Juristas consideram ações de Trump passíveis de impeachment

Juristas consideraram a conduta de Trump como passível de impeachment

Juristas consideraram a conduta de Trump como passível de impeachment
Jonathan Ernst / Reuters – 4.12.2019

Especialistas em direito constitucional convocados por democratas disseram em depoimentos nesta quarta-feira (4) que as ações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em relação à Ucrânia representam delitos passíveis de impeachment, depois que o Comitê Judiciário da Câmara dos Deputados iniciou os procedimentos que devem terminar com acusações contra Trump.

Um professor de direito selecionado pelos colegas republicanos de Trump disse que o inquérito de impeachment carecia de testemunhos de pessoas com conhecimento direto dos eventos e que as evidências atuais não mostram que Trump cometeu “um ato criminoso claro”.

Audiência conturbada

A audiência momentos políticos teatrais. Desde o início, os republicanos tentaram repetidamente interromper os procedimentos, levantando objeções e questões de ordem. Uma dos três professores convocados pelos democratas disse ao principal republicano do comitê, Doug Collins, que ela se sentiu insultada por seus comentários.

O inquérito de impeachment lançado em setembro pela Câmara, liderada pelos democratas, concentra-se no pedido do presidente republicano para que a Ucrânia conduzisse investigações que poderiam prejudicar o rival político democrata Joe Biden.

O Comitê Judiciário ouviu os quatro professores de direito durante sua primeira audiência para examinar se as ações de Trump se qualificam como “crimes graves e má governança” puníveis com impeachment sob a Constituição dos EUA. Se a Câmara aprovar artigos de impeachment — acusações formais —, o Senado então realizará um julgamento sobre a eventual remoção de Trump do cargo.

Relatório e acusações

Os três comitês que lideram a investigação divulgaram um relatório na terça-feira acusando formalmente Trump de abusar de seu cargo ao solicitar interferência estrangeira para aumentar suas chances de reeleição em 2020, minar a segurança nacional e ordenar uma campanha “sem precedentes” para obstruir o Congresso. Outro comitê da Câmara realizou anteriormente uma rodada de audiências públicas com depoimentos de autoridades norte-americanas atuais e antigas.

Em Londres, Trump chamou o relatório de impeachment de “piada”.

O ponto central do processo de impeachment é a possibilidade de Trump ter abusado do poder de seu cargo para forçar a Ucrânia a investigar o ex-vice-presidente Joe Biden, um dos principais nomes democratas que tentam garantir a candidatura do partido para enfrentar Trump nas eleições presidenciais de 2020.

Os três professores escolhidos pelos democratas deixaram claro que acreditam que as ações de Trump constituem delitos passíveis de impeachment.

“A conduta descrita do presidente pelo depoimento personifica a preocupação dos autores (da Constituição) de que um presidente em exercício abusaria de forma corrupta dos poderes do cargo para distorcer o resultado de uma eleição presidencial a seu favor”, disse Noah Feldman, professor de Direito da Universidade de Harvard.

‘Na internet, na vida real’: Capital do Natal portuguesa irrita turistas

Sem "neve nas ruas", parque português decepcionou muitos turistas espanhóis

Sem “neve nas ruas”, parque português decepcionou muitos turistas espanhóis
Reprodução via EFE

O Natal não tem sido uma época feliz entre Espanha e Portugal por conta de um parque temático natalino, a “Capital do Natal”, inaugurado há menos de uma semana nas proximidades de Lisboa e que já acumula mais de 100 queixas de turistas espanhóis, que reclaman que não há neve nas ruas e nem renas com chifres.

“Inspirado na Lapônia”, assegurou a empresa organizadora Christmas Fun Park para promover o parque, 72 mil m² cobertos de carpete verde e divididos por uma “montanha” que é um tobogã onde as crianças descem em boias, uma roda gigante, lojas, uma pista de patinação e um lago.

Imagens promocionais 'enganaram' turistas

Imagens promocionais ‘enganaram’ turistas

Reprodução Instagram

Também, dentro de tendas em forma de iglu espalhadas pela área, existem oficinas para fazer biscoitos, escolas de elfos, a maior pista de patinação no gelo do país — com 1.000 m² — e, finalmente, a joia da coroa, uma atração que recria um ambiente polar a -2ºC, com esculturas de gelo e batalhas de bolas de neve.

Uma autênica capital do Natal, como diz o nome, que obteve uma enorme repercussão na mídia em Portugal en a Espanha, mas que em seu primeiro fim de semana de atividades — com preços de 25 euros (cerca de R$ 116) para crianças e 30 euros (cerca de R$ 140) para adultos — fracassou inesperadamente.

Longas filas, chão sujo de barro e renas sem chifres foram algumas das críticas dos usuários, na maioria espanhóis da região de Extremadura, na divisa com Portugal. Eles também destacaram que não havia neve nas ruas, como aparecia nas fotos promocionais divulgadas pelo parque, que pareciam tiradas de um cartão postal.

Na segunda-feira passada, o número de queixas na União de Consumidores de Extremadura, por propaganda enganosa passou de cem. Vários municípios, como Villanueva del Fresno, suspenderam excursões que estavam previstas, após “comprovar que o parque não cumpre as mínimas expectativas”.

A empresa responsável pelo parque se defendeu dizendo que essas expectativas estavam fundamentadas em fotos que não foram divulgadas por ela e que são de sites e blogs “alheios”.

O parque também se declara “vítima”

“São sites que não são nossos, blogs e agências de viagens da Espanha que decidiram, por sua própria conta, promover o nosso projeto. O fizeram com base em informações da imprensa portugesa e sem nos contatar diretamente”, explicou à Efe Rui Madureira, um dos responsáveis pela empresa.

As fotos e frases exageradas, que ofereciam pistas de esqui com gelo e neve reais nunca partiram da empresa, insistiu Madureira, que assegura que os donos do parque também são “vítimas” nessa situação.

A polêmica pode causar um prejuízo de “centenas de milhares de euros” a um projeto que teve investimento de mais de 6 milhões de euros (cerca de R$ 28 milhõeS), o que fez com que os responsáveis anunciassem que iriam entrar com ações contra quem, segundo eles, inventaram acusações para prejudicá-los.

Ainda assim, eles admitiram alguns problemas. Parte do solo ficou enlameada por causa das intensas chuvas registradas no sábado, “mais fortes do que o normal”. Isso, por sua vez, fez com que as filas das atrações cobertas se tornassem maiores do que o esperado e sobrecarregou os funcionários.

O caso das renas é um pouco diferente.

“Estão sem chifres porque eles caem no início do outono e voltam a crescer na primavera, é um processo natural”, afirma o empresário. Os animais foram retirados do parque para “não ofender” as pessoas que criticaram o uso deles, e também por uma intervenção do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas.

“Histeria coletiva”

A confusão foi além de Extremadura e se instalou no próprio Ajuntamento de Oeiras, o município onde foi montado o parque e cujo vice-prefeito, Francisco Gonçalves, assegurou que as críticas são “histeria coletiva”

“As pessoas achavam que iam poder montar na rena, não adianta esperar demais”, disse à Efe o turista Axel, que visitou o parque com a mulher e o filho. A família viajou de Barcelona e disse que recebeu avisos dos problemas antes de chegar. Após visitar o parque, disseram que “há coisas que podem melhorar”, mas que o parque cumpre as expectativas.

“Poderia haver um pouco mais de atividades, acho que o espaço é muito grande e as coisas estão meio distantes, ou não tem tantas pessoas como eu esperava. Podiam por um tipo de atração a mais”, diz Jessica.

Fátima e Fernando, que vieram de Cáceres, disseram à Efe que estavam satisfeitos. “Vi o anúncio na internet, as fotos que eram tão polêmicas, mas mesmo assim queria ver com meus próprios olhos”, explicou Fátima. “Não vi as coisas tão ruins como disseram. É verdade que não há neve, mas de resto está tudo bem”

EUA: marinheiro mata dois civis na base naval de Pearl Harbor, no Havaí

O comandante Chadwick (centro) disse que ainda não ficaram claro as motivações do atirador

O comandante Chadwick (centro) disse que ainda não ficaram claro as motivações do atirador
Reprodução/Reuters

Um marinheiro atirou contra funcionários civis da base naval em Pearl Harbor, perto de Honololulu, no Havai, na tarde desta quarta-feira. Dois funcionários morreram e um terceiro ficou ferido e está hospitalizado em condições estáveis.

O atirador também morreu após, aparentemente, cometer suicídio, segudo o contra-almirante Robert Chadwick, comandante da região da Marinha do Havaí. 

O comandante Chadwick disse à imprensa local que não ficou claro imediatamente se o marinho que efetuou os disparos, conhecia as vítimas – todos os funcionários do estaleiro – ou se os três foram alvos aleatoriamente. Os nomes das vítimas e do atirador não foram divulgados.

Ele também não deu detalhes sobre que tipo de arma foi usada ou um possível motivo. A Base Conjunta de Pearl Harbor-Hickam informou, pelo Twiiter, que está sendo realizada uma investigação sobre a natureza da arma envolvida no tiroteio, já que armas pessoais não são permitidas na base.

Os acessos à base chegaram a ser fechados, mas já voltaram a ser liberados. 

As autoridades disseram que pelo menos 100 testemunhas estavam sendo entrevistadas sobre o incidente.

O governador do Hawaí, David Ige, disse que a Casa Branca ofereceu assistência após o tiroteio.

“Uno-me em solidariedade com o povo do Havaí enquanto expressamos nossa mágoa por esta tragédia e preocupação pelas pessoas afetadas pelo tiroteio”, disse Ige, em comunicado.

Pelo Twitter, a senadora havaiana Mazie Hirono afirmou que “enquanto a investigação sobre esse incidente continua, meus pensamentos estão com as vítimas da terrível tragédia e com suas famílias”. 

Aos 88 anos, Nobel da Paz Desmond Tutu é internado com infecção

Arcebispo Desmond Tutu, Nobel da Paz em 1984

Arcebispo Desmond Tutu, Nobel da Paz em 1984
Nic Bothma/EFE

O prêmio Nobel da Paz em 1984, Desmond Tutu, de 88 anos, precisou ser internado devido a uma “infecção recorrente”, informou nesta quarta-feira a esposa do arcebispo emérito da Cidade do Cabo, Leah.

“O arcebispo foi hospitalizado várias vezes nos últimos anos por um problema semelhante”, acrescentou Leah em breve comunicado, sem fornecer detalhes sobre a data da internação ou o estado de saúde.

Tutu, que luta contra o câncer de próstata há anos, foi visto em público no dia 11 de novembro na Cidade do Cabo, durante a homenagem da prefeitura à seleção nacional de rúgbi, mais conhecida como ‘Springboks’, após o título na Copa do Mundo disputada no Japão.

 

O arcebispo já estava internado em setembro do ano passado em um hospital onde permaneceu por pouco mais de duas semanas.

Premiado com o Nobel da Paz em 1984 pela luta contra o regime de segregação racial do apartheid sul-africano, Tutu enfrenta o câncer de próstata há mais de uma década e, nos últimos anos, teve de ser hospitalizado várias vezes por causa de infecções.

Governo Trump tira 700 mil de programa de assistência alimentar

Corte pode afetar compras de até 700 mil nos EUA

Corte pode afetar compras de até 700 mil nos EUA

EBC

O governo Donald Trump anunciou, nesta quarta-feira (4), mudanças na forma de concessão do principal programa de assistência alimentar do país. Com isso, a partir de abril, cerca de 700 mil pessoas nos EUA devem parar de receber a assistência, que é distribuída na forma de cupons.

O Programa Suplementar de Assistência Nutricional (SNAP, na sigla em inglês), terá suas regras modificadas a partir de 1º de abril de 2020, segundo o anúncio feito pelo secretário de Agricultura Sonny Perdue.

“Somos um povo generoso, que acredita que é sua responsabilidade ajudar seus companheiros quando passam por um período difícil. Esse é o compromisso por trás do SNAP, mas como outros programas de bem-estar, não deveria ser um meio de vida”, disse Perdue.

Mudança nas regras

Pelas regras do SNAP, pessoas de 18 a 49 anos, sem filhos e sem deficiências, precisam ter trabalhado pelo menos 20 horas por semana durante três meses, em um período de três anos, para ter direito ao benefício. Estados que têm taxas de desemprego maior podiam ignorar essa restrição.

Pela nova lei, apenas estados com taxas de desemprego superiores a 7% poderão ignorar a restrição. A taxa nacional é de cerca de 3,6%. Com isso, calcula-se que cerca de 688 mil pessoas perderão o direito ao benefício. O governo alega que elas serão forçadas a procurar emprego.

“O governo não entende que muitas famílias estão se esforçando para sobreviver com empregos sazonais ou em meio período, sem horas garantidas. Trabalhadores da indústria turística ou funcionários com jornadas variáveis como garçons e garçonetes serão prejudicados por essa medida”, criticou a senadora democrata Debbie Stabenow, em entrevista à NBC News.

Trump rotula como ‘piada’ relatório para possível impeachment

Para o presidente Trump, democratas se agarram ao impeachment porque estão mal nas pesquisas para as eleições do ano que vem

Para o presidente Trump, democratas se agarram ao impeachment porque estão mal nas pesquisas para as eleições do ano que vem
Toby Melville/Reuters/04.12.2019

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, classificou como “piada” e “desgraça” o documento impulsionado por democratas para fundamentar o possível impeachment do governante.

Durante a cúpula da Otan em Watford, na Inglaterra, Trump expressou à imprensa o descontentamento com o processo e reclamou da escolha da data de hoje (quando se sabia que ele estaria no Reino Unido) para a realização da sessão do Comitê Judiciário da Câmara dos Deputados, que analisará o trâmite iniciado pelos democratas.

“É uma vergonha que o tempo esteja sendo desperdiçado” com isso, disse Trump ao se reunir com o primeiro-ministro da Itália, Giuseppe Conte, paralelamente à cúpula da Otan.

Na opinião de Trump, os democratas se agarram à possibilidade de impeachment (que ainda precisaria ser aprovado pelo Senado, onde os republicanos são maioria) porque estão mal nas pesquisas para as eleições presidenciais do ano que vem.

“A palavra ‘impeachment’ é ruim. Só deve ser usada em ocasiões especiais. Isso não deve voltar a acontecer com um presidente. É uma desgraça para o país”, disse o republicano.

A investigação impulsionada pelos democratas para abrir um processo de impeachment contra Trump entrou hoje em uma nova fase com a aprovação do relatório que servirá como base para uma eventual acusação.

O Comitê de Inteligência da Câmara dos Deputados revelou, em um documento de 300 páginas, os argumentos para o possível impeachment de Trump, acusado de ter colocado “interesses pessoais e políticos” acima dos interesses dos Estados Unidos.

O relatório mostra que Trump supostamente condicionou a prestação de assistência militar à Ucrânia à abertura de investigações por Kiev sobre o ex-vice-presidente e possível rival eleitoral Joe Biden, e seu filho Hunter, por suposta corrupção no país europeu, o que beneficiaria a campanha de Trump para a reeleição.

Como resultado da investigação legislativa, os democratas da Câmara dos Representantes afirmam que Trump cometeu abuso de poder, obstruiu as investigações do Congresso e comprometeu a segurança nacional.

‘Desagradável’, ‘delinquente’, ‘duas caras’: Insultos na cúpula da Otan

Foto oficial da Otan: Trump e Erdogan dispararam insultos contra outros líderes

Foto oficial da Otan: Trump e Erdogan dispararam insultos contra outros líderes
Peter Nicholls/Pool via Reuters – 4.12.2019

Líderes da Otan deixaram de lado insultos públicos que vão de “delinquente” a “morte cerebral”, nesta quarta-feira (4), declarando na cúpula do 70º aniversário que vão se unir contra uma ameaça comum da Rússia e se preparar para a ascensão da China.

Autoridades insistiram que a cúpula foi um sucesso. Notavelmente, o presidente da Turquia, Tayyip Erdogan, recuou de uma ameaça aparente de bloquear os planos de defesa do norte e leste da Europa, a menos que os aliados declarassem combatentes curdos na Síria como terroristas.

Mas a reunião começou e terminou em uma animosidade alarmante, mesmo para a era do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que na chegada afirmou que o presidente francês é “desagradável” e na saída chamou o primeiro-ministro do Canadá de “duas caras” por zombar dele.

Protegendo uns aos outros

“Conseguimos superar nossas divergências e continuar cumprindo nossas principais tarefas de proteger e defender um ao outro”, afirmou o sempre otimista secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, em entrevista coletiva.

Em uma declaração conjunta, os líderes disseram: “As ações agressivas da Rússia constituem uma ameaça à segurança euro-atlântica; o terrorismo em todas as suas formas e manifestações continua sendo uma ameaça persistente para todos nós”.

A cúpula de meio dia em um resort de golfe nos arredores de Londres tinha a expectativa de ser complicada. Autoridades esperavam evitar a animosidade ocorrida na reunião do ano passado, quando Trump se queixou de aliados que não carregavam o peso da segurança coletiva.

 

Mas a reunião deste ano foi dificultada ainda mais por Erdogan, que lançou uma incursão na Síria e comprou mísseis russos contra as objeções de seus aliados, e pelo presidente francês Emmanuel Macron, que descreveu a estratégia da aliança como morte cerebral em uma entrevista no mês passado.

Em público, parecia pior do que o esperado, começando na terça-feira quando Trump considerou os comentários de Macron como “muito, muito desagradáveis” e descreveu aliados que gastam muito pouco em defesa como “delinquentes” – um termo que autoridades disseram que Trump usou novamente na quarta-feira, a portas fechadas, durante a cúpula.

Na recepção do Palácio de Buckingham, na noite de terça-feira, Justin Trudeau, do Canadá, foi flagrado pelas câmeras com Macron, o britânico Boris Johnson e o holandês Mark Rutte rindo das longas aparições de Trump na imprensa.

Quando a cúpula terminou na quarta-feira, Trump decidiu não realizar uma entrevista coletiva final, dizendo que já havia falado o suficiente. “Ele tem duas caras”, disse Trump sobre Trudeau.

Segurança das comunicações

No entanto, autoridades disseram que decisões importantes foram tomadas, incluindo um acordo para garantir a segurança das comunicações, incluindo novas redes de telefonia móvel 5G.

Os Estados Unidos querem que os aliados proíbam equipamentos da maior fabricante de equipamentos de telecomunicações do mundo, a empresa chinesa Huawei.

“Eu acho que é um risco à segurança, é um perigo à segurança”, disse Trump em resposta a uma pergunta sobre a Huawei, embora a declaração dos líderes não tenha se referido à empresa pelo nome.

“Falei com a Itália e eles parecem que não vão avançar com isso. Falei com outros países, eles não vão avançar”, afirmou ele sobre contratos com a Huawei.

Antes da cúpula, Johnson – o anfitrião britânico que enfrenta uma eleição na próxima semana e optou por evitar fazer aparições públicas com Trump – apelou pela unidade. “Claramente, é muito importante que a aliança permaneça unida”, disse ele.

“Mas há muito mais que nos une do que nos divide”.

O que revelam as fotos de Kim Jong-un cavalgando em monte sagrado na Coreia do Norte

Kim Jong-un estava acompanhado por sua esposa e altos oficiais militares

Kim Jong-un estava acompanhado por sua esposa e altos oficiais militares


BBC NEWS BRASIL

A Coreia do Norte divulgou fotos de seu líder, Kim Jong-un, andando mais uma vez a cavalo no sagrado Monte Paektu. O movimento é cheio de simbolismo: as viagens anteriores até a montanha precederam grandes anúncios.

É a segunda vez em menos de dois meses que o líder norte-coreano é visto sobre um cavalo branco na montanha. Nas imagens mais recentes, ele aparece acompanhado por sua esposa e altos oficiais militares.

O último passeio a cavalo ocorreu quando a mídia estatal informou que haveria uma rara reunião dos líderes do partido no final deste mês para discutir “questões cruciais” sobre “a situação alterada internamente e no exterior”. Não foram divulgados mais detalhes sobre o que seria discutido.

Kim estabeleceu um prazo até o fim do ano para os EUA oferecerem mais concessões para salvar as negociações sobre o programa nuclear norte-coreano. Em um comunicado divulgado na terça-feira (03/12), o governo da Coreia do Norte disse que cabe aos EUA escolher o “presente de Natal” que quer receber de Pyongyang.

O que sabemos sobre a viagem?

A Agência Central de Notícias da Coreia (KCNA), que é estatal, divulgou na quarta-feira várias fotos de Kim, sua esposa e altos oficiais militares montando cavalos brancos no Monte Paektu, coberto de neve.

A agência informou que Kim visitou os “locais de batalhas revolucionárias” perto da montanha antes de chegar ao cume.

Antes, ele havia informado que subiu o pico de 2.750 metros a cavalo em meados de outubro.

Na última viagem, ele lembrou aos norte-coreanos “sempre viverem e trabalharem no espírito aguerrido de Paektu”, segundo a agência. Kim disse que isso é importante no momento em que “os imperialistas e inimigos de classe fazem uma tentativa mais frenética de minar as posições ideológicas, revolucionárias e de classe do nosso partido”.

 

Divulgação de imagens do líder cavalgando no Monte Paektu costumam preceder anúncios importantes

Divulgação de imagens do líder cavalgando no Monte Paektu costumam preceder anúncios importantes
KCNA/AFP

 

 Kim pediu aos norte-coreanos que trabalhem para 'defender as gloriosas tradições revolucionárias'

Kim pediu aos norte-coreanos que trabalhem para ‘defender as gloriosas tradições revolucionárias’


AFP/KCNA

“É a determinação e a vontade consistentes de nosso partido de defender e levar por toda a eternidade as gloriosas tradições revolucionárias que têm suas raízes no Monte Paektu”, acrescentou.

Qual é o simbolismo?

O Monte Paektu tem um lugar especial na identidade do país: um vulcão ativo, é considerado o local de nascimento do pai de Kim, Kim Jong-il, e serviu como uma base militar importante para seu avô Kim Il-sung, o líder fundador da Coreia do Norte.

O pico da montanha, situado na fronteira com a China, é considerado um lugar sagrado no folclore coreano. Acredita-se que é o local de nascimento de Dangun, o fundador do primeiro reino coreano há mais de 4.000 anos.

Kim Jong-un no Mount Paektu em outubro

Kim Jong-un no Mount Paektu em outubro


AFP

Isso também é parte da propaganda que glorifica a família Kim, que se diz descendente de uma “linhagem do Monte Paektu”.

Michael Madden, especialista em Coreia do Norte, disse à BBC que “cavalos e as cavalgadas têm um grande simbolismo na cultura coreana em geral e na cultura política (da Coreia do Norte) em particular”.

Os cavalos aparecem na mitologia coreana por meio de Chollima, um cavalo com asas que percorre pelo menos 400 km por dia, e Mallima, um cavalo que pode percorrer longas distâncias a velocidades extremamente rápidas. Referências a ambos foram usadas na condução de construções econômicas no país, disse Madden.

Ele acrescentou que, andando a cavalo, Kim também estava aludindo às “origens de Kim Il-sung como um combatente da guerrilha, que é uma maneira de evidenciar as referências ‘antiimperialistas’.”

O que isso poderia significar?

Analistas dizem que a visita ao monte pode sinalizar os preparativos para uma postura mais conflituosa.

“A mensagem está pronta, ‘será um grande ano para nós'”, avaliou o professor John Delury, da Universidade Yonsei, em Seul, em entrevista à agência de notícias Reuters. “Não será um ano de diplomacia e cúpula, mas sim de força nacional.”

Ele acrescentou que a reunião dos líderes do partido também foi significativa. “Esta não é uma reunião padrão”, disse ele, explicando que foi a primeira vez que esse encontro ocorreu duas vezes em um ano durante a gestão de Kim.

Rachel Minyoung Lee, analista do site de monitoramento NK News, disse que a decisão de realizar a reunião antes do fim do ano “indica sua forte determinação”.

“Considerando o anúncio da plenária do partido e a visita ao Monte Paektu juntos, a ‘resolução’ parece ser que a Coreia do Norte não vai ceder aos EUA e que continuará resistindo apesar das dificuldades”, disse ela à Reuters.

As negociações nucleares entre a Coreia do Norte e os EUA foram paralisadas, com Pyongyang buscando mais concessões para voltar à mesa. Pyongyang deu aos EUA até o final do ano para acabar com sua “política hostil” ou disse que seguiria um “novo caminho”.

 

Donald Trump esteve com Kim Jong-un na zona desmilitarizada que separa as duas Coreias neste ano

Donald Trump esteve com Kim Jong-un na zona desmilitarizada que separa as duas Coreias neste ano


Reuters

Os EUA pediram a Pyongyang que se desfaça de uma porção significativa de seu arsenal nuclear antes que as sanções econômicas sejam flexibilizadas.

Especialistas disseram que é improvável que os EUA façam novas propostas que satisfaçam a Coreia do Norte.

Na terça-feira, o presidente dos EUA, Donald Trump, pediu que Kim desnuclearize o país.

“Agora, temos as forças armadas mais poderosas que já tivemos, e somos de longe o país mais poderoso do mundo, e esperamos não precisar usar isso. Mas, se precisarmos, vamos usar”, disse, de acordo com a Associated Press.

Quais foram as outras vezes em que Kim subiu a montanha?

Kim teria subido a montanha várias vezes no passado, muitas vezes antes de fazer grandes anúncios. Isso inclui uma viagem à montanha em 2017, que ocorreu algumas semanas antes do discurso de seu ano novo, em que ele sugeriu uma suavização diplomática com a Coreia do Sul.

 

Kim Jong-un no monte sagrado em 2015

Kim Jong-un no monte sagrado em 2015


EPA

No ano seguinte, ele fez uma visita conjunta à montanha com o presidente sul-coreano, Moon Jae-in.

A visita de dois meses atrás provocou especulações de uma mudança na estratégia de negociação nuclear de Pyongyang.

Neonazistas picham suásticas em mais de 100 sepulturas na França

Um cemitério judaico na cidade de Westhoffen, no leste da França, amanheceu com 107 sepulturas depredadas e pichadas com suásticas na última terca-feira (3). A polícia local abriu uma investigação e suspeita da atuação de um grupo neonazista

Leia também: Cidadãos e políticos marcham contra antissemitismo na França

O ministro do Interior da França, Christophe Castaner (na foto de casaco azul), visitou o cemitério nesta quarta (4) e chamou o incidente de um “ato revoltante de antissemitismo”, segundo a CNN

“Quero dizer para aqueles que acham que podem vir aqui no meio da noite e depredar a memória daqueles que estão enterrados aqui, que não vamos deixá-los em paz e todos os nossos recursos serão mobilizados para dar uma resposta a isso tudo”, disse Castaner

O presidente da França, Emmanuel Macron, condenou o ataque na terça-feira em seu perfil no Twitter. “O antissemitismo é um crime e vamos lutar contra ele em Westhoffen e em todas as partes”, escreveu ele

A região da Alsácia, na fronteira da Alemanha, onde fica Westhoffen, tem registrado um aumento nos ataques antissemitas. Em fevereiro, outro cemitério judaico, na vila de Quatzenheim, já havia sido depredado: 96 lápides foram pichadas com suásticas

A França tem a maior comunidade judaica da Europa, com cerca de 500 mil judeus, e vem registrando grandes aumentos nos incidentes antissemíticos. De 2017 para 2018, o crescimento foi de 74% no número de atos contra judeus: 311 contra 541