entanto não havia solicitado ajuda.

A chegada de imigrantes procedentes da África à Espanha através do estreito de Gibraltar, no mar Mediterrâneo, é constante.

Em 2018, a Espanha tornou-se a principal rota de entrada de imigrantes na Europa pelo mar, com mais de 56 mil chegadas, segundo a Comissão Espanhola de Ajuda ao Refugiado (CEAR), organização que calcula em pelo menos 769 o número de imigrantes que morreram nesse ano na travessia.

Como a energia elétrica se tornou o novo campo de batalha entre EUA e Rússia

Redes elétricas e outras estruturas vitais estão na mira das tensões entre a Rússia e os Estados Unidos

Redes elétricas e outras estruturas vitais estão na mira das tensões entre a Rússia e os Estados Unidos
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Em 23 de dezembro de 2015, uma parte da Ucrânia ficou às escuras.

Foi uma noite dentro da noite: ninguém sabia ao certo o que tinha acontecido.

As usinas não haviam registrado nenhuma falha, os geradores funcionavam normalmente, tudo parecia correr dentro dos parâmetros.

Até que cerca de 700 mil pessoas ficaram sem eletricidade.

Pouco depois, os especialistas descobriram a causa: as centrais de energia haviam sofrido um ataque cibernético, aparentemente coordenado por hackers russos, algo que o Kremlin nega.

O episódio entrou para a história como o primeiro hackeamento bem-sucedido contra uma rede elétrica no mundo.

Mas não foi o único.

Os ataques continuaram contra as usinas elétricas ucranianas e logo se espalharam para o outro lado do mundo.

Em 2017, ao menos uma dúzia de companhias elétricas, incluindo a usina nuclear Wolf Creek, em Kansas, nos Estados Unidos, sofreram ataques cibernéticos que, segundo o FBI, também foram coordenados por “ciberativistas” a partir de território russo.

As redes de energia americanas têm sido alvos frequentes de ataques, supostamente realizados a partir de solo russo

As redes de energia americanas têm sido alvos frequentes de ataques, supostamente realizados a partir de solo russo
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Nos últimos dias, no entanto, chegaram pela primeira vez indícios de potenciais invasões do outro lado.

Uma reportagem publicada no sábado no The New York Times afirma que Washington também tem tentado penetrar na rede elétrica russa e inseriu nela alguns vírus para ativá-los em caso de conflito ou interferência do Kremlin em assuntos internos dos EUA.

Nenhum dos atores envolvidos confirmou a informação.

O presidente Donald Trump disse se tratar de “fake news” e questionou as implicações que a reportagem poderia ter para a segurança nacional dos EUA.

O Kremlin se limitou a afirmar que sua rede está segura, mas admitiu que há uma “possibilidade hipotética” de “guerra cibernética” entre as duas nações.

No entanto, a reportagem jogou luz novamente sobre uma “nova guerra fria” entre Rússia e os Estados Unidos que tem tido as redes elétricas como protagonistas.

As cruciais redes de energia

Michael Ahern, diretor de sistemas de energia do Instituto Politécnico de Worcester, nos Estados Unidos, disse à BBC News Mundo, o serviço em espanhol da BBC, que, nos últimos anos, a segurança das redes elétricas se tornou uma preocupação para muitas nações, não apenas pela “possibilidade de ataques terroristas, mas também por parte de governos inimigos”.

E, como ele explica, à medida que as redes elétricas se tornam cada vez mais dependentes de computadores e da troca de dados online, elas também se tornam mais vulneráveis ​​a ameaças cibernéticas.

“É por isso que é provável que todas as nações estejam trabalhando para melhorar suas capacidades cibernéticas. Tem havido alguns registros de ataques que causaram cortes de energia na Ucrânia, e na América do Norte a Comissão Federal de Regulação de Energia exige aos operadores de rede que cumpram um plano de proteção de infraestrutura essencial”, diz ele.

As redes elétricas são vulneráveis a ataques cibernéticos

As redes elétricas são vulneráveis a ataques cibernéticos
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No entanto, segundo o especialista, as tentativas de algumas nações de penetrar na rede elétrica de outros países não são novas, em teoria.

“Os países sempre buscaram influir uns sobre os outros e têm usado as tecnologias eletrônicas como vantagem (por exemplo, o radar, a interceptação de sinais, a decifração de códigos)”, diz ele, apontando, no entanto, que um novo elemento muda as peças do jogo.

“Agora é possível hackear os sistemas de controle a partir de qualquer lugar do mundo e é muito difícil rastrear (os autores)”, diz ele.

São vislumbradas possibilidades de ataques a essas redes inclusive à distância

São vislumbradas possibilidades de ataques a essas redes inclusive à distância
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Especialistas apontam, no entanto, que este tipo de interferência nas redes elétricas também deve ser visto com cautela.

É que ambos os países contam com dois dos maiores sistemas energéticos do mundo: os Estados Unidos têm o segundo maior (apenas superado pela China), enquanto a Rússia ocupa a quarta posição (atrás da Índia).

Isso significa que a complexidade dos sistemas elétricos, a quantidade de instalações de geração e a infraestrutura que envolve a produção de eletricidade tornam muito difícil um ataque ter um impacto de grande escala.

A rede elétrica dos EUA, por exemplo, é altamente complexa: ela é composta por cerca de 3.300 empresas de serviços públicos que trabalham em conjunto para fornecer energia a seus usuários por meio de redes de mais de 320 mil quilômetros de linhas de transmissão de alta voltagem.

A Rússia, por sua vez, tem 20 empresas independentes de produção de energia, cerca de 440 instalações de geração, 496.000 subestações e cerca de 2,3 milhões de quilômetros de linhas elétricas.

A Rússia tem a quarta maior rede elétrica do mundo

A Rússia tem a quarta maior rede elétrica do mundo
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Ahern acredita que os ataques na Ucrânia atrapalharam a vida de milhares de pessoas, mas que, se ocorressem na Rússia ou nos Estados Unidos, as consequências poderiam ir além.

“Para os Estados Unidos, a Rússia e outras nações, tais ataques poderiam desencadear contra-ataques e provocar uma escalada de hostilidades”, diz ele.

Vários especialistas concordam que as instalações elétricas não são os únicos alvos possíveis: os potenciais danos a estações de bombeamento de água e outros serviços essenciais podem ter efeitos mais devastadores do que as armas nas guerras convencionais.

Hostilidades crescentes

As tentativas da Rússia de penetrar na rede elétrica dos EUA não ganharam a mesma notoriedade de outro ataque que, de acordo com várias fontes de inteligência de Washington, marcou os resultados das eleições de 2016.

Naquele ano, segundo vários relatos, hackers russos penetraram no sistema eleitoral dos EUA e lideraram campanhas nas redes sociais para ajudar na vitória de Donald Trump.

Algum tempo depois, novas denúncias sobre supostas interferências russas em situações eleitorais foram relatadas em outros países.

Mas em 2018, o FBI e o Departamento de Segurança Interna (DHS, da sigla em inglês) também reportaram uma série de ataques a computadores de instalações americanas.

Ambas as agências de inteligência publicaram relatórios que levaram o governo a emitir um alerta sobre “ações do governo russo” dirigidas a entidades federais e empresas nos setores elétrico, de energia nuclear, instalações comerciais, de água, aviação e manufatura do país.

O DHS e o FBI a chamaram de “campanha de invasão de várias etapas” que consistia em se inserir em redes de pequenas instalações comerciais, colocar vírus, realizar o reconhecimento da rede e coletar informações relacionadas aos sistemas de controle industrial dos EUA.

O Kremlin negou qualquer participação nesse esquema.

A rede elétrica dos Estados Unidos se estende por mais de 320 mil quilômetros de linhas de transmissão de alta voltagem

A rede elétrica dos Estados Unidos se estende por mais de 320 mil quilômetros de linhas de transmissão de alta voltagem
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Mas um dia após a publicação do relatório, o secretário de Energia dos EUA, Rick Perry, assegurou ao Congresso que os ataques cibernéticos contra as redes de energia aconteciam “literalmente centenas de milhares de vezes por dia” e anunciou a criação de um Escritório de Segurança Cibernética e Resposta de Emergência para tentar controlá-los.

Pouco depois, o Departamento do Tesouro dos EUA anunciou novas sanções contra várias pessoas e organizações russas, algumas das quais foram acusadas de supostos ataques informáticos.

A Dragos, empresa de segurança cibernética especializada em proteger a rede elétrica dos Estados Unidos, disse à imprensa americana no ano passado que Moscou está “no caminho certo” para penetrar nas instalações de energia dos EUA, ainda que precise aperfeiçoar ainda mais suas técnicas

A revanche

Até o último fim de semana, as tentativas americanas de penetrar nas redes de energia russas não eram conhecidas publicamente.

Mas Jonathan Marcus, analista de segurança da BBC, acredita que os relatos sobre ataques dos EUA à infraestrutura russa não deveriam nos surpreender, dada a “investida eletrônica” que Moscou tem protagonizado.

“Durante muito tempo no Ocidente, o foco no ciberespaço tem sido a defesa: como fortalecer os sistemas contra invasões e como tornar os sistemas essenciais mais resistentes. Mas é claro que o melhor meio de defesa é a ofensiva: a necessidade, ao menos, de colocar em risco os sistemas de um inimigo”, explica ele à BBC News Mundo.

O general Paul M. Nakasone é o chefe do Comando Cibernético dos Estados Unidos

O general Paul M. Nakasone é o chefe do Comando Cibernético dos Estados Unidos
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Sabe-se que, desde 2009, os Estados Unidos contam com um Comando Cibernético, uma unidade de elite de TI das Forças Armadas que, sob a égide da Lei de Autorização de Defesa Nacional de 2018, tem permitido realizar “atividades militares clandestinas” em redes.

A Rússia, por sua vez, anunciou este ano seus planos de se isolar da internet global e criar sua própria rede, o que na opinião dos especialistas não só garantiria um maior controle sobre os seus cidadãos, como também tornaria mais difícil para agentes externos terem acesso a redes usadas pelas instalações russas.

O projeto, chamado de Programa Nacional de Economia Digital, requer que os provedores de serviços de internet do país se certifiquem de continuar operando em caso de potências estrangeiras tentarem isolá-los ou de serem vítimas de ataques.

Na opinião de Marcus, as posições dos dois países diante da possibilidade de um conflito digital mostram que, mais uma vez, “a tecnologia está muito à frente da teoria”.

“Que medidas devem ser tomadas para estabelecer algum tipo de limite nos ataques cibernéticos? Ou, mais exatamente, em que ponto um ataque cibernético é considerado como um ato de guerra?”, questiona o analista.

“Dado que essas armas podem ser usadas tanto por criminosos e atores não estatais, quanto por países, estamos diante de um ambiente complexo e muito difícil”, conclui.

Rússia critica investigação de queda de avião malaio na Ucrânia

Três dos acusados por queda de avião são russos

Três dos acusados por queda de avião são russos
Eva Plevier/ Reuters – 19.6.2019

O Ministério das Relações Exteriores da Rússia criticou nesta quarta-feira (19) as conclusões apresentadas pela Equipe de Investigação Conjunta (JIT) sobre o envolvimento de três cidadãos russos na queda do avião da Malaysia Airlines MH17 no leste da Ucrânia em 2014 e as tachou de “infundadas”.

“As declarações feitas pela JIT sobre o suposto envolvimento de militares russos na queda do Boeing malaio MH17 são lamentáveis”, afirmou em comunicado a chancelaria da Rússia.

“Mais uma vez são formuladas acusações totalmente infundadas contra a Rússia, encaminhadas a desacreditar o país aos olhos da comunidade internacional”, sustentou Moscou.

A JIT responsabilizou hoje em entrevista coletiva na cidade de Nieuwegein, na Holanda, três russos e um ucraniano pelo envolvimento na derrubada do avião da Malaysia Airlines e anunciou que todos serão julgados em 2020.

O governo russo afirmou que, assim como em entrevistas coletivas anteriores da JIT, “nesta ocasião também não foi apresentada nem uma só prova concreta que apoie este tipo de declarações ilícitas”.

O ministério considerou que a JIT se limitou a argumentos “pouco sensatos apoiados em fontes duvidosas” e ignora os dados divulgados pela Rússia e a acusa de se negar a cooperar.

“Rejeitamos decididamente este tipo de acusação. Desde o primeiro dia desta tragédia a Rússia se interessou ao máximo em estabelecer a verdade e esteve disposta a apoiar a investigação”, indicou.

Segundo Moscou, as entidades especializadas russas realizaram “um trabalho colossal” para ajudar na investigação, que vai desde revelar dados secretos sobre equipamento bélico russo até a realização de testes complexos e a entrega de dados de radares e documentação que provariam que o míssil que derrubou o MH17 pertencia à Ucrânia.

Além disso, a Rússia apresentou perícias que, segundo alega, provam que parte dos materiais utilizados pela JIT “foi falsificada”.

O Ministério das Relações Exteriores reiterou que a JIT não aceita a colaboração de Moscou na investigação, enquanto a Ucrânia participa plenamente das apurações, “permitindo-lhe falsificar as provas e diminuir sua responsabilidade por não fechar seu espaço aéreo”.

“Nestas circunstâncias, surgem inquietações justas em relação à qualidade do trabalho da JIT. Tudo isso confirma nossas preocupações em relação à parcialidade do processo”, acrescentou.

A JIT, formada depois do desastre, revelou no ano passado em um relatório que o sistema de mísseis que derrubou o avião malaio pertencia a uma unidade militar russa, que o transferiu da cidade de Kursk a um território controlado por separatistas pró-Rússia em Donetsk (leste da Ucrânia) um mês antes do ataque.

Após a publicação do relatório, Holanda e Austrália, países dos quais procedem a maioria das vítimas, responsabilizaram formalmente a Rússia de “participar” da derrubada do MH17.

A Rússia negou categoricamente os dois principais argumentos da comissão de investigação: que o míssil que abateu o avião foi lançado de uma região controlada pelos separatistas pró-Rússia e que a plataforma de lançamento saiu da Rússia, para onde teria retornado após a catástrofe.

Um total de 298 passageiros e tripulantes, entre eles 196 holandeses, viajavam no voo da Malaysia Airlines entre Amsterdã e Kuala Lumpur, quando foi derrubado em uma área do leste da Ucrânia envolvida em um conflito armado desde abril de 2014.

Disputa pela sucessão de Theresa May continuará com 4 candidatos

Boris Johnson é grande preferido para cargo

Boris Johnson é grande preferido para cargo

Hannah McKay/ Reuters – 19.6.2019

Quatro candidatos seguem no processo de primárias para suceder Theresa May à frente do Partido Conservador e do governo do Reino Unido, depois que o ministro de Desenvolvimento Internacional, Rory Stewart, foi eliminado nesta quarta-feira (19).

Na terceira votação do processo para escolher o novo líder “tory”, o ex-prefeito de Londres, Boris Johnson, que defende a saída da União Europeia (UE) em 31 de outubro com ou sem acordo, voltou a ser o candidato mais respaldado, ao somar 143 dos 313 votos emitidos.

Amanhã serão realizadas novas rodadas de votações, até que restem apenas dois candidatos, que se submeterão então a uma eleição entre os filiados da legenda britânica, cujo vencedor será conhecido no final de julho.

Depois de Johnson, o ministro das Relações Exteriores, Jeremy Hunt, obteve hoje 54 votos, enquanto o titular de Meio ambiente, Michael Gove, conseguiu 51 e o de Interior, Sajid Javid, 38.

Stewart, com 27 votos, foi o candidato menos votado da terceira rodada e, por isso, foi eliminado do processo.

O titular de Desenvolvimento Internacional era o candidato mais moderado a respeito do Brexit e o único que se opunha em qualquer circunstância a uma ruptura não negociada com a UE.

Stewart advertiu nos últimos dias que a UE não outorgará ao Reino Unido mais concessões que as que já foram negociadas com May.

Os quatro “tories” que se mantêm no processo de primárias, por outro lado, apostam em renegociar o acordo de saída, apesar de Bruxelas ter reiterado até agora que não modificará os termos já pactuados.

Johnson, o favorito para ocupar o escritório do número 10 da Downing Street, sugeriu que não pagaria a fatura de saída da UE, de 44 bilhões de euros, se não houvesse mudanças nas condições do divórcio.

O vencedor das primárias conservadoras, que será conhecido durante a semana de 22 julho, herdará o cargo de primeiro-ministro de May, que antecipou sua intenção de renunciar no final de maio.

Riad questiona credibilidade da ONU sobre morte de Khashoggi


Courtesy of Saudi Royal Court via REUTERS/30.05.2019

O ministro das Relações Exteriores da Arábia Saudita, Adel al Jubeir, questionou a credibilidade da investigação divulgada nesta quarta-feira (19) pela ONU, que vincula o príncipe herdeiro Mohammad bin Salman com o assassinato do jornalista Jamal Khashoggi no consulado do seu país em Istambul.

“O relatório inclui contradições claras e acusações sem fundamento que fazem questionar sua credibilidade”, declarou Al Jubeir na sua conta oficial do Twitter, na primeira reação oficial do reino saudita às acusações contra o príncipe e outros representantes da monarquia pelo assassinato do jornalista em outubro do ano passado.

Além disso, acrescentou que o relatório de 100 páginas apresentado pela relatora das Nações Unidas para execuções extrajudiciais, Agnes Callamard, “não é nada novo” e “repete no seu relatório não vinculativo” dados já publicados nos meios de comunicação.

Turquia concorda com relatório

O governo da Turquia apoia o relatório elaborado pelas ONU que responsabiliza o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammad bin Salman, pelo assassinato do jornalista saudita Jamal Khashoggi em outubro de 2018 e pediu que as investigações sigam nesta direção.

“Respaldamos com firmeza as recomendações da relatora (das Nações Unidas para as execuções extrajudiciais, Agnes Callamard) para esclarecer o assassinato de Khashoggi e fazer os responsáveis prestar contas”, escreveu o ministro das Relações Exteriores turco, Mevlüt Çavusoglu, em sua conta no Twitter.

Jornalista foi morto em consulado

Khashoggi, colunista do jornal The Washington Post e crítico à monarquia do seu país, foi assassinado e esquartejado, supostamente por agentes sauditas, no consulado da Arábia Saudita em Istambul em 2 de outubro do ano passado.

A morte do jornalista “constitui um crime no qual outros Estados podem aplicar a jurisdição internacional, razão pela qual peço a estes que tomem as medidas necessárias”, ressaltou no texto a relatora, que também citou a existência de “evidências críveis” para investigar a responsabilidade de Bin Salman.

Pressão internacional

No documento, que na próxima semana será apresentado oficialmente ao Conselho de Direitos Humanos, Callamard pede à comunidade internacional que aumente as sanções contra o príncipe saudita e suas propriedades, “até que possa provar que não tem nenhuma responsabilidade”.

Nesse sentido, Al Jubeir indicou que os julgamentos em andamento no caso do assassinato de Khashoggi são assistidos por representantes das embaixadas dos cinco países-membros permanentes do Conselho de Segurança (China, Estados Unidos, França, Rússia e Reino Unido), além da Turquia e de organizações de direitos humanos sauditas, que não mencionou.

No último dia 3 de janeiro foi realizada a primeira audiência do julgamento dos 11 acusados formalmente pelo crime. A promotoria saudita pediu a pena de morte para cinco deles, sem identificá-los.

“O reino ordenou a realização das investigações necessárias que levaram à detenção de várias pessoas acusadas pelo caso e os interrogatórios continuam e os julgamentos seguem seu curso”, declarou Al Jubeir.

O relatório das Nações Unidas também critica a resposta internacional ao crime, que considera “pouco efetiva”, e afirma que sanções como as impostas pelos Estados Unidos contra 17 altos cargos sauditas (entre os quais não se encontra o príncipe Bin Salman) são “insuficientes” e devem ser aumentadas.

Entre os sancionados pelos Estados Unidos estão o antigo assessor da monarquia saudita Saud al-Qahtani, considerado o principal autor intelectual do assassinato, e Mohamad al Otaibi, cônsul em Istambul no momento do crime.

Al Jubeir rejeitou “firmemente qualquer tentativa de prejudicar a liderança do reino ou de tirar o caso do caminho da justiça do reino ou de influenciar nele da forma como seja”, e acrescentou que “a soberania do reino e o comando das suas instituições judiciais neste caso é um tema que não se questiona”.

Terremoto de magnitude 5,5 sacode Argentina e é sentido no Chile

Tremor foi sentido em Mendoza

Tremor foi sentido em Mendoza
Fernando Mellis/R7

Um terremoto de magnitude 5,5 na escala Richter, que na noite de quarta-feira (19) estremeceu a cidade de Mendoza, na Argentina, também foi sentido em várias regiões do Chile, mas sem informações de vítimas ou danos materiais, de acordo com informações das autoridades chilenas.

Segundo o Centro Sismológico Nacional da Universidade do Chile, o movimento telúrico foi registrado às 21h23 (horário local, 22h23 de Brasília), com um epicentro a 92 quilômetros de Mendoza.

O hipocentro, por sua vez, estava localizado a 191,8 quilômetros de profundidade.

O Onemi (Escritório Nacional de Emergência do Chile), subordinado ao Ministério do Interior, informou que o terremoto abalou as regiões chilenas de Coquimbo, Valparaíso, região metropolitana de Santiago e O’Higgins.