Crescimento da pandemia exige ajuda a países pobres, diz OMS

Thedros Adhanom destacou que esta é a 1ª pandemia de coronavírus da história

Thedros Adhanom destacou que esta é a 1ª pandemia de coronavírus da história
Denis Balibouse/Reuters

A Organização Mundial de Saúde (OMS) pediu às nações do mundo que dêem auxílio aos países mais pobres no combate à pandemia do novo coronavírus. Na coletiva de imprensa desta quarta-feira (1º), o diretor-geral da entidade, Thedros Adhanom, disse que a propagação da doença pelo mundo tem sido “exponencial”.

“Estou preocupado com a propagação, a covid-19 cresce em ritmo exponencial e hoje atinge quase todos os países e territórios do mundo. Nos próximos dias, vamos chegar a 1 milhão de casos e 50 mil mortos. Para países como os da África e das Américas Central e do Sul, sabemos que as consequências podem ser graves”, afirmou o diretor da OMS.

Problemas para a população

Segundo ele, esses países “precisam ser ajudados”, por conta das medidas necessárias para tentar frear a propagação do coronavírus. “Muitos países estão pedindo para as pessoas ficarem em casa, mas sabemos que isso cria muitos problemas, especialmente para a população mais pobre”, alertou ele.

“Por isso, fazemos um apelo para que todos possamos ajudar esses países. A Índia, por exemplo, anunciou um grande pacote de ajuda para a população e diz que vai garantir alimentação para até 800 milhões de pessoas. Mas muitos países não vão poder fazer pacotes como esses, e eles precisam ser auxiliados”, disse Adhanom.

Países que estão tomando medidas como distanciamento social e paralisação econômica precisam ser olhados com atenção, segundo ele. “É preciso medir o efeito das medidas sanitárias e tentar apoiar os cidadãos. Muitos países em desenvolvimento não estão apoiando as suas comunidades mais pobres, aqueles que precisam trabalhar para comer dia a dia”

Pandemia inédita

O diretor também explicou que a pandemia, que já dura quase quatro meses, é algo inédito e ainda está sendo estudado. “Essa é a primeira pandemia de coronavírus da história, ainda não sabemos tudo que há para saber. Estamos aprendendo em tempo real. Esse é um momento em que precisamos de solidariedade”. ressaltou. “Há muitos fatores desconhecidos aqui”.

Para a epidemiologista Maria Van Kerkhove, da OMS, o coronavírus ameaça “todas as pessoas no planeta. Todos têm um papel para cumprir nessa história. Você pode estar fora de um grupo de risco, mas se você se coloca a salvo, pode evitar se contagiar e passar a doença adiante para alguém que possa morrer.”

Itália tem menos mortes, mas novos casos de covid-19 aumentam

Em Roma, testes estão sendo feitos em esquema de drive thru

Em Roma, testes estão sendo feitos em esquema de drive thru
Alessandro Di Meo / EFE-EPA – 1.4.2020

O número de mortos pela pandemia de coronavírus na Itália subiu em 727 nesta quarta-feira (1º), chegando 13.155, informou a Agência de Proteção Civil. É um aumento de óbitos significativamente menor do que o registrado na terça-feira e o menor número diário desde 26 de março.

No entanto, o número de novos casos aumentou mais acentuadamente do que no dia anterior, crescendo em 4.782 em relação aos 4.053 anteriores, elevando o número total de infecções desde a identificação do primeiro caso no país em 21 de fevereiro para 110.574.

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Na Lombardia, o epicentro do surto italiano, os registros diários de mortes e casos aumentaram em comparação com o dia anterior, revertendo a tendência recente.

Dos originalmente infectados em todo o país, 16.847 se recuperaram totalmente até quarta-feira, em comparação com 15.729 no dia anterior. Havia 4.035 pessoas em terapia intensiva, número acima das 4.023 anteriores.

Itália representa 30% das mortes da pandemia

A Itália registrou mais mortes do que qualquer outro país do mundo e representa cerca de 30% de todas as mortes globais em decorrência do vírus.

O maior número diário de vítimas da epidemia na Itália foi registrado na última sexta-feira, quando 919 pessoas morreram. Houve 889 mortes no sábado, 756 no domingo, 812 na segunda-feira e 837 na terça-feira.

Turquia pode libertar 90 mil presos para evitar epidemia nas prisões

Turquia pode libertar até 90 mil presos

Turquia pode libertar até 90 mil presos

Huseyin Aldemir/Reuters – 1.4.2020

A Turquia está preparando uma lei para reduzir as condenações e libertar cerca de 90 mil prisioneiros para limitar as infecções pelo novo coronavírus, uma medida que gerou polêmica, já que não inclui jornalistas e presos políticos.

O Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP), que governa o país desde 2002, apresentou ao Parlamento um projeto de lei que visa reduzir a superlotação das prisões diante da pandemia da Covid-19.

O sistema prisional turco tem capacidade para 200 mil condenados, mas está sobrecarregado há anos, com 280 mil pessoas presas, cerca de um quinto delas acusadas em prisão preventiva.

O coronavírus, que já causou 214 mortes na Turquia e ainda está em fase de propagação, acelerou os esforços de uma reforma para encurtar sentenças e liberar espaço, que está na agenda dos partidos políticos desde 2018.

“Cerca de 45 mil pessoas se beneficiarão com essas emendas, e o número aumentará para 90 mil, contando aqueles que passarão do regime prisional para a prisão domiciliar durante a pandemia”, disse o deputado do AKP, Cahit Özkan.

Ele acrescentou que o projeto de lei proposto para redução de penas não inclui pessoas condenadas por crimes sexuais, violência contra mulheres, crimes relacionados a drogas, assassinato ou terrorismo.

O principal partido da oposição, o social-democrata CHP, é a favor de uma reforma para aliviar o sistema prisional, mas afirma que a proposta não permite a libertação de jornalistas ou políticos presos por acusações de “terrorismo”, disse à Agência Efe, o deputado Seyit Torun.

Há dias, várias organizações civis vêm fazendo campanha para que a anistia parcial seja estendida a dezenas de repórteres, ativistas ou políticos que estão sendo julgados sob acusação genérica de terrorismo, sem relação com crimes violentos.

Inicialmente, a proposta se aplica apenas a pessoas já condenadas, embora também preveja a libertação de acusados em prisão preventiva se estiverem doentes, mulheres grávidas ou pessoas que não podem ficar sozinhas na prisão, disse à Efe o ex-promotor Ilhan Cihaner, membro do CHP.

Ainda hoje, um tribunal de Diyarbakir ordenou prisão domiciliar para um réu que estava em prisão preventiva desde novembro e que testou positivo para coronavírus.

Nos últimos 15 anos, a população carcerária da Turquia quadruplicou, atingindo cerca de 340 prisioneiros para cada 100 mil pessoas, mais que o triplo da média europeia.

Merkel prorroga medidas até depois da Semana Santa

Merkel prorroga medidas de combate ao novo coronavírus na Alemanha

Merkel prorroga medidas de combate ao novo coronavírus na Alemanha
Bernadett Szabo/File Photo/Reuters

A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, anunciou nesta quarta-feira (1º) a prorrogação das medidas vigentes no país para combater a propagação do novo coronavírus até depois da Semana Santa.

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“Definimos com os primeiros-ministros dos estados que manteremos as medidas que têm estado em vigor até agora”, disse Merkel após teleconferência telefônica com governantes estaduais.

Merkel disse compreender que a situação atual é “difícil para todos” e agradeceu aos cidadãos por respeitarem as medidas em vigor.

De acordo com a chanceler, é “muito cedo para pensar em relaxar as medidas”. A situação deverá ser reavaliada após 19 de abril, dia em que as férias escolares terminam oficialmente.

Além disso, foi pedido aos cidadãos que desistam, “no geral, de viagens e visitas privadas a familiares” pela Páscoa, tanto para viagens locais como interestaduais.

Em todos os estados, lojas de alimentos, farmácias e lojas que vendem bens de primeira necessidade, assim como postos de gasolina e bancos, permanecem abertos. É permitido sair e fazer as compras, passear com o cachorro e até mesmo fazer exercício ao ar livre, mas apenas individualmente.

O governo federal e os estados decidiram em 22 de março encerrar parcialmente a vida pública e proibir reuniões ou passeios em grupos com mais de duas pessoas (extensível a mais, para o caso de pessoas que moram na mesma residência).

Também foram fechadas escolas e creches. Apenas algumas lojas permanecem abertas no país, como as dedicadas ao fornecimento de alimentos, além de farmácias e postos de gasolina. Alguns estados têm aplicado medidas mais restritivas.

Prefeito de Londres reforça necessidade de confinamento

Sadiq Khan lamentou que londrinos não estão cumprindo com isolamento

Sadiq Khan lamentou que londrinos não estão cumprindo com isolamento
Reuters

O prefeito de Londres, Sadiq Khan, lamentou nesta quarta-feira (1º) que parte da população local não está cumprindo as restrições impostas como medidas para o combate à propagação do novo coronavírus no país.

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“Muitas pessoas não estão ficando em suas casas”, disse o político trabalhista, durante entrevista à emissora “BBC Radio 4”.

“Existe a preocupação de que em Londres há pessoas demais que, realmente, realmente, não deveriam ir trabalhar e que estão usando o transporte público na hora do rush”, completou o prefeito.

No Reino Unido, já foram registrados mais de 25 mil casos de infecção pelo novo coronavírus, sendo que 1.789 pessoas morreram. Por causa disso, o governo decretou confinamento obrigatório para todos que não exercem serviços essenciais.

“A mensagem chave é que a menos que, realmente, precisam trabalhar, trabalhem de suas casas. Se precisarem ir ao trabalho, que não o façam na hora do rush”, disse Khan.

O prefeito deu as declarações enquanto eram discutidas uma série de fotos flagrando as estações de metrô de Londres lotadas, em diversos momentos do dia.

“Temos cerca de 90% dos nossos ônibus rodando para transportar os trabalhadores considerados essenciais. São mais de 8 mil em funcionamento, em 600 rotas”, disse o chefe de governo, em referência a funcionários do setor de saúde, policias, entre outros.

Além disso, Khan explicou que 55% dos trens da cidade também ficam em funcionamento na hora do rush.

Apesar do alerta, o prefeito londrino destacou que houve redução de 94% da utilização do metrô nesta terça-feira, em comparação com o mesmo dia do ano passado. Além disso, houve queda em 85% de usuários dos ônibus.

De divisão por gênero à violência policial: as inusitadas medidas tomadas no mundo para impor quarentena

Mulher passeava com seu cachorro durante um toque de recolher imposto para impedir a propagação da doença por coronavírus em Belgrado.

Mulher passeava com seu cachorro durante um toque de recolher imposto para impedir a propagação da doença por coronavírus em Belgrado.
Reuters

Vários países estão tomando medidas sem precedentes para impedir a propagação do coronavírus, algumas extremas, outra curiosas. Alguns até preferem continuar negando a crise da pandemia.

Também há relatos de aumento da violência policial, uma vez que forças de segurança foram incumbidas de assegurar o cumprimento dessas medidas.

Isso sem falar nos temores de que os governos estejam usando preocupações com coronavírus para aumentar seus próprios poderes e, como resultado, possivelmente reprimir vozes críticas.

Na última segunda-feira (30 de março), por exemplo, o Parlamento da Hungria aprovou um novo conjunto de medidas, incluindo penas de prisão para quem espalhar desinformação e permitindo que o primeiro-ministro de extrema-direita, Viktor Orbán, governe por decreto sob um estado de emergência sem prazo determinado.

Já nas Filipinas e na Tailândia, também foram declarados estados de emergência, concedendo aos governos maiores poderes por um período temporário.

Em um relatório recente, a ONG Human Rights Watch disse que a liberdade de expressão e o acesso a informação devem ser protegidas pelos governos. Embora algumas restrições a direitos, como as que limitam a liberdade de movimento, possam ser justificadas, a entidade pediu transparência e “respeito à dignidade humana”.

Confira algumas medidas inusitadas impostas por alguns países nessa crise global do cornavírus:

1) Panamá

O país da América Central, que já teve quase mil casos confirmados, anunciou medidas rigorosas de quarentena que separam as pessoas por gênero, em um esforço para impedir a disseminação do coronavírus.

A partir desta quarta-feira (1º de abril), homens e mulheres poderão deixar suas casas por apenas duas horas por dia e em dias diferentes.

Ninguém poderá sair aos domingos.

“Essa quarentena é para salvar sua vida”, disse o ministro da Segurança, Juan Pino, em entrevista a jornalistas.

 

 No Panamá, as restrições de movimento agora se baseiam em gênero.

No Panamá, as restrições de movimento agora se baseiam em gênero.
BBC NEWS BRASIL

 

 

2) Colômbia

Em algumas cidades colombianas, as pessoas são autorizadas a sair com base no último dígito de seu número de identificação nacional – em uma espécie de “rodízio”.

Por exemplo, pessoas em Barrancabermeja com um número de identificação que termina em 0, 7 ou 4 podem sair de casa na segunda-feira, enquanto aquelas com um número de identificação que termina em 1, 8 ou 5 podem sair na terça-feira.

A vizinha Bolívia propõe uma abordagem semelhante.

3) Sérvia

A certa altura, o governo da Sérvia introduziu uma “hora de passear com os cães” das 20h às 21h para quem está em quarentena. Mas isso agora foi descartado, após protestos dos donos de cães.

Um veterinário disse que pular a caminhada noturna poderia piorar a condição dos cães com problemas urinários e “agravar as condições básicas de higiene nas casas das pessoas”.

4) Belarus

O distanciamento social pode ser a regra atual em muitos países, mas não em Belarus.

O presidente de Belarus, Alexander Lukashenko, causou espanto com sua atitude em relação aos perigos do coronavírus.

Ele riu da sugestão de que seu país deveria tentar conter a disseminação do coronavírus, porque não conseguia ver o vírus “voando por aí”.

Conversando com um repórter de TV em uma partida de hóquei no gelo em recinto fechado, ele também afirmou que as multidões estavam bem porque o frio do estádio impediria a propagação do vírus.

Não há evidências de que o frio extremo evitaria a infecção e o coronavírus não pode ser visto a olho nu.

Ao contrário da maior parte da Europa, Belarus não impôs restrições a eventos esportivos .

“Não há vírus aqui”, disse Lukashenko. “Você não os viu voando, viu? Eu também não os vejo! Isso é uma geladeira. Esporte, principalmente o gelo, essa geladeira aqui, essa é a melhor cura antiviral!”

Ele também citou beber vodca e frequentar regularmente a sauna como formas de evitar o vírus – o que destoa das recomendações dos médicos.

 

Os torcedores aplaudem, enquanto assistem à partida de futebol da Bielorrússia na Premier League entre FC Minsk e FC Dinamo-Minsk em Minsk, em 28 de março.

Os torcedores aplaudem, enquanto assistem à partida de futebol da Bielorrússia na Premier League entre FC Minsk e FC Dinamo-Minsk em Minsk, em 28 de março.
EPA

 

 

5) Suécia

Ao contrário de seus vizinhos, a Suécia adotou uma abordagem menos rigorosa em relação ao coronavírus, apesar de seus quase 4,5 mil casos confirmados. Bares e restaurantes continuam a funcionar normalmente e nenhuma quarentena foi decretada. O governo espera que as pessoas se comportem de maneira sensata e confia nelas para impedir a propagação do vírus.

Aglomerações com mais de 50 pessoas foram proibidas no domingo (29 de março), mas escolas para crianças menores de 16 anos permanecem abertas.

A estratégia está dividindo opiniões internamente e no exterior, mas apenas o tempo dirá se a abordagem descontraída dos suecos será um tiro pela culatra.

6) Malásia

As orientações das autoridades da Malásia não são menos controversas.

O governo foi forçado a pedir desculpas depois que o ministério das mulheres publicou cartuns online dizendo às esposas para se vestirem, usar maquiagem e evitar incomodar seus maridos durante o bloqueio parcial do país.

Nas redes sociais, usuários foram rápidos em criticar os pôsteres, que acabaram retirados de circulação.

 

Turcomenistão não registrou nenhum caso até agora, apesar de proximidade com Irã, um dos países mais atingidos.

Turcomenistão não registrou nenhum caso até agora, apesar de proximidade com Irã, um dos países mais atingidos.
Getty Images

 

 

7) Turcomenistão

Enquanto isso, o Turcomenistão adotou uma abordagem completamente diferente para lidar com a pandemia … e proibiu a palavra “coronavírus”.

De acordo com o site independente de notícias, The Turkmenistan Chronicle – que é proibido no país da Ásia Central -, o governo removeu a palavra de seus folhetos de informações sobre saúde. Jornalistas que trabalham na Rádio Azatlyk disseram que pessoas que falam sobre o vírus ou usam máscaras em público podem ser presas.

As autoridades dizem que nenhum caso de coronavírus foi registrado no Turcomenistão, que faz fronteira com um dos países mais atingidos do mundo, o Irã.

8) Quênia

No Quênia, um menino de 13 anos teria sido morto por policiais na noite de segunda-feira (30 de março) durante o toque de recolher imposto pelo governo do país.

Ele brincava na varanda da casa dos pais em uma favela da capital queniana, Nairóbi, quando a polícia invadiu o local atirando para dispersar pessoas, segundo relatos de testemunhas.

O menino foi alvejado no estômago. Ele chegou a ser levado a um hospital, mas não resistiu aos ferimentos e morreu.

O comandante da polícia do Quênia abriu uma investigação para apurar as circunstâncias da morte.

O toque de recolher no país foi determinado na noite da última sexta-feira (27 de março) para tentar conter a propagação do vírus.

Desde então, aumentam os relatos de pessoas sendo alvos de bombas de gás lacrimogênio e vítimas de agressão policial por não permanecerem dentro de casa a partir das 19h (hora local).

 

Clientes usam máscaras protetoras em supermercado em Viena.

Clientes usam máscaras protetoras em supermercado em Viena.
BBC NEWS BRASIL

 

 

9) Índia

Vídeos que circulam nas redes sociais mostram migrantes na Índia sentados no meio-fio enquanto são “desinfetados” com jatos de produtos químicos por homens usando máscaras e proteção.

A Índia está passando por um êxodo gigantesco de trabalhadores retornando a seus vilarejos porque não tem como se sustentar após a quarentena imposta pelo governo.

Segundo a mídia local, grupos inteiros de migrantes estariam sendo desinfetados ao deixarem algumas cidades, rumo à sua província-natal.

O jornal Indian Exporess diz que os migrantes teriam sido borrifados de uma substância parecida à água sanitária, o hipoclorito de sódio, que pode causar danos à pele, olhos e pulmões.

No Punjab, outra província do país, pessoas acusadas de violar as regras da quarentena foram obrigadas a fazer agachamentos enquanto gritavam: “Somos inimigos da sociedade. Não conseguimos ficar em casa”.

10) Paraguai

Situação semelhante à da Índia ocorreu no Paraguai.

Vídeos que circulam nas redes sociais mostram pessoas que violaram as regras de quarentena fazendo polichinelos sob ameaça de um taser. Outras foram obrigadas a dizer a policiais: “Não vou sair da minha casa de novo, senhor” enquanto mantinham o rosto voltado para o chão.

As imagens, registradas e compartilhadas pelos próprios policiais, foram motivo de elogio do ministro do Interior do país, Euclides Acevedo, que disse: “Parabenizo esses policiais. Não tenho a mesma criatividade dos que fizeram esses vídeos”.

Mortes no mundo por coronavírus superam marca de 40 mil, diz OMS

A covid-19 já atinge quase todo o mundo

A covid-19 já atinge quase todo o mundo
Carlos Eduardo Ramirez / Reuters – 12.3.2020

Os casos de mortes no mundo em decorrência da covid-19, doença provocada pelo novo coronavírus superaram a marca de 40 mil, segundo boletim apresentado nesta quarta-feira (1º) pela OMS (Organização Mundial de Saúde). Os dados apontam também um total de 823.626 infecções registradas no planeta.

De acordo com a divulgação, houve 4.027 novos óbitos, um recorde diário desde o início da contabilização dos dados da pandemia. Com isso, o número de vítimas chega a 40.598.

Com relação aos casos de infecção, foram registrados mais 68.678, em comparação com o balanço de ontem (31), elevando o total para perto de 1 milhão, em 823.626.

A OMS, além disso, apontou que 205 países já foram alcançados pela doença, quase a totalidade dos existentes. Exceção apenas para algumas ilhas do Pacífico e estados em guerra que não divulgam dados.

Os Estados Unidos lideram em número de casos de infecção, com cerca de 189 mil, seguido pela Itália, com 105 mil, e Espanha com 100 mil. A China, onde surgiu o patógeno, tem aproximadamente 81 mil.

O número de altas gira em torno de 25% dos pacientes registrados, o que significa em torno de 185 mil pessoas.

Com 187 mortes, Portugal não descarta o isolamento por 3 meses

Portugal não descarta quarentena por 3 meses

Portugal não descarta quarentena por 3 meses

Rafael Marchante/Reuters – 30.3.2020

Portugal já registrou 187 mortes e 8.251 infectados pelo novo coronavírus, um aumento de 16,8% e 10,8%, respectivamente, enquanto o governo começa a educar a população para se preparar para uma extensão do isolamento, que poderá durar até três meses.

“É essencial que todos nós façamos um esforço para que as empresas não fechem, para que os empregos não sejam destruídos, mesmo com uma queda na renda, para que a renda não caia ao mínimo e para que possamos alcançar o fim desse túnel o melhor possível, e que este túnel não dure mais de dois ou três meses, mas essa é uma esperança que não posso incutir”, disse nesta quarta-feira (1º) o primeiro-ministro, António Costa.

Costa, que participou de um programa de TV onde abordou a situação do país, também alertou que “este será o mês mais difícil” e que, embora os portugueses saiam dessa crise com auto-estima coletiva “reforçada”, também ficarão “mais pobre e mais frágil do ponto de vista econômico”.

Desta forma foi antecipado o balanço diário divulgado pela Diretoria Geral de Saúde (DGS), onde mostra uma piora da situação hoje, dia em que foram registradas 27 mortes e mais 808 infecções nas últimas 24 horas.

Enquanto isso, 726 pessoas permanecem hospitalizadas, das quais 230 estão em Unidades Terapia Intensiva (UTIs).

O norte de Portugal continua sendo a área mais afetada, com 95 mortes, seguido pelo centro, com 52, e a região de Lisboa, com 38. No total, a taxa de mortalidade no país é de 2,3%, sendo de 9,1% para os maiores de 70 anos.

O confinamento em Portugal teve início no dia 19 de março e estava programado para terminar amanhã. Mas provavelmente será prorrogado por mais duas semanas.

Quarentena no Panamá tem rodízio de homens e mulheres nas ruas

Digite a legenda da foto aqui

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Bienvenido Velasco / EFE – 1.4.2020

O Panamá implementou, nesta quarta-feira (1º), uma das medidas mais curiosas para fiscalizar o cumprimento da quarentena decretada pelo governo em meio à pandemia global do novo coronavírus: um rodízio para homens e mulheres poderem sair de casa.

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Às segundas, quartas e sextas-feiras, somente mulheres poderão sair às ruas do país para comprar alimentos. Os homens poderão sair às terças, quintas-feiras e aos sábados. No domingo, todos deverão ficar em suas casas.

As medidas vão durar pelo menos 15 dias e ainda prevêem que a pessoa que puder sair de casa terá de voltar em um período de, no máximo, duas horas. Segundo o governo, isso vai facilitar o trabalho de fiscalização da quarentena pela polícia local.

O decreto ainda estabelece horários para que as pessoas possam sair de casa, com base nos números dos documentos de identidade ou passaporte das pessoas.

Medida drástica

O presidente Laurentino Cortizo declarou, em sua conta no Twitter, que se viu obrigado a tomar essa medida, diante do alto número de pessoas que ainda estavam circulando pelas ruas, mesmo depois que a quarentena foi decretada.

O Panamá tem 1.181 casos já registrados de contaminação pelo coronavírus e 30 mortes, segundo o banco de dados da Universidade Johns Hopkins, dos EUA.

França supera a marca de 4 mil mortes por coronavírus

Número de mortos na França passa de 4 mil

Número de mortos na França passa de 4 mil

Cristophe Petit Tesson / EFE-EPA – 30.3.2020

A França ultrapassou nesta quarta-feira (1º) a marca de 4 mil mortes por coronavírus, com um total de 4.032 mortes desde 1º de março último, segundo o diretor geral de Saúde, Jérôme Salomon.

Foram registradas mais 509 mortes no país nas últimas 24 horas, em comparação com 499 no dia anterior.

Esses números levam em conta apenas as mortes em hospitais, mas não as que ocorrem em asilos ou lares, que o executivo francês espera oferecer esta semana.

No total, existem 56.989 casos confirmados de coronavírus na França, 4.861 a mais que no dia anterior.

As duas regiões mais afetadas são a Ilha de França parisiense, com 9.609 casos e 1.369 mortes, e o Grande Oriente, na fronteira com Luxemburgo, Suíça, Alemanha e Bélgica, onde existem 4.470 casos e 1.126 mortes.

Isolamento e quarentena

O confinamento da população começou na França em 17 de março, inicialmente por duas semanas que duram até 15 de abril.

O primeiro-ministro francês Édouard Philippe sublinhou nesta quarta-feira, em uma intervenção antes da missão de informação parlamentar sobre esta crise, que é “provável” que o abandono do confinamento não ocorra de uma só vez, em todo o território e em todo o mundo.

O chefe do Executivo destacou que dependerá da maneira como o vírus circulou pelo país e de outros elementos que ainda não estão totalmente disponíveis.

Philippe avançou que a atual crise da saúde “pode ​​ser acompanhada por uma crise econômica e, posteriormente, uma crise financeira”, razão pela qual o governo francês lançou medidas de auxílio às empresas.

Segundo seus números, 337.000 empresas já solicitaram o sistema de desemprego parcial (conhecido na Espanha como ERTE), que afeta cerca de 3,6 milhões de trabalhadores.

A mídia francesa apontou nesta quarta-feira que, em um período de três meses, essa medida poderia implicar uma despesa potencial de 11.000 milhões de euros, acima dos 8.500 milhões de euros orçados pelo Executivo.