Doze mortes foram registradas em protestos no Iraque

Estudantes universitários carregam a bandeira nacional iraquiana durante protesto em Bagdá

Estudantes universitários carregam a bandeira nacional iraquiana durante protesto em Bagdá
EFE/EPA/MURTAJA LATEEF – 26/01/2020

As manifestações populares realizadas neste sábado (25) e domingo (26) no Iraque, contra a estrutura política e a corrupção no país, deixou saldo de 12 mortos, segundo informações obtidas pela Agência Efe.

A praça Al Wazba, no centro de Bagdá, foi cenário de intensos confrontos entre os manifestantes e as forças de segurança, que desde ontem realizam operação para desmantelar os acampamentos montados em diversos pontos do território iraquiano.

Também houve incidentes nas localidades de Basora, Maysan e Diwaniya, todas no sul do país, onde protestos desafiaram as ações dos agentes, que responderam com lançamento de bombas de gás para tentar dispersar o público.

As manifestações acontecem de maneira ininterrupta no Iraque desde outubro do ano passado, com cobrança pela melhora dos serviços básicos e pelo fim da corrupção, com pedido de renúncia para toda a cúpula do governo do país.

O movimento segue, apesar da saída do grupo do clérigo xiita Muqtada al Sadr, que encabeçou à resistência à invasão dos Estados Unidos ao Iraque em 2003.

De acordo com o balanço dos confrontos do fim de semana feito pela independente Comissão de Direitos Humanos Iraquiana, 12 manifestantes morreram e 230 ficaram feridos.

Além disso, ontem e hoje foram registradas 89 prisões, o que fez a organização pedir em comunicado que todas as partes protejam “as vidas e as propriedades”. 

 

Mísseis caem perto da Embaixada dos EUA em Bagdá

Vista geral da embaixada dos EUA na zona verde de Bagdá, Iraque

Vista geral da embaixada dos EUA na zona verde de Bagdá, Iraque
REUTERS / Stringer – 7/01/2020

Cinco foguetes Katyusha impactaram neste domingo (26) os arredores da Embaixada dos Estados Unidos em Bagdá, um dos frequentes ataques contra a instalação que se repetem sem deixarem vítimas desde o aumento da tensão entre os governos de EUA e Irã no início de janeiro.

Uma fonte do Ministério do Interior do Iraque disse à Agência Efe que cinco projéteis caíram perto do edifício diplomático, localizado na Zona Verde, uma área fortificada de Bagdá onde estão localizadas todas as embaixadas e escritórios do governo.

A Célula de Informação de Segurança do governo iraquiano confirmou que cinco mísseis caíram na Zona Verde sem causar danos, mas não detalhou se o fato ocorreu perto da embaixada americana.

Diversos mísseis já atingiram os arredores ou passaram sobre a Zona Verde nas últimas semanas, mas esses ataques não resultaram em nenhuma morte. Algumas pessoas já ficaram feridas, assim como edifícios e veículos danificados.

Em 20 de janeiro, três foguetes Katyusha caíram perto da Embaixada dos Estados Unidos e, pela primeira vez, o governo iraquiano ordenou uma investigação do incidente, embora as autoridades ainda não tenham identificado os autores.

Washington responsabiliza as milícias iraquianas apoiadas pelo Irã pelos ataques em solo iraquiano, em particular o grupo paramilitar Kata’ib Hezbollah, o qual acusa de realizar o ataque que matou um empreiteiro americano em 27 de dezembro no norte do Iraque.

Os ataques se multiplicaram desde que os EUA mataram o general iraniano Qasem Soleimani em um bombardeio em Bagdá na madrugada do dia 3 de janeiro. Em resposta, o Irã lançou mísseis contra bases militares iraquianas que abrigavam tropas americanas.

Número de mortos por terremoto no sudeste da Turquia sobe para 35

Equipes de resgate trabalham em prédio que desabou após terremoto em Elazig

Equipes de resgate trabalham em prédio que desabou após terremoto em Elazig
REUTERS/Stringer – 25.1.2020

As autoridades da Turquia elevaram neste domingo (26) para 35 o número de mortos em consequência do terremoto que sacudiu a província de Elazig, no sudeste do país, dois dias atrás, segundo veiculou a agência de notícias estatal “Anadolu”.

O tremor de terra, que alcançou 6,8 graus na escala Richter e teve o epicentro na zona rural da região, deixou cerca de 1.600 feridos, que precisaram ser atendidos em hospitais locais. Pelo menos 30 seguem em estado grave, recebendo tratamento intensivo.

As equipes de resgate seguem trabalhando desde o terremoto. Ao todo, 45 pessoas conseguiram ser retiradas dos escombros com vida, embora entre esse grupo, tenha ocorrido registro de morte posterior, em unidades de saúde do país.

O ministro do Interior, Süleyman Soylu, por exemplo, revelou a manhã deste domingo (hora turca), que após uma madrugada de trabalho sob temperaturas negativas, uma equipe segue buscando seis pessoas que foram soterradas na periferia da cidade de Elazig, capital da província homônima.

“Temos esperanças de resgatá-los sãos e salvos”, garantiu o titular da pasta, em entrevista coletiva.

O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, visitou no sábado (25) a região atingida pelo desastre e aproveitou para agradecer o sacrifício das equipes de resgate. Logo depois, o chefe de governo embarcou para viagem oficial para Argélia, Gâmbia e Senegal.

Desde o registro do terremoto, mais de 700 réplicas foram registradas, sendo que 20 tiveram magnitude superior a 4 na escala Richter. Esses novos tremores, no entanto, não resultaram em novos danos.

 

Heartland: como um geógrafo do século 19 desenvolveu a teoria que rege a geopolítica atual

Em 2014, Vladimir Putin propôs formar uma aliança euroasiática entre antigas repúblicas soviéticas

Em 2014, Vladimir Putin propôs formar uma aliança euroasiática entre antigas repúblicas soviéticas
Getty Images

Vivíamos em um mundo dominado pelos Estados Unidos, mas que, de certo modo, estava organizado por tratados internacionais. Isso, no entanto, está caindo por terra.

Os países mais poderosos estão fazendo valer seu potencial e, cada vez mais, criam suas próprias regras. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, por exemplo, já disse certa vez que “rechaça a ideia da globalização”.

Controlar territórios é um conceito importante para esses Estados, porque isso lhes proporciona poder econômico e apoio militar.

Trata-se de um jogo geopolítico que já era previsto por um geógrafo britânico que nasceu no século 19, chamado Halford John Mackinder.

Ele desenhou, em 1904, uma teoria que marcou profundamente a geopolítica durante décadas no século passado e que, agora, parece estar de volta.

Naquela época, os oceanos eram dominados pela Marinha britânica, que era crucial para que uma ilha como a Grã Bretanha mantivesse seu grande império.

No entanto, Mackinder pensou que essa situação se encontrava ameaçada. E foi aí que ele começou a se aprofundar sobre o que chamou de o “Heartland” (o coração da terra) da Eurásia.

Essa zona, segundo ele, englobava as áreas agrícolas da parte europeia da Rússia, se estendia por vastos territórios até a Ásia central e chegava até os bosques e as planícies da Sibéria, um território rico em recursos inexplorados como o carbono, a madeira e outros minerais.

Mackinder pensou que uma área tão extensa e rica, que ao mesmo tempo podia ser percorrida por um sistema ferroviário, era uma zona chave para os países com ânsia de poder.

Advertência

A Primeira Guerra Mundial trouxe como consequência uma reorganização das fronteiras que hoje segue influenciando a geopolítica

A Primeira Guerra Mundial trouxe como consequência uma reorganização das fronteiras que hoje segue influenciando a geopolítica
Getty Images

Quinze anos depois, após a Primeira Guerra Mundial, os líderes se reuniram em uma conferência de paz em Versalhes para redesenhar as fronteiras do mundo, expandir a democracia e acabar com a guerra para sempre.

Mas Mackinder pensou que, para que pudessem levar isso adiante, teriam de enfrentar a realidade geográfica e tomar certas precauções. Do contrário, temia, deixariam a porta aberta para a Rússia ou a Alemanha dominarem o Heartland e transformá-lo em uma base militar gigante.

A Primeira Guerra Mundial trouxe como consequência uma reorganização de fronteiras que hoje segue influenciando a geopolítica atual.

Dali, o poder do Heartland podia construir uma frota indestrutível, derrotar a poderosa Marinha britânica e finalmente dominar a Eurásia e a África — e converter-se na “Ilha do Mundo”.

Isso significava que Europa e Rússia deviam manter-se divididas. Mackinder escreveu essa teoria em um livro que chamou de Ideais Democráticos e a Realidade.

“Quem domina o leste da Europa, domina Heartland. Quem domina Heartland, reina na ‘Ilha do Mundo’. Quem domina a ‘Ilha do Mundo’ governa o mundo inteiro”, afirma a teoria de Mackinder.

Inspiração nazista

Em Munique (Alemanha), outro geógrafo e veterano da guerra chamado Karl Haushofer estudava os trabalhos de Mackinder.

Haushofer temia e odiava o vitorioso Império Britânico, o qual via como um estrangulador mundial. Foi assim que ele transformou a teoria de Heartland em uma estratégia.

Pensou que seu país, humilhado depois da grande guerra, podia formar uma grande aliança com a Rússia e Japão e assim cortar os tentáculos do poder naval britânico.

Essa teoria intrigou a um dos estudantes de Haushofer, Rudolf Hess, que era membro do novo partido nacional-socialista.

Em 1923, os nacional-socialistas tentaram tomar o poder, mas Hess terminou preso. Foi visitado por Haushofer, que ofereceu aulas tanto a ele quanto a seu companheiro de prisão, Adolf Hitler.

Dez anos depois, os nazistas conseguiram chegar ao poder. E, em 1939, o ministro de Relações Exteriores nazista e seu par soviético surpreenderam o mundo firmando um pacto de não agressão.

Haushofer celebrou a notícia. Pensava que se tratava do nascimento do grande poder territorial entre Rússia e Alemanha com o qual havia sonhado.

 

Mackinder queria alertar os líderes do mundo de que deveriam ter cuidado com a redistribuição das fronteiras após a Primeira Guerra Mundial. Da esquerda para a direita: Vittorio Orlando (Itália), Lloyd George (Grã Bretanha), Georges Clemenceau (França) e Woodwrow Wilson (EUA)

Mackinder queria alertar os líderes do mundo de que deveriam ter cuidado com a redistribuição das fronteiras após a Primeira Guerra Mundial. Da esquerda para a direita: Vittorio Orlando (Itália), Lloyd George (Grã Bretanha), Georges Clemenceau (França) e Woodwrow Wilson (EUA)
Getty Images

Imediatamente após as notícias sobre o pacto, a revista britânica New Statesman publicou um artigo para demonstrar como os nazistas haviam realizado seus planos geopolíticos por meio das ideias de Haushofer, por sua vez inspiradas por Mackinder.

Verdadeira ou não, a ideia de que Mackinder havia inspirado o pacto se estendeu pelos Estados Unidos. A revista Life publicou uma grande reportagem mapeando as ideias de Mackinder e explicando como seus conceitos estavam sendo usados por nazistas e como os americanos deviam estudá-lo.

Hollywood também se interessou por essa teoria, representando em um filme as reuniões entre Haushofer e Hess. O filme mostrava Haushofer como um gênio malvado a cargo de um grande Instituto de Geopolítica que supostamente estava por trás dos “planos de destruição” nazistas.

Nos Estados Unidos, “geopolítica” transformou-se em outra palavra para qualificar o fanatismo germânico.

A propaganda da indústria cinematográfica americana contou ao público que a teoria de Mackinder era a base da estratégia de Hitler.

A ideia de que sua teoria inspirou os nazistas perturbou Mackinder. Em 1943, a revista americana Foreign Affairs entrou em contato com ele para perguntar sua opinião geopolítica sobre os rumos da Segunda Guerra Mundial.

Durante a entrevista, Mackinder advertiu que “se a União Soviética saísse da disputa como conquistadora da Alemanha, se tornaria a grande potência terrestre do mundo”.

Em 1945, a Alemanha afundou. O regime nazista se rendeu de forma incondicional e o país foi dividido em duas zonas pelos Aliados.

O modelo de Mackinder passou a pressagiar o enfrentamento Leste-Oeste da Guerra Fria. Ocidente e a União Soviética viraram inimigos outra vez.

Depois que as forças pró-soviéticas absorveram Polônia, Hungria, Romênia e outros países, o poder que dominava o leste da Europa e Heartland passou a ser a União Soviética, não a Alemanha.

Nas universidades Ivy League (grupo formado por oito das universidades mais prestigiadas dos EUA), os acadêmicos já haviam estimulado o estudo de trabalhos de Mackinder para confrontar o risco de que um país dominasse a “Ilha do Mundo”.

Agora que os soviéticos estavam em expansão, as ideias de Mackinder chegaram ao diplomático americano George Kennan.

Ameaça soviética

Kennan propôs que, para evitar que a União Soviética dominasse a grande massa de terra euroasiática, era preciso contê-la de algum modo.

Mackinder morreu em 6 de março de 1947, mas suas ideias seguiram muito vivas.

Seis dias depois, o presidente Harry Truman disse ao Congresso dos Estados Unidos que eles deveriam conter a União Soviética e ajudar aos países ameaçados pela expansão comunista.

Dessa forma, o Ocidente capitalista e o Leste soviético se envolveram em uma Guerra Fria durante décadas.

Os Estados Unidos estabeleceram uma série de bases ao redor dos blocos dominados por soviétivos, da Alemanha a Itália, Turquia, Coreia do Sul e Japão.

Os críticos viam a contenção norte-americana como parte de uma agressiva e imperialista política exterior. Outros, por outro lado, argumentavam que protegia a democracia.

Em 1991, os passos em direção à queda da URSS haviam desencadeado demandas de independência em várias repúblicas soviéticas. Nada poderia parar a desintegração do bloco socialista oriental.

Novo enfoque

A teoria de Mackinder serviu de inspiração para Hitler e para o movimiento nazista na Alemanha

A teoria de Mackinder serviu de inspiração para Hitler e para o movimiento nazista na Alemanha
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Terminada a Guerra Fria, a teoria de Mackinder tomou outra matiz. Depois do abandono do comunismo, a economia russa estava presa entre sistemas soviéticos antigos e quebrados e a súbita introdução do capitalismo ocidental.

O contraste foi agressivo. E para muitos russos, representou o caos e humilhação. Então, novos pensadores políticos começaram a surgir.

Um foi o ex-dissidente de direita Aleksandr Dugin, que se envolveu profundamente com as ideias de Mackinder para apresentar a Rússia como um país aprisionado em meio às ânsias de poder do Ocidente. Em 1997, Dugin expressou suas ideias em um livro chamado Fundamentos da Geopolítica, que se tornou um best-seller.

“Em geopolítica, há dois polos absolutos de poder. O poder naval, que pertence ao Ocidente, e o poder terrestre, que é a Rússia. Há uma briga para controlar Heartland. Como dizia Mackinder, quem controla o leste da Europa, controla Heartland. E quem controla Heartland, domina o mundo”, disse, em uma conferência em Xangai.

Após sua libertação do domínio soviético, vários países do leste da Europa fizeram fila para unirem-se à Otan (a aliança militar do Atlântico Norte) e à União Europeia, com medo de futura agressão russa.

Mas se a Europa Oriental se preocupava com a Rússia, a Rússia se preocupava com a Otan.

Dugin usou a teoria de Mackinder para concluir que a Rússia deveria mover-se para dominar, mais uma vez, as antigas repúblicas soviéticas ou “Eurásia”.

Alguns acadêmicos argumentaram que as ideias de Dugin provaram ser úteis para os líderes russos que querem permanecer fortes diante do que consideram um excessivo domínio ocidental.

Em 2011, o presidente Vladimir Putin propôs a formação da União Econômica da Eurásia. E em 2014, na cerimônia realizada em Astana, capital do Cazaquistão, foi assinado um acordo entre este país, a Bielorrússia e a Rússia.

Logo outras ex-repúblicas soviéticas se juntaram, mas a situação pioraria em 2013.

Naquele ano, a Ucrânia estava em negociações para se juntar à União Europeia, mas o então presidente ucraniano, Víktor Yanukovich, retirou-se do pacto sob pressão russa.

Manifestantes pró-europeus ocuparam o centro de Kiev, e Yanukovych enviou a polícia armada, transformando a situação em um conflito sangrento.

Os protestos pró-russos foram realizados no leste da Ucrânia, que acabaram se tornando uma insurgência apoiada pela Rússia.

 

A teoria de Heartland define um território chave que, se for dominado por um país, se transformaria na potência mais poderosa do mundo

A teoria de Heartland define um território chave que, se for dominado por um país, se transformaria na potência mais poderosa do mundo
BBC

E no sul da Ucrânia, a Rússia aproveitou a oportunidade para anexar a Crimeia, que, como o leste do país, tem uma alta população étnica russa.

Um novo pretendente

Embora a Rússia controle grande parte de Heartland, isso não significa que controle a “Ilha do Mundo” na sua totalidade.

O território da Eurásia testemunhou o crescimento de uma nova potência, um novo pretendente ao controle da região: a China.

Se Mackinder vivesse hoje, talvez ele estivesse preocupado com as extensas redes ferroviárias que o país está construindo em todo o continente.

As relações entre a China e a Rússia são boas, mas, dadas as experiências do passado, nada garante que elas permaneçam no futuro.

Mais de um século depois de Mackinder, surge a pergunta: saber se suas teorias são parte do passado ou ainda são válidas no presente.

Sobe para 14 o número de mortos em explosão de gás em Lima

Explosão feriu mais de 50 pessoas e provocou um enorme incêndio

Explosão feriu mais de 50 pessoas e provocou um enorme incêndio
Paolo Aguilar/EFE – 23/01/2020

Aumentou para 14 o número de pessoas mortas devido à explosão de um caminhão que transportava gás na quinta-feira (23) no distrito de Villa El Salvador, que deixou também dezenas de feridos e várias lojas destruídas, informou neste sábado o Ministério da Saúde do Peru.

Embora apenas uma morte tenha ocorrido no local do acidente, as outras pessoas morreram em vários hospitais da capital peruana devido a queimaduras graves causadas pelo enorme incêndio, que inicialmente feriu mais de 50 pessoas.

Crianças tiveram queimaduras em 96% dos corpos

Entre as mortes estão dois menores de idade incluindo um menino de três e uma menina de quatro anos, que tiveram queimaduras em 96% dos corpos e morreram de parada cardiorrespiratória.

Também morreram recentemente três mulheres, identificadas como Isabel Marín, de 22 anos, que estava grávida; Rosalía Espíritu, de 52; e Janet Segovia, 39, assim como José Manuel Rodríguez, um venezuelano de 40 anos.

Entre as 14 pessoas que morreram até agora, há um total de cinco menores, seis mulheres e três homens, cujas idades variam de 18 a 61 anos.

Cerca de 40 feridos estão internados em vários hospitais de Lima, incluindo quatro crianças em estado grave no Instituto Nacional de Saúde da Criança.

“Temos quatro pacientes com queimaduras em 80% a 99% dos corpos. A condição é muito crítica, mas os nossos especialistas estão empenhados em ajudar estas crianças. Sabemos que a tarefa é difícil, mas não estamos perdendo a fé”, disse Daniel Koc Gonzales, pediatra-chefe do centro médico. 

Comunidade na Austrália tenta se reerguer depois de incêndios

Os incêndios na Austrália destruíram tudo o que viram pela frente, e isso incluiu cidades e pequenas comunidades nas regiões rurais de Nova Gales do Sul e Victoria. Em Cobargo, comunidade a 378 km de Sidney, os moradores vivem em meio às cinzas e sobrevivem da solidariedade dos sobreviventes

Desde agosto, quando os incêndios começaram, 29 pessoas morreram, e 3 das vítimas moravam em Cobargo. Com as mortes e o perigo, as autoridades pediram que os moradores deixassem o local

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Porém, os cerca de mil habitantes de Cobargo não saíram. Eles estacionaram vans e montaram barracas, desafiando as ordens da polícia de se mudarem para os lugares indicados pelo estado, e decidiram que querem manter a comunidade

Agora, a pequena comunidade tenta se reerguer através da solidariedade e da união dos moradores, que se ajudam com doações e abrindo as casas para os que perderam tudo

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Cozinha, lavanderias e estoque de comida foram organizados, além de médicos e terapeutas disponíveis para ajudar os sobreviventes. Os moradores fazem encontros todos os dias à noite para dividir água, comida e ração para os animais

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“Nós deixamos claro que queremos continuar como uma comunidade”, disse à Reuters o fazendeiro Tony Allen. “Nós sabemos que é um grande risco, sabemos que estamos quebrando todas as regras, mas este é o jeito de fazer isso. Nós mantemos a comunidade unida”

Cobargo era conhecida pelas livrarias, prédios centenários e o festival anual de folk. Agora, os espaços servem de abrigo, central de doações e garantem que estão “abertos para todos”, oferecendo comida, roupa, cobertas e abraços grátis

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A cidade transborda solidariedade, e voluntários de todos os cantos da Austrália ajudaram a limpar os painéis solares, reparar as cercas das fazendas que foram consumidas pelas chamas e tirar os restos das queimadas deixadas nas estradas

“Tem tido tanta ajuda e tanto apoio. Todo mundo se ajuda. Tem tantas pessoas boas por aqui”, disse à Reuters Philippe Ravanel, que perdeu a casa de 150 anos no incêndio

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Os desalojados contam com a ajuda de amigos e moradores. Um fazendeiro ganhou de um amigo um ano de aluguel grátis para ficar em sua propriedade e moradores que estão se mudando deixaram as casas à disposição de quem precisa

Os incêndios continuam castigando a Austrália, que já teve mais de 10 milhões de hectares destruídos pelas chamas e agora lida com tempestades de areia, chuvas intensas e granizo gigante nas cidades

Com casos confirmados em 12 países, coronavírus é transmissível antes dos sintomas aparecerem

Médicos que foram para cidade onde surto começou tiveram que deixar a família

Médicos que foram para cidade onde surto começou tiveram que deixar a família
EPA/BBC Brasil

O novo coronavírus, que já infectou mais de 2 mil pessoas em surto na China e atingiu outros 12 países, é transmissível em seu período de incubação, ou seja, antes dos sintomas aparecerem, segundo autoridades chinesas.

Até o domingo (26), 56 mortes por causa do vírus foram confirmadas no país. O ministro da Saúde chinês, Ma Xiaowei, disse que a capacidade do vírus de se espalhar parece estar aumentando.

Diversas cidades chinesas adotaram restrições significativas de viagens. A cidade de Wuhan, onde o surto começou, está em total quarentena.

As infecções estavam em um “estado crucial de contenção”, segundo Ma Xiaowei. Autoridades anunciaram que a venda de animais selvagens está proibida no país todo. Acredita-se que o vírus surgiu em animais, mas nenhuma causa foi oficialmente identificada.

Em humanos, o período de incubação — no qual a pessoa tem a doença, mas nenhum sintoma — varia entre um e 14 dias, segundo as autoridades.

Sem os sintomas, a pessoa pode não saber que tem a infecção, mas já estar espalhando a doença.

Dificuldade na contenção

A descoberta é um avanço significativo no entendimento sobre o vírus e fará com que a China tenha que ir mais longe para impedir sua disseminação.

Conhecido como Sars, o último surto mortal de coronavírus a atingir a China, em 2002, era contagioso apenas a partir do momento em que os sintomas apareciam. O mortal vírus do Ebola também só transmissível por quem está com os sintomas.

Isso facilita a contenção da doença, pois basta identificar e isolar pessoas que estão doentes e monitar qualquer um com que elas tenham entrado em contato.

Doenças que se espalham antes de você saber que está doença são mais difíceis de conter — um bom exemplo é o vírus da gripe, que além de tudo também sofre muitas mutações (dificultando a vacina).

O estágio atual de perigo não é o mesmo de algumas doenças que se tornaram pandemias mundiais, como a gripe suína. Mas parar uma doença que pode ser transmitida antes dos sintomas aparecerem será um trabalho muito mais difícil para as autoridades chinesas.

Como está a situação em Wuhan?

O prefeito da cidade, Zhou Xianwang, disse que a estimativa é de mil novos pacientes nos próximos dias.

Acidade tem tido filas nos hospitais de pacientes buscando tratamento.

Zhou afirmou que um aumento em doações de particulares ajudou a reduzir a falta de alguns equipamentos médicos.

 

Hospitais da cidade onde o surto começou estão com cada vez mais pacientes

Hospitais da cidade onde o surto começou estão com cada vez mais pacientes


AFP/BBC Brasil

A britânica Sophia, que está na cidade em quarentena, disse à BBC que as pessoas estão trancadas em suas casashádias.

“Descobrimos sobre o vírus em 31 dezembro”, afirma ela. “Só ficou pior e pior. Agora a situação está realmente ruim.”

Sem táxis nas ruas, motoristas voluntários têm levado as pessoas aos hospitais lotados.

“Não há carros, então ficamos responsáveis por trazer as pessoas ao hospital e levá-las de volta para casa. Depois fazemos um desinfecção. Tudo de graça”, disse o voluntário Yin Yu à agência AFP.

O que é o vírus?

Nomeado oficialmente de 2019-nCoV, o novo coronavírus é similar a outros dois identificados nas últimas décadas.

Um deles foi responsável por causar a Síndrome Respiratória Aguda Grave (Sars, na sigla em inglês), e matou 774 das 8.098 infectadas em uma epidemia que começou na China em 2002.

Outro esteve por trás da Síndrome Respiratória do Oriente Médio (Mers, na sigla em inglês), que matou 858 dos 2.494 pacientes identificados com a infecção desde 2012 nesta região do mundo.

Até o momento, entre os mais de 2 mil casos notificados do 2019-nCoV, houve 56 mortes — todas na China.

O novo vírus causa infecção respiratória aguda.

Sintomas começam com uma febere, seguida de tosse seca e, depois de uma semana, leva a falta de ar. Ainda não há cura nem vacina.

Como o vírus se espalhou?

A disseminação rápida da doença coincide com o festival do Ano Novo Chinês, um dos períodos em que mais há viagens internas na China.

Da cidade de Wuhan, onde vivem 11 milhões de pessoas, a doença se espalhou para cidades vizinhas e outras províncias.

 

Coronavírus matou ao menos 56 pessoas na China

Coronavírus matou ao menos 56 pessoas na China


AFP/BBC Brasil

Fora da China, um pequeno número de infecções foi confirmado em países vizinhos, como Japão, Taiwan, Nepal, Tailândia, Vietnã, Coreia do Sul e Singapura.

Também foram confirmados casos na Austrália, nos EUA e na França.

Qual o risco do surto chegar ao Brasil?

No momento, nenhum caso do 2019-nCoV foi confirmado no Brasil — e, segundo o governo federal e epidemiologistas ouvidos pela BBC News Brasil, mesmo que isso ocorra, o risco é baixo de que haja um surto por aqui.

O infectologista Benedito Antonio Lopes da Fonseca, professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo, avalia que não há motivos para a população brasileira ter receios no momento sobre o surto do 2019-nCoV ao Brasil.

“Com o Sars, houve uma grande epidemia na China e pequenos surtos em outros países, mas acabou ali. Uma grande vantagem da globalização é que as medidas de contenção de epidemias são colocadas em prática muito mais rápido do que no passado”, afirma Fonseca.

“É preciso avaliar a movimentação de pessoas entre esta região da China e o Brasil. Se for baixo, acredito que o risco é mínimo, quase inexistente, de o vírus chegar ao país.”

O infectologista Marcos Boulos, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, explica que o novo coronavírus é preocupante por ser desconhecido, mas que sua disseminação, na China e internacionalmente, é aparentemente mais “suave” do que as do Sars e do Mers.

“Pelo tempo desde que a doença começou até agora, o número de casos notificados, de casos graves e de mortes ainda é baixo, especialmente levando em conta o tamanho da população chinesa”, afirma Boulos.

O médico afirma que a possibilidade do novo coronavírus chegar ao Brasil existe, mas é “baixa, pouco provável”. “Isso não descarta a necessidade de ficarmos alerta. Mas o Brasil tem outras doenças mais alarmantes com que devemos nos preocupar.”

Ambos os infectologistas concordam que, diante desta situação, não é necessário fazer a triagem de passageiros em portos e aeroportos do país.

Mas recomendam que sejam tomadas algumas medidas nestes locais para orientar os passageiros, por meio de cartazes nos terminais e avisos sonoros nos aviões, para que busquem um posto de saúde caso tenham sintomas como febre e problemas respiratórios.

“Se virar uma emergência global, vai ser necessário ter um controle muito mais rígido das fronteiras”, alerta Fonseca.

Reino Unido lança moeda para marcar saída da União Europeia

Reino Unido lança moeda do Brexit

Reino Unido lança moeda do Brexit

HM TREASURY/Handout via REUTERS – 26.1.2020

O Reino Unido lançou neste domingo (26) uma nova moeda de 0,50 libra esterlina cunhada para marcar a saída do país da União Europeia, que traz a inscrição “Paz, prosperidade e amizade com todas as nações” e a data do Brexit de 31 de janeiro de 2020.

Cerca de três milhões de moedas serão distribuídas a bancos, correios e lojas a partir de sexta-feira, informou o governo, com outros sete milhões entrando em circulação no final do ano.

O ministro das Finanças, Sajid Javid, que também comanda a Casa da Moeda, recebeu o primeiro lote de moedas.

“Sair da União Europeia é um momento decisivo em nossa história e esta moeda marca o início deste novo capítulo”, afirmou.

Mudança de data

O Ministério das Finanças planejava cunhar uma moeda inscrita em 29 de março de 2019, a data original do Brexit antes que a Reino Unido pedisse para estender sua participação na UE.

Javid depois ordenou a produção para comemorar um novo prazo de 31 de outubro, mas outro atraso cancelou o lançamento e cerca de um milhão de moedas tiveram que ser derretidas.

O projeto de lei que implementa a saída do Reino Unido do bloco europeu tornou-se oficialmente lei na quinta-feira.

Depois de mais de três anos de disputas amargas sobre como, quando e se o Brexit deve acontecer, o Reino Unido deixará a UE às 23:00 GMT na sexta-feira.

China prolongará feriado do Ano Novo Lunar, diz emissora estatal

China vai prolongar feriado do Ano Novo Lunar até dia 2 de fevereiro

China vai prolongar feriado do Ano Novo Lunar até dia 2 de fevereiro

Soe Zeya Tun/Reuters – 25.1.2020

O gabinete da China anunciou que estenderá o feriado do Ano Novo Lunar até 2 de fevereiro, para fortalecer a prevenção e o controle do novo coronavírus, informou a emissora estatal CCTV neste domingo, já começo de segunda-feira na China.

As férias deveriam terminar em 30 de janeiro.

As escolas atualmente em recesso também prolongam suas férias, mas as datas específicas serão anunciadas pelo Ministério da Educação, disse a CCTV.

Após anunciar isenção de vistos para chineses, governo agora diz que caso está “em estudo”

Governo diz que não há prazo para isenção de vistos para chineses

Governo diz que não há prazo para isenção de vistos para chineses
Reuters

O governo Bolsonaro recuou do anúncio de isenção de vistos para chineses, feito pelo presidente Jair Bolsonaro em visita oficial a Pequim, em outubro, e disse neste sábado (25) que a proposta está sendo estudada pelo Itamaraty.

A afirmação foi feita pelo deputado Eduardo Bolsonaro, que representou o pai em conversa com jornalistas após um banquete oferecido pelo governo da Índia à comitiva do presidente Jair Bolsonaro, em Nova Déli. O deputado participou dos restritos encontros bilaterais de Bolsonaro com o primeiro ministro Narendra Modi e o o presidente indiano Ram Nath Kovind.

Bolsonaro dispensa visto a turistas de EUA, Austrália, Canadá e Japão

“Os dois (isenção de vistos para chineses e indianos) estão meio que sendo trabalhados ao mesmo tempo”, disse o deputado, após ser perguntado sobre a situação do plano de isentar indianos da necessidade de vistos. A decisão em relação aos chineses era dada como certa em entrevistas do presidente, do ministro de relações exteriores, Ernesto Araujo, e nos veículos da imprensa oficial.

Agora, Eduardo Bolsonaro disse que “os dois estão em estudo” e que “não há um prazo” para o anúncio.

“Na minha visão como deputado, nós é que vamos nos aproveitar dessa situação, eles é que vão gastar os dólares lá. A gente só precisa tomar cuidado com os efeitos reflexos disso”, afirmou, dizendo que indianos “dificilmente vão entrar no Brasil como turistas e depois ficar no país”.

 

Dúvidas sobre vistos aos chineses foram colocadas durante viagem de Bolsonaro à Índia

Dúvidas sobre vistos aos chineses foram colocadas durante viagem de Bolsonaro à Índia
EPA/BBC Brasil

A reportagem perguntou que preocupações estão na mesa.

“Deixa eu pensar, calma aí. Eu não posso dar bola fora, não”, respondeu o deputado. “A polícia federal com certeza entra nesse meio, mas acredito que os dois países convergem no combate ao terrorissmo, são bem contundentes nas declarações e têm votado de forma semelhante, inclusive na ONU”.

Preocupações

Em dezembro, a BBC News Brasil revelou que telegramas diplomáticos mostravam que o Itamaraty priorizava a mudança no regime de vistos para passaportes emitidos pelo governo de Taiwan — e que não havia qualquer iniciativa para estender o benefício a chineses ou indianos.

O governo de Taiwan não é reconhecido oficialmente pela República Popular China (RPC), como é chamada a China continental. Por isso, qualquer gesto diplomático na direção do governo da ilha é visto com desconfiança pelas autoridades chinesas.

Bolsonaro havia anunciado que concederia a isenção para cidadãos da China na volta de jantar com CEOs em Pequim. Sobre os indianos, o presidente foi menos enfático e disse que o “governo deve adotar o mesmo processo”.

 

Em encontro com Xi Jinping, Bolsonaro se comprometeu com princípio de 'uma só China'

Em encontro com Xi Jinping, Bolsonaro se comprometeu com princípio de ‘uma só China’
AFP/BBC Brasil

 

Entre as preocupações levantadas por membros do governo está o fato de as taxas de migração irregular serem mais altas em países em desenvolvimento como China e Índia, do que em nações como Japão, Canadá e Austrália que, junto aos EUA, receberam o benefício concedido pelo Brasil sem exigência de reciprocidade.

Na prática, quando o governo diz que vai “isentar uma nação de vistos”, ele está considerando que os países passariam a ter direito ao visto eletrônico brasileiro.

Ao contrário do visto normal, exigido hoje, o visto eletrônico dispensa a necessidade de passar por uma entrevista presencial em um consulado. Também costuma ser emitido com mais rapidez e com custo menor que o documento físico.

Bolsonaro ‘elogiou a liberdade religiosa na Índia’

O deputado também afirmou que o presidente Bolsonaro “elogiou a liberdade religiosa presente aqui na Índia” e “falou que se sentiu confortável em estar em um país que não é cristão, mas foi muito bem acolhido” durante sua reunião bilateral com o primeiro ministro indiano.

O comentário surge em um momento em que a liberdade religiosa na Índia é alvo de preocupação em todo o mundo. Modi é assunto de capa da revista The Economist, que associa o nacionalismo hindu do primeiro ministro a uma série de abusos e políticas consideradas discriminatórias contra os quase 200 milhões de muçulmanos no país.

“A gente sabe da questão dos muçulmanos”, continuou Eduardo. “Mas o que estamos experimentamos aqui, estamos nos sentindo totalmente confortáveis.”

Questionado sobre a reação de Modi, Eduardo Bolsonaro disse que o primeiro ministro ficou “muito feliz” e que os dois líderes “estão se entrosando muito bem”.

“Os dois são notoriamente nacionalistas, defendem seus países, são avessos a alguns fóruns internacionais e acredito que há muita química nessa relação”.

O deputado voltou a falar no apoio mútuo entre Índia e Brasil para uma reforma no conselho de segurança da ONU.

“Ainda que seja por uma cadeira de membro não permanente, é um avanço”, disse.