O mistério dos tênis Nike surgindo em praias da Europa e do Caribe


Tracey Williams

Das Bahamas à Irlanda, centenas de calçados sem dono apareceram, no ano passado, em praias, depois de terem sido levados por correntes marítimas.

Cientistas estão interessados em entender como e por que esses calçados apareceram em ilhas e praias de diferentes países, como Irlanda, Escócia, França e Portugal.

Em setembro de 2018, Gui Ribeiro começou a perceber itens pouco usuais aparecendo terra firme nos Açores, território português no meio do Atlântico.

No início, apareciam em menor número. Pareciam ter sido perdidos por pessoas que por ali passaram ou simplesmente parte do lixo que ameaça os oceanos do mundo.

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Mas logo ficou claro que os calçados que chegaram nos Açores era parte de algo maior.

Tênis, chinelos e vários outros tipos de calçados estavam aparecendo com uma certa regularidade diferente do material depositado pela maré.

Além disso, eram sempre da mesma marca, do mesmo estilo e, no caso de alguns tênis, com a mesa data de fabricação impressa na língua. E parecia que os calçados jamais haviam sido usados.

Um dos quase 100 tênis da Nike encontrados na costa da Irlanda por Liam McNamara

Um dos quase 100 tênis da Nike encontrados na costa da Irlanda por Liam McNamara
Liam McNamara

Gui Ribeiro recolheu 60 tênis da Nike, além de calçados de outras marcas.

A notícia dos achados se espalhou.

Mistério se avoluma

Sete meses depois, algo parecido aconteceu no Reino Unido. Na Cornualha, a mais de 2 mil quilômetros dos Açores, Tracey Williams percebeu algo muito parecido.

“Um amigo da Irlanda me perguntou se eu tinha encontrado algum (calçado)”, conta Williams. “Saí no dia seguinte e encontrei alguns.”

Williams explica que faz parte de uma rede de pessoas que limpam a praia ou percorrem o litoral em busca de objetos com algum valor e que se comunica.

“Então, se um determinado item estiver sendo lavado (pela maré), nós rapidamente descobrimos e vamos à procura”, conta.

Assim como aconteceu nos Açores e no sudoeste da Inglaterra, calçados também foram encontrados nas Bahamas, Bermudas, Ilhas Orkney, na Escócia, Ilhas do Canal e na Bretanha.

Acredita-se que a fonte desses sapatos seja um único navio.

O fabricante desse chinelo disse que teve produtos perdidos do navio Maersk Shanghai

O fabricante desse chinelo disse que teve produtos perdidos do navio Maersk Shanghai
Tracey Williams

Gui Ribeiro diz que tudo indica que se tratam de 70 a 76 contêineres que caíram do navio Maersk Shanghai.

No ano passado, o Maersk Shanghai – uma embarcação de 324 metros capaz de transportar mais de 10 mil contêineres – viajava pela costa leste dos EUA, de Norfolk, no Estado da Virgínia, até Charleston, na Carolina do Sul.

Na tarde do dia 3 de março de 2018, próximo à costa da Carolina do Norte, o navio enfrentou uma tempestade. Enquanto encarava ventos fortes e um mar agitado, uma pilha dos ontêineres que carregava caiu no mar.

À época, aeronaves foram enviadas para localizar a carga e localizaram nove contêineres boiando, mas sete deles afundaram.

Prejuízo à vida marinha

Não é possível afirmar com certeza se todos os calçados encontrados praias fazem parte da carga do Maersk Shanghai – o responsável pela embarcação, a empresa Zodiac Maritime, não respondeu às perguntas da BBC sobre o assunto. A Nike também optou por não comentar.

Mas outras duas marcas, a Triangle e a Great Wold Lodge, confirmaram que os exemplares recuperados estavam originalmente no navio.

Mapa onde calçados foram encontrados

Mapa onde calçados foram encontrados
BBC

Gui Ribeiro não é o único entre os que limpam praias convencido de que os calçados estavam na embarcação.

Liam McNamara, da costa oeste da Irlanda, encontrou “mais de 100” sapatos, a maioria deles tênis da Nike. Para ele, é quase certo que vieram do Maersk Shanghai.

“Estavam aparecendo em tudo quanto é lugar”, diz McNamara

Mas qual é o impacto de acontecimentos como esses?

“Não importa se estiver no fundo do mar ou na praia, vai ter impacto prejudicial à vida marítima”, diz Lauren Eyles, da Sociedade de Conservação Marinha.

“Os sapatos vão liberando microplásticos ao longo dos anos, o que tem um impacto na natureza.”

 

Mapa das correntes marítimas

Mapa das correntes marítimas
BBC
Mapeando as correntes

 

As estimativas variam, mas acredita-se que 10 milhões de toneladas de plástico vão parar nos oceanos todos os anos.

Questionada qual o tamanho do impacto dos contêineres na poluição, Eyles diz não ser possível saber. “Não acho que exista dado suficiente para chegar a uma conclusão”, explica.

O World Shipping Council, que representa a indústria de transporte marítimo internacional, estima que dos 218 milhões de contêineres transportados anualmente, apenas 1 mil caem no mar. Mas Curtis Ebbesmeyer, oceanógrafo que trabalhou com a Nike ajudando a limpar um “derramamento de calçados” da empresa no mar no início dos anos 1990, acredita que esse número seja maior.

“É um número que a indústria gosta de contestar”, diz Curtis Ebbesmeyer. “Acho que são milhares de contêineres todos os anos. A pergunta tem de ser: o que realmente está dentro deles?”

Mas Ebbesmeyer diz que é possível estimar quantos calçados podem ter caído no mar.

Além de causar danos ambientais, derramamentos de cargas ajudam a entender melhor como funcionam nossos oceanos e as correntes marítimas

Além de causar danos ambientais, derramamentos de cargas ajudam a entender melhor como funcionam nossos oceanos e as correntes marítimas
Tracey Williams

 Ele diz que um contêiner pode carregar cerca de 10 mil tênis. “Se você fala em 70 contêineres multiplicado por 10 mil, isso dá o total (de 700 mil) que pode estar por aí.”

Mapeando as correntes

Além dos danos ambientais, cientistas podem aproveitar esses incidentes para entender melhor como funcionam nossos oceanos e as correntes marítimas.

Embora muitos dos sapatos que caíram do Maersk Shanghai tenham aparecido em praias, é muito provável que outros estejam dando voltas no oceano Atlântico Norte, presos em uma rede de correntes poderosas.

É possível dizer quão rápido as correntes estão se movendo a partir de onde e quando os sapatos aparecerem, explica Ebbesmeyer.

“Se eles tiverem percorrido a metade do caminho [da Carolina do Norte ao Reino Unido] em pouco mais de um ano, serão necessários cerca de três anos para percorrer o Atlântico Norte. Esse é o período orbital típico, mas isso não tem sido muito estudado por oceanógrafos de uma forma geral”, afirma o oceanógrafo.

Ebbesmeyer diz ainda que o formato dos calçados parece indicar onde eles vão parar.

“Tênis do pé esquerdo e do direito flutuam com orientação diferente em relação ao vento”, explica ele. “Então, quando o vento sopra sobre eles, eles vão para lugares diferentes. Em algumas praias, você tende a pegar o tênis esquerdo e, em outros, você pega o direito.”

Ebbesmeyer diz que mais poderia ser feito para impedir casos como este.

“Demora 30, 40, 50 anos para o oceano se livrar dessas coisas”, diz.

Tracey Williams limpa a praia perto da casa dela todos os dias

Tracey Williams limpa a praia perto da casa dela todos os dias
Tracey Williams

 Ele afirma que empresas apostam que as pessoas vão simplesmente se esquecer desses incidentes, mas seus produtos continuarão vagando pelos mares. “Como a gente responsabiliza as empresas? Nesse momento, não há responsabilização.”

Parte do problema é que as companhias de navegação só têm que relatar contêineres perdidos se eles tiverem potencial para se tornar um perigo para outros navios ou carregarem substâncias consideradas “prejudiciais ao meio ambiente marinho”, como produtos químicos corrosivos ou tóxicos.

Enquanto a Sociedade de Conservação Marinha diz que produtos como tênis podem ser prejudiciais aos ambientes marinho, eles não são considerados perigosos o suficiente para forçar as empresas a notificar sobre os incidentes.

A Organização Marítima Internacional, órgão das Nações Unidas de regulação da navegação, informou à BBC News que reconhece a necessidade de se fazer mais para identificar e comunicar contêineres perdidos. Esclareceu ainda que “adotou um plano de ação para lidar com lixo plástico marinho de navios”.

Para Tracey Williams, da Cornualha, que limpa as praias perto da casa dela, não há solução simples.

Ninguém quer seus produtos espalhados pelas praias e poluindo o oceano, diz ela. “Mas acho que seria bom se as empresas fossem mais abertas sobre as cargas derramadas.”

“Essas coisas vão acontecer, mas não parece haver responsabilização alguma quando acontece”, acrescenta McNamara. “No final das contas, as companhias de navegação devem ser responsabilizadas.”

Ministério da Cultura italiano cede obras para o Museu Nacional 

Incêndio em setembro de 2019 destruiu o Museu Nacional

Incêndio em setembro de 2019 destruiu o Museu Nacional
Tânia Rêgo/Arquivo/Agência Brasil 19.06.2019

O Instituto Italiano de Cultura do Rio de Janeiro, com o auxílio do Ministério de Bens e Atividades Culturais da Itália, a Embaixada da Itália em Brasília e o Consulado Geral da Itália do Rio, irão ceder obras de arte ao Museu Nacional.

Nesta quarta-feira (19) acontece o Simpósio Internacional “O museu como laboratório: entre memória, sustentabilidade e inovação”, que reúne diretores, pesquisadores e gestores dos principais museus do Brasil e da Itália.

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“É um momento muito importante para as relações bilaterais entre a Itália e o Brasil. O anúncio desta cooperação testemunha não apenas a grande atenção da Itália para assuntos relativos à preservação do patrimônio artístico-cultural, especificamente para a reconstituição do acervo do Museu Nacional, como também o desenvolvimento de relações futuras que abrangem também outros âmbitos econômicos entre Itália e Brasil”, afirma Antonio Bernardini, embaixador da Itália no Brasil.

O Ministério da Cultura italiano irá colobarar também na restauração de uma Koré, uma importante estátuta feminina grega, encontrada em 1853 em um túmulo, durante as primeiras escavações conduzidas por Teresa Cristina e que foi quebrada no incêndio.

*Estagiário do R7, sob supervisão de PH Rosa

Apple quer tirar até 30% de sua produção da China, diz jornal


Jason Lee/Reuters – 14.12.2018

A Apple pediu a seus principais fornecedores que avaliem as implicações de custos de transferir entre 15% e 30% de sua capacidade de produção da China para o Sudeste Asiático, conforme se prepara para uma reestruturação de sua cadeia de fornecimento, publicou o jornal Nikkei Asian Review nesta quarta-feira (19).

O pedido da Apple foi resultado da disputa comercial sino-americana, mas uma resolução comercial não levará a uma mudança na decisão da empresa, disse o Nikkei, citando várias fontes.

A fabricante do iPhone decidiu que os riscos de depender fortemente de fabricação na China são grandes demais e até mesmo crescentes.

As principais fábricas do iPhone, Foxconn, Pegatron, Wistron, a maior fabricante dos computadores MacBook, Quanta Computer, a montadora de iPads, Compal Electronics, e as produtoras dos Airpods, Inventec, Luxshare-ICT e Goertek foram convidadas a avaliar opções fora da China, informou o Nikkei.

Os países considerados incluem México, Índia, Vietnã, Indonésia e Malásia. Índia e Vietnã estão entre os favoritos para smartphones, disse o Nikkei, citando fontes.

Analistas da Wedbush Securities disseram que, no melhor dos casos, a Apple poderia movimentar de 5% a 7% de sua produção de iPhone para a Índia nos próximos 12 a 18 meses.

Dada a complexidade e a logística envolvidas, o jornal publicou que levaria pelo menos 2 a 3 anos para transferir 15% da produção de iPhones da China para outras regiões.

“Acreditamos que tudo isso é um jogo de pôquer e a Apple não diversificará a produção da China da noite para o dia e certamente um acordo de longo prazo entre EUA e China é fundamental para Tim Cook, presidente-executivo da Apple, dormir bem à noite”, disseram analistas da Wedbush.

Um prazo não foi definido para os fornecedores finalizarem suas propostas comerciais, disse o Nikkei, acrescentando que levaria pelo menos 18 meses para começar a produção depois de escolher um local.

(Por Sathvik N)

A fotógrafa que retrata as árvores mais antigas do mundo

A fotógrafa Beth Moon se dedica há 20 anos a fotografar árvores antigas em seu projeto Portraits of Time

A fotógrafa Beth Moon se dedica há 20 anos a fotografar árvores antigas em seu projeto Portraits of Time
BBC NEWS BRASIL/Beth Moon

A fotógrafa americana Beth Moon, de 63 anos, vivia em Londres em 1999, quando, durante uma viagem pelo interior, uma enorme árvore no jardim de uma igreja chamou sua atenção.

Era um teixo com tronco de mais de dez metros de circunferência e uma idade estimada em 1,5 mil anos. “Fiquei impressionada e intrigada. Não tinha ideia de que árvores podem viver por tanto tempo”, diz Moon.

Este foi o ponto de partida para o projeto mais longo de sua carreira, iniciado naquele mesmo ano. No trabalho batizado de Portraits of Time (Retratos do Tempo, em tradução livre), ela se dedica a fotografar árvores antigas.

A busca de Moon por estes exemplares já a levou a rodar por Ásia, Europa, Estados Unidos, Oriente Médio e África.

Ela conta que muitas das árvores que fotografou têm uma história interessante, como o carvalho Rainha Elizabeth. Ele foi batizado em homenagem à rainha Elizabeth 1ª, porque a monarca costumava tomar chá sob ele, diz Moon.

Na África, Moon escolheu fotografar árvores em meio às estrelas após estudar sobre a influência do cosmos no crescimento destas plantas

Na África, Moon escolheu fotografar árvores em meio às estrelas após estudar sobre a influência do cosmos no crescimento destas plantas
BBC NEWS BRASIL/Beth Moon

Outro exemplo que a marcou foi a um enorme baobá chamado Sagole, o maior exemplar da espécie na África do Sul. “Ele era usado como esconderijo por pessoas que lutavam contra o apartheid nos anos 1970”, afirma a fotógrafa.

O que define uma árvore antiga?

Moon explica que a definição de “antiga” varia de acordo com cada espécie de árvore. O termo é aplicado a um carvalho quando ele tem de 600 a 900 anos de idade, diz a fotógrafa.

“Eles raramente vivem mais que mil anos. Carvalhos com 300 a 600 anos de idade são chamados de veteranos.”

Mas outras árvores vivem por muito mais tempo do que isso, segundo Moon, como o pinheiro bristlecone, sequóias e baobás, por exemplo. “Estas árvores crescem por mais de 1 mil anos, e algumas delas, chegam a 4 mil anos.”

Moon explica que a definição de 'antiga' varia de acordo com cada espécie de árvore

Moon explica que a definição de ‘antiga’ varia de acordo com cada espécie de árvore
BBC NEWS BRASIL/Beth Moon

Moon diz que baseia seu trabalho em uma extensa pesquisa em que conjuga livros de botânica com obras de história. Por vezes, recebe dicas de viajantes que conheceram árvores antigas ao rodar pelo mundo.

Ela escolhe as árvores que fotografa com base em alguns critérios, como sua idade, tamanho excepcional ou interesse histórico.

Noites de diamante

“Em 2013, eu soube de dois estudos científicos que relacionavam o tamanho das árvores à luz das estrelas, e achei essa sinergia muito intrigante”, diz Moon.

Ela se refere ao trabalho de pesquisadores da Universidade de Edimburgo, na Escócia, que mostrou que árvores crescem mais em locais onde níveis maiores de radiação cósmica atingem a superfície do planeta.

Os cientistas concluíram que isso tem um impacto maior sobre o tamanho de uma árvore que a média de temperatura anual ou de chuvas.

A fotógrafa faz um alerta: grandes árvores antigas estão padecendo diante das mudanças climáticas

A fotógrafa faz um alerta: grandes árvores antigas estão padecendo diante das mudanças climáticas
BBC NEWS BRASIL/Beth Moon

Moon também usou como referência o livro Vortex of Life (Vortex da Vida, em tradução livre), em que o matemático Lawrence Edwards mostra como botões das árvores mudavam de forma e tamanho em ciclos regulares durante todo o inverno em correlação direta com a movimentação da Lua e dos planetas.

Nesta época, ela estava planejando uma viagem à África e decidiu incluir essa descoberta em suas fotografias na série Diamond Nights (Noites de Diamante, em tradução livre), em que retratou grandes árvores em locais remotos do continente africano, em noites sem lua, para que a luz das estrelas ficasse evidente nos retratos.

'Testemunhar a morte de algumas de nossas árvores mais antigas é não só inesperado, mas devastador', diz Moon

‘Testemunhar a morte de algumas de nossas árvores mais antigas é não só inesperado, mas devastador’, diz Moon
BBC NEWS BRASIL/Beth Moon

Foi também na África que ela descobriu um fato sobre as árvores antigas que a deixou preocupada. Nos países mais ao sul, diz a fotógrafa, elas sofreram com a ocorrência de menos chuvas e o aumento das temperaturas por conta das mudanças climáticas.

“Grandes baobás, muitas vezes reverenciados pelos locais e considerados sagrados, que servem como o ponto central de um vilarejo ou um ponto de encontro, simplesmente desabaram”, diz Moon.

“Quando comecei esse projeto, pensava nestas árvores como seres fortes e resistentes, quase imortais, e testemunhar duas décadas depois a morte de algumas de nossas árvores mais antigas é não apenas inesperado, mas devastador.”

Sudeste Asiático ignora “Guerra Fria” do 5G entre EUA e Huawei

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Pixabay

A maioria dos países do Sudeste Asiático está ignorando a “Guerra Fria” do 5G, na qual os Estados Unidos iniciaram uma campanha contra o grupo chinês Huawei por considerá-lo uma ameaça para a segurança.

Países como Tailândia, Singapura e Indonésia se declararam neutros e a gigante chinesa desponta como um dos arquitetos da rede de telefonia 5G nesta região de mais de 600 milhões de habitantes, com exceção do Vietnã.

Outras empresas que trabalham no desenvolvimento do 5G no sudeste da Ásia são a chinesa ZTE, a finlandesa Nokia e a sueca Ericsson.

“Certamente, a pressão aumentou entre os países do Sudeste Asiático para que escolham um lado na crescente rivalidade entre os Estados Unidos e a China em várias frentes”, explicou à Agência Efe Gwen Robinson, pesquisadora do Instituto de Segurança e Estudos Internacionais da Universidade de Chulalongkorn, em Bangcoc.

Para Gwen, a exigência dos Estados Unidos para que outros países rejeitem a tecnologia da Huawei está criando a impressão de uma espécie de “Guerra Fria 2.0”, inclusive com uma nova versão do veto tecnológico americano à antiga União Soviética.

As vantagens econômicas e tecnológicas do 5G da Huawei prevalecem sobre as “preocupações de cibersegurança” no Sudeste Asiático, o que pode minar os objetivos americanos, acrescentou a pesquisadora, que também é jornalista do “Nikkei Asian Review”.

O 5G, que é pelo menos 20 vezes mais rápido do que o 4G, promete transformar a economia e a sociedade ao acelerar a robotização, a internet das coisas, a inteligência artificial e os veículos do futuro. Já no ano passado, Austrália e Nova Zelândia excluíram a Huawei do desenvolvimento das suas redes 5G por razões de segurança devido à sua proximidade com o governo chinês.

Segundo os Estados Unidos, a Huawei trabalha com o exército e o governo da China e criou camadas ocultas em seus aparelhos para espionar os rivais de Pequim, o que foi negado categoricamente pela multinacional chinesa.

Por este motivo, o governo americano colocou a empresa em uma “lista negra”, o que a proíbe de ter relações comerciais com companhias dos Estados Unidos, e iniciou uma campanha para convencer seus aliados a também vetarem a empresa. O Japão foi o último país a aderir o veto à Huawei. Por outro lado, a Malásia continuará comprando equipamentos da Huawei e alertou que as disputas entre Estados Unidos e China podem gerar um conflito militar.

“Sim, pode ser que haja espionagem. Mas o que há para espionar exatamente na Malásia? Somos um livro aberto”, disse com certa ironia o primeiro-ministro malaio, Mahathir Mohamad, em um fórum econômico em Tóquio realizado em maio.

Com uma postura parecida, Singapura preferiu ser “objetiva” e não vetar a Huawei, enquanto as autoridades tailandesas defenderam a “neutralidade” e o ministro de Comunicação da Indonésia, Rudiantara, disse em fevereiro que seu país não pode ser “paranoico” a respeito da fabricante chinesa.

“Os países asiáticos não deixarão a Huawei e a eletrônica chinesa”, disse à Agência Efe Thirachai Phuvanatnaranubala, que foi ministro da Economia da Tailândia entre 2011 e 2012.

Para ele, a Tailândia não deveria se juntar ao veto americano, já que limitaria as opções do país. Em sua opinião, a empresa está “claramente à frente” na corrida do 5G e oferece os preços mais competitivos.

Em abril, a Huawei assinou um acordo com o Camboja para desenvolver a rede de 5G em 2020 e está em negociações em outros países da região, entre eles Tailândia e Filipinas, tradicionais aliados dos Estados Unidos.

Na Tailândia, a empresa chinesa está trabalhando em um projeto-piloto junto com a Comissão Nacional de Telecomunicações e a Universidade de Chulalongkorn.

As duas únicas operadoras de telefonia celular das Filipinas, a Globe e a PLDT, se comprometeram a diversificar seus provedores de hardware para evitar se envolver na disputa entre a China e Estados Unidos e contam com a Huawei para lançar suas redes 5G.

As autoridades filipinas também assinaram um acordo com a China Telecom e a Huawei para a criação de um sistema de vídeo vigilância nas regiões metropolitanas de Manila e Davao, avaliado em 20 bilhões de pesos filipinos (cerca de R$ 1,5 bilhão), para reduzir os índices de criminalidade e melhorar a resposta em situações de emergência.

Tanto a fabricante chinesa quanto a americana Qualcomm estão promovendo sua tecnologia 5G na Indonésia, embora o país ainda não tenha anunciado acordos com nenhuma empresa.

O regime comunista do Vietnã parece querer seguir seu próprio caminho, com a liderança da Viettel, propriedade do exército, que está desenvolvendo sua própria tecnologia 5G e nas últimas semanas realizou testes visando o grande lançamento no ano que vem.

A rejeição do Vietnã à Huawei pode estar ligada, segundo vários analistas, ao tradicional receio vietnamita em relação à China (apesar da proximidade ideológica), e à sua intenção de desenvolver suas próprias tecnologias e se transformar em uma potência regional no setor, independentemente da China.

Terremoto de magnitude 5,5 sacode Argentina e é sentido no Chile

Tremor foi sentido em Mendoza

Tremor foi sentido em Mendoza
Fernando Mellis/R7

Um terremoto de magnitude 5,5 na escala Richter, que na noite de quarta-feira (19) estremeceu a cidade de Mendoza, na Argentina, também foi sentido em várias regiões do Chile, mas sem informações de vítimas ou danos materiais, de acordo com informações das autoridades chilenas.

Segundo o Centro Sismológico Nacional da Universidade do Chile, o movimento telúrico foi registrado às 21h23 (horário local, 22h23 de Brasília), com um epicentro a 92 quilômetros de Mendoza.

O hipocentro, por sua vez, estava localizado a 191,8 quilômetros de profundidade.

O Onemi (Escritório Nacional de Emergência do Chile), subordinado ao Ministério do Interior, informou que o terremoto abalou as regiões chilenas de Coquimbo, Valparaíso, região metropolitana de Santiago e O’Higgins.

Irã anuncia ter derrubado um drone norte-americano em seu território

Dias atrás, EUA acusou o Irã de haver danificado um navio petroleiro

Dias atrás, EUA acusou o Irã de haver danificado um navio petroleiro
ISNA/Handout via REUTERS/13.06.2019

Os Guardiões da Revolução do Irã anunciaram nesta quinta-feira (20) a derrubada de um avião não-tripulado dos Estados Unidos, dedicado a operações de espionagem perto do Estreito de Ormuz, onde vários incidentes foram registrados no último mês.

Leia mais: Crise com Irã faz EUA enviarem mais 1.000 militares ao Oriente Médio

O drone entrou no espaço aéreo iraniano na madrugada de hoje, sobrevoando a região de Koohe Mobarak, na província de Hormozgan, no sul do país, disseram os Guardiões em um comunicado.

A Força Aeroespacial desse corpo militar de elite foi a encarregada de disparar contra o dispositivo, descrito na nota como um avião espião dos EUA do tipo “Global Hawk”.

Os Guardiões, apontados pelos EUA como um grupo terrorista, denunciaram que o drone americano “violou o espaço aéreo territorial iraniano”.

Isto ocorreu perto do estratégico estreito de Ormuz, por onde atravessa um quinto do petróleo mundial e a apenas 80 quilômetros dos Emirados Árabes Unidos e Omã.

Esta derrubada coincide com o aumento da tensão entre o Irã e os EUA no Oriente Médio, onde Washington decidiu enviar mais tropas e fortalecer sua instalação militar de navios e mísseis no Golfo Pérsico.

Justiça do Peru homologa acordo de leniência com Odebrecht

Acordo permite acesso a testemunhas e provas

Acordo permite acesso a testemunhas e provas
Germán Falcón/EFE

O acordo de leniência assinado entre o Ministério Público do Peru e a Odebrecht foi homologado nesta quarta-feira (19) pela Justiça do país sul-americano “sem nenhuma exceção nem restrição”.

“É um marco no sistema de jurisprudência. É o primeiro caso de uma sentença de colaboração em nível corporativo”, ressaltou em entrevista coletiva o procurador Rafael Vela, coordenador da equipe especial do Ministério Público para a versão peruana da operação Lava Jato.

Vela anunciou que o acordo, que permite acesso a testemunhas e provas nas investigações, foi aprovado pela Justiça “conforme os termos expostos na sua oportunidade pelo Ministério Público de maneira conjunta com a Procuradoria Pública Ad Hoc para o caso Odebrecht”.

Entre os pontos que constam no acordo está previsto que a Odebrecht repassará informações dos sistemas My Web Day e Drousys, por meio dos quais a companhia brasileira solicitava, processava e controlava as operações para o pagamento de propinas.

O acordo também estabelece que a empresa pagará uma reparação civil aos cofres públicos peruanos de 610 milhões de sóis (US$ 184 milhões), além de outras compensações.

Pedido de recuperação judicial da Odebrecht é o maior da história

O convênio assinado em fevereiro recebeu críticas durante o processo de homologação por parte da oposição fujimorista, que argumentou que ele estabelecia uma reparação civil muito baixa, o que levou inclusive o Congresso a interpelar o ministro da Justiça, Vicente Zeballos.

No entanto, o processo seguiu o curso normal, e a homologação foi apresentada à Justiça em abril para que fossem realizadas as audiências correspondentes até a aprovação de controle de legalidade por um juiz.

O chamado caso Odebrecht consiste na investigação de milionários pagamentos de propina que a companhia reconheceu à Justiça dos Estados Unidos ter feito em diversos países, entre eles o Peru, em troca da concessão de grandes contratos de obras públicas.

No Peru, a empresa também fez doações irregulares às campanhas eleitorais de candidatos à presidência. Por esse motivo, foram processados os ex-presidentes Ollanta Humala, que já passou nove meses em prisão preventiva; Alejandro Toledo, cuja extradição foi pedida às autoridades dos Estados Unidos; Pedro Pablo Kuczynski, que cumpre 36 meses de prisão domiciliar, e Alan García, que se suicidou em abril deste ano, quando estava prestes a ser preso.

Também acusada de ter se favorecido com propinas, a líder opositora Keiko Fujimori cumpre 36 meses de prisão preventiva desde o final de outubro do ano passado, assim como Susana Villarán, ex-prefeita de Lima, cujo prazo de prisão enquanto é investigada é de 24 meses.

Richarlison diz que torcida precisa apoiar mais seleção brasileira

Richarlison brigou bastante, mas não conseguiu o gol no Brasil x Venezuela

Richarlison brigou bastante, mas não conseguiu o gol no Brasil x Venezuela
Mauro Akiin/Estadão Conteúdo – 18.6.2019

O Brasil esperava recuperar a interação com a torcida em Salvador, mas saiu da capital baiana novamente distante do público. Depois do empate sem gols com a Venezuela, na Fonte Nova, pela Copa América, o atacante Richarlison afirmou que a equipe necessitar ter mais apoio do público para os próximos jogos na competição, como no compromisso de sábado (22), na Arena Corinthians, contra o Peru.

O atacante disse ter se sentido incomodado com as vaias e também com a postura irônica da torcida de ter apoiado a Venezuela nos minutos finais. “A gente espera apoio até o apoio final e aí de repente a torcida começa a gritar olé para o adversário e a gente não entendeu nada. Mas segue o jogo. Não é normal. Mas vamos seguir focados, que temos um jogo importante”, comentou o jogador do Everton, da Inglaterra.

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Richarlison atuou somente no primeiro tempo da partida, para depois ser substituído por Gabriel Jesus. As vaias da torcida repetiram o roteiro do jogo de abertura, contra a Bolívia. Mesmo com a vitória por 3 a 0, a seleção brasileira foi alvo de protestos do público. Em Salvador, houve no início do jogo mais apoio, que enfraqueceu ao longo do empate por 0 a 0. “O torcedor paga caro no ingresso e quer ver show, quer ver gol”, comentou.

O atacante avaliou como decepcionante o resultado diante da Venezuela. “Saímos com gosto de derrota, mas a competição é curta”, completou. O Brasil lidera o Grupo A com quatro pontos, ao lado do Peru, mas está à frente por ter um saldo de gols melhor: 3 contra 2.

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A seleção brasileira viaja para São Paulo na noite desta quarta-feira. Na quinta, o elenco inicia a preparação para enfrentar o Peru, com um treino no CT do São Paulo. Já na sexta, véspera da partida, o trabalho já será na Arena Corinthians. Para garantir a classificação às quartas de final, a equipe do técnico Tite precisa somente de um empate.

Conheça o calendário dos estádios para a Copa América

Skatistas olímpicos festejam mudança de cenário na modalidade


Reprodução/Instagram/@kelvinhoefler

Quatro skatistas brasileiros cotados para representar o País nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020 e com chances de pódio comemoraram um novo cenário do esporte. Rayssa Leal e Kelvin Hoefler, do street, e Yndiara Asp e Murilo Peres, do park, vão receber um apoio de uma financeira por um ano, com possibilidade de renovar por mais um.

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“Fiquei muito feliz com esse apoio e pelo diferencial da parceria, que incentiva a gente a realizar projetos. Minha meta a longo prazo é poder desenvolver o mercado do skate no Brasil. Tenho ideias para tentar revitalizar pistas, até porque o skate foi minha escola de vida”, afirmou Murilo Peres.

Os valores de patrocínio não foram revelados. A intenção da BV é ajudar atletas promissores e expandir a plataforma que foi lançada em novembro do ano passado unindo esporte e educação por meio da inclusão. “O skate está vindo de uma transição de estilo de vida para competição e é uma modalidade que tem muito pouco apoio fora do meio”, explicou Gabriel Ferreira, diretor executivo da empresa.

A presença da instituição financeira numa modalidade de esporte radical evidencia o momento do skate no mundo. Após entrar no programa olímpico, ele está pulando os muros da comunidade do skate e chamando a atenção de grandes empresas de outros setores da economia.

“O fato de o skate entrar na Olimpíada faz ele ser mais respeitado e visto por outros olhos. É muito bom esse apoio de marcas fora do skate, que ajuda a nos dar suporte para viver disso. Está melhorando bastante e vejo até pessoas mais velhas, que antes tinham certo preconceito, começam a te admirar. O cenário está mudando”, comemora Yndiara Asp.

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