A ‘cidade invisível’ da Venezuela que vive sob uma nuvem tóxica

A nuvem de poluição envolve completamente a cidade de Guanta

A nuvem de poluição envolve completamente a cidade de Guanta


BBC NEWS BRASIL/ G. D. Olmo

Guanta está lá, embora não seja tão fácil vê-la.

Vistas a partir de El Morro, do outro lado da baía, suas luzes piscam sob uma nuvem baixa.

É uma nuvem diferente das outras, mais espessa, mais pesada.

Se você segui-la com os olhos, é possível identificar a fonte que a emite, a fábrica de cimento Pertigalete, localizada a poucos quilômetros de Guanta e na área do Parque Nacional de Mochima, um dos paraísos naturais na costa da Venezuela.

Embora ela possa surpreender estrangeiros, os cerca de 45.000 habitantes de Guanta estão acostumados a viver em um ambiente saturado com resíduos de calcário e xisto que a usina estatal usa para produzir cimento.

Como a maioria de seus vizinhos, Gerardo Serra, de 77 anos, varre a casa diariamente, por dentro e por fora.

“Aqui você tem que estar sempre limpando. Há dias em que a poeira cobre completamente a colina”, diz ele, com a vassoura na mão, enquanto aponta para a montanha que fica na frente de sua casa.

“Estamos todos preocupados em viver com este problema; é uma reclamação de todas as pessoas, mas…”

 

Gerardo Serra, como muitos outros vizinhos de Guanta, varre a frente de sua casa diariamente para evitar o acúmulo de poeira de cimento

Gerardo Serra, como muitos outros vizinhos de Guanta, varre a frente de sua casa diariamente para evitar o acúmulo de poeira de cimento


BBC NEWS BRASIL

Em Guanta, a poeira permeia tudo, especialmente na época do ano em que chove menos.

Árvores, cabines telefônicas, carros… Nada fica livre das partículas.

Outro vizinho, que prefere não ser identificado, mostra as telhas no pátio de sua casa, afetadas por crostas de um material quase branco. Ele diz que quando chove, os materiais que emanam de Pertigalete também caem com a água. Se não conseguir limpá-los antes que o solo seque, os restos se solidificam e permanecem ali para sempre.

Foi o que aconteceu com o carro que fica na sua garagem, coberto por sujeira que não sai mais.

Muitos na região cobrem seus veículos com capas de plástico para evitar que isso ocorra.

 

Os vizinhos reclamam que, quando chove, detritos formam uma camada de cimento em carros, casas e vegetação

Os vizinhos reclamam que, quando chove, detritos formam uma camada de cimento em carros, casas e vegetação
BBC NEWS BRASIL/ G. D. Olmo

 Problemas respiratórios

 

Mas há coisas que não podem ser cobertas, como os pulmões das pessoas.

No Centro de Diagnóstico Geral de El Chorrerón, o médico encarregado do serviço de plantão atende, acima de tudo, pacientes afetados por problemas respiratórios.

“Infecções respiratórias, bronquiolite e pneumonia são as (doenças) mais frequentes aqui”, ele me diz.

“Esta semana tivemos entre 30 e 40 casos. Aqueles que mais sofrem são bebês e pacientes asmáticos.”

Este é um dos centros de saúde na Venezuela onde médicos cubanos trabalham e pacientes esperam atendimento ao lado de retratos de Hugo Chávez, Nicolás Maduro e Fidel Castro.

Não tem sido fácil ultimamente.

 

A fábrica deveria ter filtros que reduzem seu efeito contaminante, mas estão danificados e não cumprem sua função

A fábrica deveria ter filtros que reduzem seu efeito contaminante, mas estão danificados e não cumprem sua função


BBC NEWS BRASIL

“Quase não temos antibióticos”, diz o médico, antes de mostrar os nebulizadores, para os quais muitas vezes não há recargas.

Problemas respiratórios têm sido uma constante nos oito anos em que ele vem trabalhando aqui. “Como a poluição é a origem do problema, nunca pudemos oferecer uma solução definitiva, mas antes, pelo menos, podíamos tratar as pessoas; agora, não dá mais”, lamenta.

A BBC News Mundo tentou, sem sucesso, obter a versão das autoridades e dos responsáveis ​​pela usina sobre o problema da poluição.

Nem seu dono, a estatal Venezolana de Cementos (Vencemos), nem o prefeito de Guanta, nem o Ministério da Comunicação, responsável por fornecer informações em nome do governo, responderam ao pedido de comentários.

O médico não é o único que percebeu os efeitos que aparentemente a poluição da fábrica de Pertigalete tem sobre a saúde das pessoas.

“Quando morei em Guanta, acordava todas as manhãs com uma reação alérgica”, lembra Manuel Fernández, um dos conselheiros que colaboraram na preparação de um relatório com o qual o deputado da oposição Armando Armas, do Estado de Anzoátegui, denunciou a ação.

O relatório descobriu que, devido à poeira, de cada dez crianças tratadas no ambulatório de David Zambrano, o principal centro de saúde da cidade, seis estavam lá por problemas respiratórios ou de pele.

Problemas respiratórios também foram uma das causas mais frequentes de adultos consultarem um médico.

 

 Neste centro médico em Guanta, onde os médicos cubanos trabalham, não há antibióticos para responder a infecções respiratórias

Neste centro médico em Guanta, onde os médicos cubanos trabalham, não há antibióticos para responder a infecções respiratórias


BBC NEWS BRASIL/ G. D. Olmo

A usina pertencia à companhia mexicana Cemex até que, em 2008, o então presidente Hugo Chávez ordenou a desapropriação da empresa – sob o argumento, entre outros, de que ela não cumpriu suas obrigações de proteção ambiental.

Aqueles que a conhecem melhor são seus trabalhadores, alguns dos quais conversaram com a BBC News Mundo sob condição de anonimato. Eles dizem que vários de seus representantes sindicais foram “sequestrados” e intimidados pelos serviços de segurança.

“O problema da poluição sempre existiu, mas foi agravado desde a desapropriação devido à falta de manutenção.”

Sem filtros

De acordo com os funcionários, os filtros que deviam aspirar os resíduos gerados pelo processo de produção de cimento estão danificados e não mais cumprem sua função.

Paradoxalmente, embora seis dos seus sete fornos tenham parado e a produção tenha caído ao nível mais baixo da história, a fábrica agora polui mais do que nunca.

“A tecnologia é obsoleta e está causando danos ambientais incalculáveis”, denunciam os funcionários, que exigem que o governo invista na manutenção da usina para torná-la sustentável, econômica e ambientalmente.

 

 Nas mesmas águas onde a fábrica despeja resíduos, turistas que chegam ao paraíso, o Parque Nacional Mochima, se banham

Nas mesmas águas onde a fábrica despeja resíduos, turistas que chegam ao paraíso, o Parque Nacional Mochima, se banham


BBC NEWS BRASIL/ G. D. Olmo

A área em que a usina está localizada tem um alto valor ecológico. Ela fica no Parque Nacional Mochima, quase cem mil hectares de “baías, praias, ilhas, golfos e enseadas de grandes maravilhas naturais”, privilegiado por uma “exuberante diversidade biológica”, segundo a descrição do Instituto do Parque Nacional.

É um paraíso tradicionalmente visitado por turistas de todo o país em suas férias, embora a crise atual na Venezuela tenha reduzido drasticamente o fluxo de visitantes.

‘Nunca arrumaram’

Manuel Fernández diz que “a empresa não só polui o ar, mas também os aquíferos”, uma queixa destacada por Antonio Oteiza, presidente da associação Movimento Ecológico. “Há muito tempo já provamos que o pó cobre os corais”, afirma.

O problema, diz Fernández, já chegou a outras cidades, como a vizinha Gran Barcelona, ​​uma das maiores concentrações urbanas da Venezuela, onde muitas comunidades vivem da pesca.

 

Segundo seus críticos, a usina está poluindo todo o estado de Anzoátegui

Segundo seus críticos, a usina está poluindo todo o estado de Anzoátegui


BBC NEWS BRASIL

De acordo com o gabinete do deputado Armas, que agora vive fora do país por causa do que seus colaboradores descrevem como “perseguição do governo”, em 2011 uma denúncia foi feita à Assembleia Nacional, que ordenou um estudo sobre o impacto ambiental.

Isso nunca se tornou realidade, tampouco as diretrizes dadas em 2014 pelo Ministério do Meio Ambiente para reduzir os danos causados pela usina, nem as repetidas promessas das autoridades locais de alocar recursos da estatal petrolífera PDVSA.

Muitos em Guanta acreditam que é mais provável que a fábrica acabe se tornando inoperante antes que os problemas que a tornaram tão prejudicial sejam remediados.

A mulher que não quis se identificar resume esse sentimento: “Eles não vão consertar. Se quisessem, já teriam feito isso”.

Acosta Ñu: a sangrenta batalha em que crianças lutaram contra o Exército do Brasil na Guerra do Paraguai

Chamada de 'Guerra de la Triple Alianza' no Paraguai, o conflito dizimou metade da população do país

Chamada de ‘Guerra de la Triple Alianza’ no Paraguai, o conflito dizimou metade da população do país
Getty Images

Há 150 anos o Paraguai foi cenário de “uma das mais terríveis batalhas da história militar do mundo”, a de Acosta Ñu.

Assim foi descrito o confronto pelo jornalista Julio José Chiavenato em Genocídio Americano: a Guerra do Paraguai, publicado há quase quatro décadas e considerado importante obra da historiografia regional.

No Brasil, o episódio ficou conhecido como a Batalha de Campo Grande.

Ainda que muitos de seus dados tenham sido posteriormente questionados ou desmentidos, o texto de Chiavenato serviu para lançar luz sobre o que hoje é amplamente reconhecido como o conflito mais sangrento da história da América Latina: a Guerra do Paraguai (ou “Guerra de la Triple Alianza”, como é conhecida no vizinho).

Entre 1865 e 1870, o Paraguai enfrentou os Exércitos do Brasil, da Argentina e do Uruguai.

Calcula-se que, em 5 anos, tenham morrido entre 200 mil e 300 mil paraguaios, que correspondiam na época à metade da população do país. Do total de mortos, 80% eram homens.

Mas o que aconteceu na Batalha de Acosta Ñu para que ela se tornasse, nas palavras de Chiavenato, o “símbolo mais terrível da crueldade dessa guerra”?

Travada em 16 de agosto de 1869, a batalha foi protagonizada, do lado paraguaio, crianças e adolescentes. Seu impacto foi tão forte que a data acabou virando o Dia da Criança no Paraguai.

Em memória aos combatentes e ao aniversário de 150 anos do episódio, o governo paraguaio inaugura nesta sexta-feira (16) um monumento na cidade de Eusebio Ayala.

A ‘guerra total’

“O ano de 1869 marca definitivamente o conceito de guerra total”, diz o historiador paraguaio Fabián Chamorro à BBC News Mundo, serviço em espanhol da BBC.

Massacre de crianças foi um dos pontos mais horrendos da guerra

Massacre de crianças foi um dos pontos mais horrendos da guerra
Getty Images

Com o Exército paraguaio praticamente exterminado, explica Chamorro, figuras importantes dentro das forças aliadas chegaram a sinalizar que a guerra teria terminado e que seria o momento de deixar o país.

Conforme Chiavenato, uma dessas figuras era o general Luís Alves de Lima e Silva, futuro duque de Caxias, que liderava as tropas brasileiras no Paraguai.

“Quanto tempo, quantos homens, quantas vidas e de quantos recursos necessitaremos para terminar a guerra, quer dizer, para transformar em fumaça e pó toda a população paraguaia, para matar até os fetos no ventre das mulheres?”, argumentou com o imperador Dom Pedro 2º.

A ordem, entretanto, era de que a guerra só chegaria ao fim com a morte do presidente do Paraguai, o marechal Francisco Solano López, o que só aconteceria em 1º de março de 1870.

“Não tinha necessidade de fazer toda essa caçada, em que a população civil foi a principal prejudicada”, ressalta Chamorro.

Enquanto lutava pela própria sobrevivência, Solano López recrutava soldados cada vez mais jovens.

“Primeiro eles tinham 16 anos, depois 14, 13 anos”, relata Barbara Potthast, professora de História Ibérica e Latinoamericana na Universidade de Colônia, na Alemanha.

Mulheres e crianças acabaram integrando o Exército do Paraguai

Mulheres e crianças acabaram integrando o Exército do Paraguai
Getty Images

A historiadora encontrou até registros de alistamento de meninos de 11 anos – que não chegavam a ir para a frente de batalha, mas se dedicavam a outras tarefas, como transportar materiais.

O mesmo acontecia com as mulheres, muitas vezes encarregadas da logística.

“Não era um exército profissional como conhecemos hoje”, pontua Potthast. “Como muitos dizem, era o ‘povo pegando em armas’.”

Escudo humano?

Solano López conseguiu escapar algumas vezes dos aliados. Sua última “fuga milagrosa” aconteceu quatro dias antes de batalha de Acosta Ñu, quando caiu Piribebuy.

“Em 12 de agosto (de 1869), as forças paraguaias se dividiram em duas: o marechal ia em uma coluna e, em outra, mulheres, crianças e idosos”, conta Chamorro.

O último grupo levava toda a logística do Exército em carros de boi: canhões, armas, vestuário, acessórios de cozinha.

 A batalha de Acosta Ñu aconteceu há 150 anos em local próximo ao que hoje é a cidade de Eusebio Ayala, no centro do Paraguai

A batalha de Acosta Ñu aconteceu há 150 anos em local próximo ao que hoje é a cidade de Eusebio Ayala, no centro do Paraguai
Secretaria Nacional de Cultura do Paraguay

Segundo o historiador, eles foram alcançados pelos aliados — em sua maioria soldados brasileiros — e “não tiveram outra opção a não ser lutar”.

Já Potthast cita outra teoria. “O que se diz, e não tenho motivos para duvidar, é que nessa batalha a função das crianças e jovens era servir como uma espécie de barreira para o avanço do Exército.”

O fato é que Solano López conseguir mais uma vez fugir para o Norte com o restante das tropas, onde continuaram a resistência.

20 mil contra 3,5 mil

A batalha de Acosta Ñu aconteceu próximo ao que hoje é a cidade de Eusebio Ayala, no centro do Paraguai, e foi, nas palavras de Chamorro, “um verdadeiro massacre”.

“De um lado estavam os brasileiros, com 20 mil homens”, escreveu Chiavenato. “De outro, os paraguaios, com 3,5 mil soldados entre 9 e 15 anos, além de crianças de 6, 7 e 8 anos que também acompanhavam o grupo.”

Prisioneiro paraguaio e seu captor brasileiro: Guerra do Paraguai durou 5 anos

Prisioneiro paraguaio e seu captor brasileiro: Guerra do Paraguai durou 5 anos
Getty Images

Ainda que não haja consenso sobre o número — e alguns relatos chegam à cifra de 700 —, os diferentes historiadores e registros destacam a crueldade que marcou a batalha.

As crianças e jovens lutaram ao lado de alguns veteranos de guerra, um contingente estimado em algo entre 500 e 3 mil, a depender da fonte.

De qualquer forma, existia uma assimetria grande entre os dois exércitos, que não só era númerica e etária, mas também tecnológica.

“As armas usadas pelos paraguaios tinham um alcance máximo de 50 metros”, diz Chamorro, enquanto “os rifles Spencer, usados sobretudo pela cavalaria imperial do Brasil, tinha um alcance de mais de 500 metros.”

“Ou seja, para que o paraguaio pudesse confrontar um brasileiro, tinha que encarar dez descargas de bala. Era impossível”, completa.

A isso se soma o fato de que os mais novos não tinham nem força física para empunhar as armas, muito menos nas condições em que estavam, com fome e muitas vezes doentes, acrescenta Potthast.

No campo de batalha

A batalha começou pela manhã e terminou cerca de 10 horas depois, com poucas baixas do lado brasileiro e quase nenhum sobrevivente do lado paraguaio.

Monumento em 'honra aos heróis da pátria, os meninos mártires de Acosta Ñu' durante sua construção

Monumento em ‘honra aos heróis da pátria, os meninos mártires de Acosta Ñu’ durante sua construção
Secretaria Nacional de Cultura do Paraguay

Os detalhes sobre o confronto, mais uma vez, divergem a depender da fonte.

Potthast afirma que, para que os soldados brasileiros não percebessem que lutavam contra crianças, foram colocadas barbas falsas nos meninos. Já Chamorro argumenta que não haveria tempo naquelas circunstâncias para que se preocupassem com esse tipo de detalhe.

Diz-se ainda que os pequenos iam armados com varas que simulavam rifles.

“As crianças de 6 a 8 anos, no calor da batalha, aterrorizadas, se agarravam às pernas dos soldados brasileiros, chorando, pedindo que não os matassem. E eram degoladas no ato”, escreveu Chiavenato em sua obra, conforme a tradução do Portal Guaraní.

À tarde, ele acrescenta, quando as mães recolhiam os corpos dos filhos e ainda havia feridos, os brasileiros teriam queimado todo o lugar.

O general brasileiro Dionísio Cerqueira, entretanto, que participou da batalha, deu outra perspectiva. “Que luta terrível entre a piedade cristã e o dever militar! Nossos soldados diziam que não lhes dava gosto lutar contra tantas crianças.”

Dia da Criança é comemorado desde 1948 no Paraguai no dia 16 de agosto

Dia da Criança é comemorado desde 1948 no Paraguai no dia 16 de agosto
Reuters

“O campo ficou repleto de mortos e feridos do lado inimigo, entre os quais nos causava muita pena, pelo número elevado, os soldadinhos, cobertos de sangue, com as perninhas quebradas, alguns nem sequer haviam atingido a puberdade”, completou.

Potthast, por sua vez, encontrou relatos que afirmavam que, pelo contrário, os pequenos não choravam, mesmo quando eram feridos.

Nas palavras da historiadora alemã, o único ponto em comum entre os observadores e historiadores de todos os lados era o “valor e a coragem da luta dos paraguaios, inclusive dos meninos soldados”.

Identidade nacional

Tanto Chamorro quanto Potthast ressaltaram que o conceito de infância no século 19 não era o mesmo que hoje. Ainda assim, a ideia do “menino herói” que morreu defendendo sua nação é parte da identidade nacional paraguaia.

“Essa guerra é o acontecimento mais importante da história do Paraguai”, disse a historiadora alemã à BBC News Mundo. “É pedra fundamental do nacionalismo que se desenvolveu no século 20.”

A Guerra do Paraguai é fundamental para entender o nacionalismo hoje no país, diz Potthast

A Guerra do Paraguai é fundamental para entender o nacionalismo hoje no país, diz Potthast
EPA

A ideia difundida por uma parte dos acadêmicos e por vários governos, sobretudo militares, foi a de que os paraguaios “perderam a guerra, mas lutaram com heroísmo, e é desse heroísmo que tiram força”, destaca Potthast.

A batalha de Acosta Ñu foi usada como uma “excelente propaganda para transformar as crianças em futuros soldados”, acrescenta Chamorro, que lembra, porém, que o serviço militar no Paraguai é obrigatório.

O decreto que em 1948 fixou o 16 de agosto como Dia da Criança no Paraguai destacava a importância de “fomentar por todos os meios a difusão e intensificação do sentimento nacionalista por meio das grandes memórias”.

Sobre as crianças especificamente, destacava que elas deveriam ser educadas com base no patriotismo.

“Há trabalhos escolares escritos depois de 1948, por exemplo, em que se vê um garoto assistindo a um desfile militar e falando para o pai: ‘Papai, quero ser soldado’. Ao que ele responde: ‘Você já é um soldado’.”

Um século e meio depois, o monumento inaugurado neste 16 de agosto pelo presidente Mario Abdo Benítez é, segundo a Secretaria Nacional de Cultura, “em honra aos heróis da pátria, os meninos mártires de Acosta Ñu”.

EUA: DNA ajuda polícia a solucionar estupro que aconteceu em 1983

DNA ajudou polícia a identificar autor de estupro

DNA ajudou polícia a identificar autor de estupro
Pixabay

Quase 36 anos depois do estupro de uma mulher em Coral Springs, na Flórida, as autoridades dos Estados Unidos conseguiram identificar o autor do crime com uma nova análise de um DNA encontrado na cena do crime.

Segundo a Polícia de Coral Springs, cidade que fica ao norte de Miami, o material coletado em 1983 nas roupas da vítima foi analisado em março em um laboratório mais avançado. O exame mais moderno determinou que o DNA concidia com o de Timothy Harris.

Leia também: EUA: testes de DNA ajudam polícia e FBI a desvendar crimes antigos

Norris, de 60 anos, cumpre atualmente uma condenação em uma prisão federal na Virgínia Ocidental por assalto à mão armada de um banco. Em agosto de 1983, o autor do crime tinha 24 anos, invadiu armado a casa da vítima pela porta dos fundos e a estuprou.

Agora, com a identificação do DNA, Norris será levado para a Flórida, onde responderá judicialmente pelo estupro que cometeu há quase 36 anos.

Colômbia: Uribe dará depoimento por suposto suborno e fraude

Uribe deve ir acompanhado de advogado

Uribe deve ir acompanhado de advogado
Mauricio Dueñas Castañeda/EFE – 24.7.2019

A Suprema Corte da Colômbia convocou nesta sexta-feira (16) o ex-presidente Álvaro Uribe para prestar depoimento em 8 de outubro, assim como o representante da Câmara Álvaro Hernán Prada, dentro do processo por suposto suborno e fraude processual.

A convocação divulgada por veículos de imprensa locais corresponde a um pedido da Sala de Instrução Penal por solicitação do juiz César Augusto Reyes Medina e pede a Uribe, presidente entre 2002 e 2010 e hoje senador, que compareça acompanhado de um advogado.

Anteriormente, Uribe tinha pedido que o processo contra si fosse declarado nulo, algo que foi negado em 18 de fevereiro pela Câmara de Instrução Especial da Ala Criminal do Supremo Tribunal “porque a prática da prova foi ajustada à lei”.

Uribe, presidente da Colômbia entre 2002 e 2010, responde à Justiça por uma suposta manipulação de testemunhas.

Tudo remonta a 2012, quando Uribe denunciou Cepeda pelo suposto uso de falsos testemunhas ao acusá-lo de buscar ex-paramilitares nas prisões e convencê-los a prestar depoimento contra si.

Com esses testemunhos, Cepeda vinculava o ex-presidente com grupos paramilitares no departamento de Antioquia (noroeste).

Porém, Cepeda conseguiu provar que não havia remunerado as testemunhas.

No ano passado, a Corte interceptou por erro o telefone de Uribe porque seu número parecia, por assim dizer, com o do representante à Câmara Nilton Córdoba, segundo uma carta na qual esse tribunal respondeu a uma explicação pedida pelo ex-presidente.

Na carta, o número do ex-mandatário e agora senador apareceu “de maneira reiterada” nos processos envolvendo Córdoba nesse alto tribunal e quando este advertiu que o ex-presidente “não apresentava informação relevante”, foi “ordenado o cancelamento da interceptação” em 4 de abril.

Piloto que pousou avião em milharal diz que equipe evitou tragédia

Piloto russo Yusupov rejeitou o título de herói

Piloto russo Yusupov rejeitou o título de herói
Reprodução / Reuters TV – 16.8.2019

Damir Yusupov é o piloto responsável pela aterrissagem considerada milagrosa de um avião em um milharal na Rússia, após a aeronave perder os dois motores por conta do choque com um grupo de pássaros. Ele salvou a vida de 233 pessoas, mas, como todo piloto, dispensou o título de herói e diz que o desfecho feliz do acidente se deveu a uma tripulação “coordenada, rápida e profissional”.

O piloto contou que as decisões sobre o pouso no milharal foram compartilhadas com seu copiloto, Georgy Murzin, que está hospitalizado devido a lesões leves no peito. “Quanto à equipe de cabine, eles pensaram rápido e rapidamente abriram as portas, seguindo todos os protocolos. Acho que tivemos menos feridos por conta das ações da equipe”, disse Yusupov a repórteres em Moscou.

Ao todo, 70 pessoas foram feridas no pouso, nenhuma com gravidade.

Avião bateu em gaivotas

O acidente que chamou a atenção de todo mundo ocorreu com uma aeronave da Ural Airlines que decolou do Aeroporto Internacional de Zhukovsky, nos arredores de Moscou.

Depois de poucos minutos no ar, o avião foi atingido por um bando de gaivotas. Alguns dos animais foram sugados para dentro das turbinas, provocando danos que fizeram os dois motores morrer. O trem de pouso também parou de funcionar.

Yusupov conta que, quando seu copiloto percebeu que não seria possível ganhar altitude para retornar ao aeroporto, eles decidiram usar o milharal como pista para o pouso forçado.

“Eu não estava assustado”, disse o piloto a repórteres em Moscou. “Vi a plantação de milho à minha frente e imaginei que iríamos pousar de forma mais ou menos suave. Tentei minimizar a nossa velocidade de descida para tocar o chão de forma tranquila e deslizar suavemente.”

EM FOTOS: Passageiros falam sobre pânico durante pouso em milharal

Conflitos em Hong Kong chegam ao cinema com Jackie Chan e Mulan

Jackie Chan deu uma entrevista à TV estatal da China

Jackie Chan deu uma entrevista à TV estatal da China
Reprodução/Reuters

Além de lutar contra a ameaça de intervenção chinesa, os manifestantes de Hong Kong agora também precisam se posicionar contra duas grandes estrelas do cinema chinês.

Nesta semana, o ator Jackie Chan e a atriz Liu Yifei — que irá interpretar a personagem Mulan no novo live action da Disney — se manifestaram em apoio ao regime chinês.

Chan deu uma entrevista à CCTV, a estatal chinesa, na qual afirmou que os “recentes eventos em Hong Kong” partiram seu coração. Ele ainda insistiu que tem orgulho de ser chinês e ama seu país.

Os comentários dele foram recebidos de uma forma ainda pior porque na realidade, Chan nasceu em Hong Kong.

O astro das artes marciais é conhecido por sua postura pró-Pequim. Anteriormente, ele já havia participado de uma campanha patriota chamada “a bandeira vermelha de cinco estrelas tem 1,4 bilhão de guardas”.

Boicote à Mulan

Já Yifei, fez uma postagem no microblog Weibo, dizendo “eu apoio a polícia de Hong Kong, agora você pode me bater”.

A atriz nasceu em Wufan, mas possui também nacionalidade norte-americana. Por conta disso, ela foi chamada de hipócrita.

Os manifestantes estão chamando um boicote contra o filme da Disney que tem previsão de lançamento no início do ano que vem. Yifei será a protagonista da história, baseada em um poema épico chinês.

Mais protestos pela frente

Os protestos em Hong Kong estão acontecendo há 10 semanas por conta da tentativa chinesa de aumentar o controle sobre a ilha, que até então, possuía autonomia quase completa.

Neste fim de semana já existe previsão para mais manifestações e, possivelmente, novos confrontos com a polícia.

Enquanto isso, militares chineses se aproximam da fronteira territorial aumentando os boatos de uma intervenção militar no território.

As reações à ideia de Trump de comprar a Groenlândia da Dinamarca

A Groenlândia é um território dinamarquês autônomo entre os oceanos Atlântico Norte e Ártico

A Groenlândia é um território dinamarquês autônomo entre os oceanos Atlântico Norte e Ártico


BBC NEWS BRASIL/ Reuters

A Groenlândia disse “não estar à venda” depois que o presidente americano Donald Trump afirmou que gostaria que os Estados Unidos comprassem a ilha.

Trump teria discutido a ideia de comprar a Groenlândia, um território dinamarquês autônomo, durante jantares e reuniões com assessores.

Os planos de Trump também foram rapidamente descartados por políticos na Dinamarca. “Deve ser uma piada do dia da mentira… mas totalmente fora (de época)!”, escreveu no Twitter Lars Lokke Rasmussen, ex-primeiro-ministro do país.

O jornal americano Wall Street Journal, primeiro a publicar a história, disse que Trump falou sobre a compra com “graus variados de seriedade”.

Fontes citadas por outros veículos de comunicação divergiram se o presidente estava brincando ou falando seriamente sobre a possibilidade de expandir o território dos Estados Unidos.

Como a Groenlândia reagiu à ideia de Trump?

“A Groenlândia é rica em recursos valiosos, como minerais, água e gelo, tem estoques de peixes, frutos do mar, energia renovável e é uma nova fronteira para o turismo de aventura. Estamos abertos para negócios, não para a venda”, disse o Ministério das Relações Exteriores nas redes sociais.

O primeiro-ministro da Gronelândia, Kim Kielsen, repetiu os comentários. “A Groenlândia não está à venda, mas está aberta ao comércio e cooperação com outros países, incluindo os Estados Unidos”, disse.

A parlamentar Aaja Chemnitz Larsen rechaçou a fala de Trump. “Não, obrigada”, escreveu ela no Twitter.

 


BBC NEWS BRASIL

Poul Krarup, editor-chefe do jornal Sermitsiaq, da Groenlândia, disse à BBC News que “não podia acreditar” nos comentários de Trump. “A Groenlândia é uma área independente no reino dinamarquês e deve ser respeitada como tal”, disse ele.

E ele afirma que as chances das supostas ambições de Trump darem certo são improváveis.

“Gostaríamos de cooperar com os Estados Unidos, sem dúvida, mas somos independentes e decidimos quem são nossos amigos.”

E o que pensa a Dinamarca?

Políticos da Dinamarca ridicularizaram a possibilidade de venda.

“Se ele (Trump) está verdadeiramente pensando nisso, então esta é a prova final de que ele enlouqueceu”, disse o porta-voz do Partido Popular Dinamarquês, Soren Espersen, à emissora local DR.

“A ideia da Dinamarca vendendo 50 mil cidadãos para os Estados Unidos é completamente ridícula.”

“Esqueça”, escreveu o deputado conservador dinamarquês Rasmus Jarlov, também no Twitter.

A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, que assumiu o cargo no início deste ano, não comentou o assunto. Uma visita dela à ilha está prevista para este fim de semana – e ela disse estar “muito ansiosa” com a viagem.

Já Trump tem uma viagem marcada para a Dinamarca em setembro, mas não há indicação de que discussões sobre a aquisição da Groenlândia farão parte da agenda.

O Wall Street Journal informou que não estava claro como os EUA poderiam adquirir a ilha se Trump estivesse falando sério.

A Groenlândia é a maior ilha do mundo depois da Austrália. É um território dinamarquês autônomo, localizado entre os oceanos Atlântico Norte e o Ártico.

A população da ilha é de cerca de 56 mil pessoas. Quase 90% são indígenas inuítes gronelandeses. Também há um governo autônomo e um Parlamento próprio.

Mais de 80% da ilha são cobertos por uma calota de gelo. Acredita-se que o aquecimento global esteja causando o derretimento da cobertura de gelo cada vez mais rapidamente.

Por que a Groenlândia pode ser atrativa para o EUA?

Ainda não se sabe com certeza se Trump estava falando sério sobre comprar a Groenlândia

Ainda não se sabe com certeza se Trump estava falando sério sobre comprar a Groenlândia


BBC NEWS BRASIL

Trump teria se interessado pela Groenlândia, em parte, por causa de seus recursos naturais, como carvão, zinco, cobre e minério de ferro.

Mas, embora a Groenlândia possa ser rica em minerais, atualmente depende da Dinamarca para bancar dois terços de sua receita orçamentária. Por outro lado, os índices de suicídio são altos, assim como os de alcoolismo e de desemprego.

Duas fontes disseram ao jornal The New York Times que Trump também estava interessado no “valor para a segurança nacional”, devido a localização da Groenlândia.

Os Estados Unidos veem a ilha como estrategicamente importante. No início da Guerra Fria, o país estabeleceu uma base aérea e de radar no local.

O deputado republicano Mike Gallagher descreveu a ideia de Trump como um “movimento geopolítico inteligente”.

“Os Estados Unidos têm um interesse estratégico na Groenlândia, e isso deve estar absolutamente na mesa”, ele tuitou.

Os países podem comprar territórios?

Historicamente, os países adquiriram territórios não apenas através da conquista militar, mas também por meio acordos financeiros.

Em 1803, os Estados Unidos adquiriram cerca de 2,1 milhões de quilômetros quadrados de terras da França por U$ 15 milhões – era o Estado da Louisiana. Em 1867, os americanos chegaram a um acordo com a Rússia para comprar o Alasca por U$ 7,2 milhões.

Os Estados Unidos posteriormente compraram as Índias Ocidentais dinamarquesas em 1917 e as renomearam como Ilhas Virgens Americanas.

No entanto, o professor de direito Joseph Blocher escreveu em 2012 que o “mercado do território soberano parece ter secado”.

“Com certeza, ainda existe um mercado ativo para proprietários de terras públicas… Mas fronteiras – território soberano, em vez de propriedade – não parecem estar à venda.”

Os Estados Unidos já tentaram comprar a Groenlândia?

Trump não é o único presidente americano a ter tido um interesse em comprar a Groenlândia.

Em 1946, o então presidente Harry Truman ofereceu à Dinamarca U$ 100 milhões pelo território. Ele já havia brincado com a idéia de trocar terras no Alasca por partes estratégicas da Groenlândia, segundo a agência de notícias AP.

Piratas armados sequestram 20 marinheiros no litoral de Camarões

Vinte marinheiros foram sequestrados em Camarões

Vinte marinheiros foram sequestrados em Camarões

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Um total de 20 marinheiros procedentes da China, Ucrânia e Rússia foram sequestrados em águas de Camarões por piratas armados em 15 de agosto, confirmaram nesta sexta-feira (16) à Agência Efe fontes portuárias de Duala, no sudoeste do país.

“Nove chineses e oito ucranianos figuram entre as pessoas sequestradas pelos piratas”, declarou o responsável do porto de Duala sob condição de anonimato.

Por sua vez, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia confirmou hoje em comunicado que entre as pessoas sequestradas estão também três marinheiros do país.

“Os diplomatas russos estão cooperando ativamente com as agências competentes e os armadores camaroneses para promover a pronta libertação dos cidadãos russos”, diz o texto, que acrescenta que também trabalha para esclarecer “as circunstâncias do incidente”.

Fontes do Ministério de Defesa camaronês asseguraram à Agência Efe que já está em andamento uma missão de busca e resgate para libertar todos os sequestrados.

Segundo apontam veículos de imprensa locais, os sequestradores seriam piratas nigerianos conhecidos pelas ações no Golfo da Guiné, no centro do litoral ocidental da África, onde estes tipos de fatos se generalizaram fazendo de suas águas umas das mais perigosas do mundo.

De acordo com o último relatório do Organização Marítima Internacional (OMI), 73% de todos os sequestros no mar e 92% das tomadas de reféns aconteceram no Golfo da Guiné no primeiro semestre de 2019, sendo 62 as pessoas capturadas diante do litoral de Benin, Camarões, Guiné, Nigéria e Togo.

E das nove embarcações que sofreram disparos no mundo todo, oito estavam diante do litoral da Nigéria, o principal produtor de petróleo da África.

No entanto, os incidentes de pirataria diminuíram, com 78 casos no mundo todo na primeira metade de 2019 frente aos 107 contabilizados no mesmo período em 2018, segundo a OMI.